TF História: O jogo que Paparelli não viu

Foto: Salla della memoria Heysel
Cleber Gordiano, @Cleber_Gordiano

Lazio ainda sente a perda de um torcedor num dérbi romano em 1979: Vincenzo Paparelli morreu enquanto via seu time enfrentar o maior rival no Olímpico; sinalizador lançado pela torcida romanista causou o incidente

A rivalidade é uma das coisas mais bonitas do futebol, mas quando ela passa dos limites, pode provocar tragédias que ficam marcadas para sempre e destroem vidas e famílias. Lazio e Roma possuem grandes histórias em campo que podem ser contadas.
Vincenzo Paparelli era mecânico e tinha uma mulher e dois filhos. No dia 28 de outubro de 1979, ele foi com a esposa ao estádio Olímpico ver o dérbi romano, ver sua Lazio jogar. O time biancoceleste passava por tempos difíceis: no fim da década de 70 a equipe oscilava entre a primeira e a segunda divisão. O Derby della Capitale era a oportunidade de recuperar o orgulho ferido. Paparelli estava na Curva Nord, sentado ao lado da mulher e comendo um sanduíche enquanto aguardava o início do jogo. Mas Paparelli não viu o que planejava naquela tarde. Foi sentado ali na Curva Nord, simbolo da torcida laziale, que Paparelli viveu seus últimos momentos.
Da Curva Sud, onde ficavam os adeptos romanistas, partiram dois foguetes sinalizadores em direção ao setor rival, caíram fora do estádio. O terceiro sinalizador, que atravessou o gramado e foi direto até a Curva Nord, foi o que tirou a vida de Paparelli. Enquanto fazia seu lanche, o laziale foi atingido no olho esquerdo pelo foguete. Sua esposa gritava desesperadamente por ajuda ao seu lado. Uma ambulância ainda tentou levá-lo ao hospital, mas Vincenzo já chegou lá sem vida. Ele tinha 33 anos.
Mesmo com o incidente e com o protesto dos torcedores, a partida aconteceu, com um ambiente sombrio. O resultado? 1 a 1, com gols de Zucchini para a Lazio e de Pruzzo para a Roma. Mas pouca gente se lembra do clássico. Muitos com medo até abandonaram o estádio antes do apito inicial. Este dérbi ficará marcado por uma tragédia que destruiu uma família e deixou uma mulher viúva e dois filhos sem pai.
A polícia identificou Giovanni Fiorillo, de 18 anos, como o autor do disparo que matou Paparelli. O rapaz fugiu, mas logo foi preso e condenado a seis anos e dez meses de reclusão por homicídio culposo. Durante este período, Fiorillo pedia desculpas quase que diariamente ao irmão de Vincenzo, dizendo que não tinha intenção de matar ninguém naquele dia.
Duas décadas após o triste episódio, a rivalidade foi usada novamente como motivo para mais um ato covarde. Na mesma Curva Sud de onde saiu o sinalizador em 1979, foi exibida uma faixa zombando do acontecido, que dizia: “Paparelli, você está perdendo os belos tempos“. Pouco tempo depois, a mesma curva exibiu uma faixa em memória do laziale: “Além das cores, respeito a Paparelli“. Respeito que deve estar acima da rivalidade, da qual o torcedor foi vítima.

Brincadeira de criança

Foto: Globoesporte.com
Rodrigo Salvador, @novosomsalvador

Hoje é dia das crianças. Dia das crianças cujos times perderam ontem, acharem alguma brincadeira pra não pensarem em futebol, pelo menos até domingo. Sendo assim, aqui vai a minha sugestão pra cada um dos derrotados aproveitar melhor o dia de hoje:


Pequenos vascaínos, vocês precisam de um jogo que seja fácil de fazer ponto, já que o time de vocês tá até agora parando no Rogério Ceni, que defendeu tão bem que podia defender o José Dirceu e ia dar certo. Pega-vareta, por exemplo.

Pros torcedorzinhos do Bahia eu sugiro pegar um baralho e aprender a jogar RobaMonte. Nesse jogo, o objetivo é roubar o monte do coleguinha, ou seja, é permitido descontar a raiva do gol mal anulado roubando legalmente. Se o coleguinha for bem mais forte, a brincadeira fica ainda mais verossímil com o jogo de quarta. (Ma que golaço o primeiro do Fluminense hein?)

Os pequenos atleticanos podem brincar de Lenço Atrás. Mas só pela brincadeira mesmo, porque tem tudo a ver com o Galo: O guri tá lá, sentado de boa, dono da situação, tipo um líder, vem lá um piá chato e escolhe justo ele pra pôr o lenço atrás. Pode correr o quanto quiser, mas não vai mais alcançar o outro, vai ter que ver ele sentar no seu lugar e ficar com aquela cara de bunda.

Uma legal ia ser uns moleque torcedor do Sport e do Palmeiras juntos brincando de “31 meu” (esconde-esconde). Mas essa eles teriam que brincar até semana que vem, porque domingo nenhum dos dois vai chegar a 31 pontos ainda. Aproveitando a deixa do rebaixamento, os pequenos fãs do Dragão já podem jogar Forca. Inclusive eu sugiro escolher logo os times da Série B como palavras-chave, pra já ir acostumando.

Quem torce pro Náutico pode ficar o dia inteiro num balanço. Pode até acompanhar as balançadas com um mantra tipo “ganha em caaaasa… perde fooooora”. Nem sair na frente do placar adiantou pro Timbu contra a Ponte.

Pensando nos urubuzinhos, pelo comportamento do time no campo, podem escolher brincar de Estátua ou de Vivo ou Morto, tanto faz. Os botafoguenses que viram o time jogar fora a última esperança de Libertadores podem brincar de Amarelinha, porque né. E os pequenos portugueses podem curtir um bets, mas não precisa largar não, não por enquanto.

Pra quem ganhou, vai pro campinho jogar bola. Com o pai, com os amiguinhos, com estranhos. Mas vai jogar bola. Se fizer gol, grita bem alto o nome do artilheiro do teu time. Porque é assim que eu fazia quando era mininito. E é daí que vem as lembranças mais legais dos meus 12 de outubro.

TROFÉU CRIANÇA FELIZ: Pra mim, que fiquei nervoso o dia todo, vi meu time ser roubado de novo contra o Parmera, mas tô correndo em círculos faz horas e posso comemorar bem feliz igual criança o aniversário do Coxa.

TROFÉU QUEBROU O NARIZ: Pro Bos que torce pro Parmera e foi agraciado com o pior resultado da rodada, além de ser o segundo cara que eu posso zoar ao vivo num texto da TF. (Nota do editor: 🙁 )



Pau no cu do 0x0

Luís Fabiano acabou com o Flamengo na volta de Rogério Ceni
Foto: Globoesporte.com
Rodrigo Salvador, @novosomsalvador
[Uma coisa que eu nao gosto muito é gente que tira sarro. Sabe eu acho meio bobo e HAHAHAHHAHAHA JOSÉ CADÊ O GREMIO CADÊ HAHAHAHA VAI LÁ LESIONARDO NA CATIGURIA QUE GOLAÇO HAHAHA JOSÉEEEEE eu fiz um air guitar em sua homenage no gol do Ayrton josé, e ainda chupinharam o gol do Roberto que não tava impedido HAHAHA JOSE UM ABS]
Pode comecar a corneta? Pode? Entao bora. Quatro zero a zeros. Quatro PLACARES CELSO ROTH DA RODADA. Ta bom que o Flu foi zoado, foi avacalhado no gol do Frederico, mas o que tá lá no escore é uma caralhada de jogo sem gol. 
Bahia x Corinthians, Sport x Atletico-GO (o outro time do josé), Inter x Vasco, tudo zerado. 0x0 nao devia contar ponto. Duvido que acabava assim essas porra. Deviam devolver o ingresso. Devia ter prorrogação com morte súbita, nem que a morte seja física. 0x0 é escroto demais, pau no cu do 0x0, nem volei que é escroto tem 0x0.
Fora essas desgraça o outro time que não fez gol foi o Figueira. Por isso que tá na lanterna. Eu pra mim que o Figueira tava no memo niveo da Ponte, ataque forte e defesa triste. A Ponte fechou o gol com o maravilhoso Nego Bastos, mas o Figueira nem gol faz mais. Pra mim é a maior desepsaum do campeonato. 
Na contramão disso, achei que o Cruzeiro ia ficar bem abaixo desse quinto lugar, mas o efeito CELSO ROTH + PRIMEIRO TURNO não falha. Galo líder só é surpresa pra quem não viu o time sendo montado. E não teve nenhum gol OLÍMPICO na rodada, e esse país quer sediar Olimpíada, como que pode?
E daí vamo falar das crise. Sao Paulo x Flamengo era jogo pra ver quem ia se afundar (se empatasse afundavam os dois). E o Fla tomou bucha jogando mal. Tá feia a coisa na Gávea, se eu fosse o diretorZinho com certeza eu iria (se o juiz do jogo do Coxa pode terminar o jogo no meio de um contra ataque eu posso terminar o texto no meio também)
Mais bom da rodada: os 68643578 gols do Luís Fabiano né.
Mais ruim da rodada: 12 em campo do SPFC
Mais ou menos da rodada: Forlan estreou, mas vamo fingir que não, que é melhor.


Vilão especialmente convidado

Tolói fez um golaço, pena que ninguém estava vendo Foto: Globoesporte.com

José, @zenascimento

Olá, pessoal, como estão todos? O público dessa revista talvez não me conheça. Então, se quiserem saber mais sobre mim, twitter.com/zenascimento. Ali estão minhas credenciais (não recomendo). Mas vamos direto ao ponto: o El (Rodrigo Salvador) (como vocês devem ter percebido) e eu vamos escrever por aqui sobre o Brasileirão, a pedido do @portesovic.
Pois a DÔZIMA rodada foi muito boa, muito boa mesmo. Tivemos muitos gols, pena que a maioria foi em jogos que ninguém tava dando importância. Náutico x Coritiba e Atlético-GO x São Paulo tiveram, cada um, sete gols. O jogo do Dragão foi o da TV, mas quem se importa, não é mesmo? O Coxa ganhou, o El ficou feliz, mas devia ser só ele que estava vendo a partida. Quando o Grêmio duelou com o Náutico, eu só fiquei sabendo do resultado uns três dias depois.
Sobre Vasco e Botafogo só posso falar que o cruzmaltino erra ao tentar a contratação do Jonas e não do Gabriel, e que consegui devolver com sucesso uma camiseta comemorativa do Botafogo que tinha comprado esses dias. Achei que ela fosse linda, mas era apenas bagaceira. Não era amor, era cilada. Era bonita, branca com detalhes em celeste, 13 do Loco Abreu, nosso querido amigo uruguaio que hoje está passando frio e trabalha no Figueirense. Figueira, que por sua vez, usou um uniforme bizarro com detalhes (?) em dourado e perdeu outra no campeonato (que novidade), dessa vez pro SCI. Nem ia falar desse confronto, mas enquanto estava escrevendo passou o gol na TV, foi bem bonito.
Mas o JOGO DA RODADA, o JOGÃO DO MEIO DA SEMANA era mesmo Grêmio e Fluminense. Um jogo de seis pontos, que não mudaria muita coisa na tabela, mas que era desses jogos pra dar moral: o invicto contra o que vem em boa seqüência joga em casa apoio da torcida contra o Fred. Tem o Monero, tem o Gladiador, tem o 0berto, tem o Elano contra a Nívea Stelmann, contra o Abel, contra o uísque no frio, tem cobertor hmmm tá quentinhzzzzzzzZZzZzZZzZZZZZZzzzzzzZzzzz. Basicamente isso. 

Até foi um cotejo tenso, de bom nível, os times tavam organizados, bem postados em campo. Se defendiam muito bem e por isso tivemos pouca emoção relacionada a GOLS. Não fosse uma bobeira da quase perfeita defesa do Flu (oi?), teria ocorrido o PLACAR CELSO ROTH DA RODADA (0x0) (o que acabou sobrando pro jogo do Flamengo).
Na quinta, além do heroico 0x0 arrancado pela Lusa, ainda houve mais APERITIVOS do fim do mundo com a vitória do Bahia sobre o Palmeiras (com dois gols do Showza) e com uma nova vitória do Atlético Miligrama (MG), devolvendo-o à liderança do POLEIRÃO 2012. Mas aposto que isso vocês já sabiam. Só espero que tenham em mente a gravidade de todos estes fatos. Daqui a pouco até o Grêmio do Luxemburgo (oi?) tem chance de ser campeão.
O Troféu ELLEN ROCHE da rodada vai pro DRAGÃO GOIANO RUMO À LIBERTADORES: assou a batata do São Paulo pelo alto e surpreendeu as dez pessoas que assistiam à partida. Depois dessa rodada, o técnico do Atlético deveria ser o Péricles CHAMUSCA. 

Já o Troféu MARCANTÔNIO vai pro Vasco, pelos motivos ali do terceiro parágrafo, e pro Figueirense, que tá dando pinta de querer jogar o clássico catarinense ano que vem (na B). Ou talvez pra Ponte Preta x Sport, que até esqueci de mencionar.
Semana que vem não tem rodada do nacional, verificarei com o dono da casa se ele prefere um texto sobre os jogos brazucas na sula (Sul-Americana) ou uma resenha, coisa rápida, sobre o novo filme do Batman. Tchau.

*Nota do editor: faça uma resenha do Batman jogando a Sul-americana, José.


TF História: Ele é perigooooooooso, acabou!

Foto: Pase del desprecio
Lá em 1996, quando o futebol brasileiro ainda vivia o êxtase do tetracampeonato pelos pés de Romário, Bebeto e aquela turma lá, a expectativa era ganhar a primeira medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. 

Na fase de grupos, o Brasil perdeu do Japão por 1-0, venceu a Hungria e a Nigéria para avançar às quartas de final. Passando por Gana no primeiro playoff, a vitória de 4-2 serviu para dar moral aos comandados de Zagallo. O passo contra os Estrelas Negras foi importante e nas semifinais, novo duelo contra a Nigéria, que na primeira fase não foi boa o bastante. 

Em Athens, Georgia, uma tarde ensolarada foi o plano de fundo para mais uma possível vitória do Brasil. Possível. Do lado africano, alinhavam Dosu, Uche, West, Babayaro, Oparaku, Amunike, Kanu, Lawal, Okocha, Amokachi e Babangida. Dida, Aldair, Ronaldo Guiaro, Roberto Carlos, Zé Maria, Zé Elias, Flávio Conceição, Amaral, Bebeto, Juninho e Ronaldo eram os onze canarinhos para o duelo de semifinal.

Flávio Conceição não precisou nem de dois minutos para abrir o placar, numa bela cobrança de falta, acertando o canto do arqueiro Dosu. O gol inaugural não assustou os destemidos nigerianos, que logo nivelaram a peleja e partiram pra cima. 

Logo o passe envolvente das Águias Verdes dominou o meio campo e era questão de tempo para que o empate saísse. Babayaro, em lance de Robinho, pedalou na frente de Zé Maria e cruzou. Roberto Carlos tentou cortar e fez contra, para o desespero da torcida que já sentia que o abacaxi ia azedar de vez. 1-1. No banco de reservas, Zagallo fez cara de peru em fevereiro e pode ter pensado que “é, meu amigo, agora o bicho pega”.

Ronaldo, o fenômeno, ainda magrinho, foi quem reanimou o Brasil em campo. Disparando pela direita, ele cortou para o meio da área e finalizou. Dosu espalmou logo nos pés de Bebeto, que não teve trabalho para colocar o selecionado verde e amarelo na frente. Adquirindo o controle da situação, o esquete brasileiro ampliou o placar para 3-1 quando Conceição dominou um passe de peito por parte de Juninho e tocou por cima do guarda redes. Golaço. Rumo ao ouro, dizia Luciano do Valle. Estava empolgadão o Bolacha.

Na emissora do Plim Plim, Galvão Bueno adotou um discurso de zebra absoluta, na crônica pós-jogo. “Nunca foi tão fácil chegar numa final de Olimpíada“, levando em conta o resultado parcial na primeira etapa. Bem verdade, Galvão, mas se o futebol fosse só jogado em 45 minutos, muitas das belas e cruéis histórias que a gente cresceu ouvindo não aconteceriam.

Registre-se que o Brasil era sim favorito, mas essa talvez tenha sido a primeira lição e o primeiro castigo para a arrogância do futebol até então tetracampeão mundial. Aprendemos a entrar de nariz empinado e sermos sempre os melhores, não importa quem venha do outro lado. O chicote viria sem piedade nos 45 minutos derradeiros.

Juninho, impedido, fez o quarto gol, devidamente anulado. A Nigéria, pouco se importando com a sua fragilidade defensiva, se lançou ao ataque e infernizou a retaguarda brasileira, que estava aflita e complicando simples jogadas. Conceição faz pênalti. Okocha bate e Dida voa para defender. Estamos bem, pensou o torcedor. Sorte nunca falta aos campeões, um bom presságio. Ronaldo chutou na rede pelo lado de fora, e daí em diante, o filme virou um dramalhão. 

Aos 33, Ikpeba, o pequeno grande homem, completou contragolpe letal e arrematou forte para vencer Dida, num chute cruzado e sem chances. Se tratando de uma guerra entre Davi e Golias, Davi dava uma pedrada nos olhos do gigante. A primeira das traquinagens da tarde. 3-2.

44 do segundo tempo. Bola na área do Brasil. Quem é que sobe? A pelota pipoca na frente de três brasileiros, mas quem pega é o nanico Ikpeba, que toca para Kanu. O grandalhão, que em algumas regiões do nosso país seria apelidado de Tira coco sem vara, deu um drible desconcertante em Dida e empatou. 

Com o jogo praticamente ganho, a tão temida Seleção de Zagallo estava prestes a encarar o letal Gol de ouro. Gol de ouro. Gol de bronze. Oruma ajeita no peito e faz o lançamento longo. A bola bate nas costas de Ikpeba e sobra para Kanu. A seguir, palavras do próprio Galvão: KANU, ELE É PERIGOSO, ENTROU BATEU ACABOOOU. TERMIIINA O JOGO, TERMINA A SEMIFINAL, ACABA O SOOOONHO DE OURO BRASILEIRO!

Após o golpe final do grandalhão nigeriano, ficou a dolorosa lição de que o melhor também tem de fazer por merecer suas conquistas. Não à toa, essa Nigéria bateu na Argentina e se sagrou campeã olímpica pela primeira vez, com o mesmo requinte de crueldade. Levando gol logo no início e sacramentando a vitória no soar do gongo. 

O sonho do ouro segue distante. Em 2008, outra derrota na semifinal, desta vez para a Argentina de Messi e Agüero em Pequim. Mas isso é história para outro post…

De volta à Revista Total Seedorf Football‏

Foto: Globoesporte.com
Rodrigo Salvador, @novosomsalvador

O bom filho à casa torna, dizem. E pelo jeito o filho que só fala merda também, porque eu voltei pra TF. Ano passado o chefe Portes falou assim: “Sal, [obs: já falei que tenho dúvidas a respeito da orientação sexual de quem me chama de Sal ou Salva, mas isso é apenas uma obs] rola de escrever pra gente na TF sobre o Brasileirão?” Topei de boa. O que aconteceu? O Coxa empatou com o Bahia, 0x0. E é nesse clima ~revival~ que eu volto pra cá (re)começando os trabalhos com um “puta que la merda galera taloco” .


Mas na real que nada a ver começar falando do Coxa numa rodada que teve a estreia de SEEDORF NO BOTAFOGO. Tá, a gente fica sempre meio puto quando narrador/comentarista fica puxando saco da estrelinha do jogo, quando cada passe de lado é coisa de gênio. Mas duvido que quem viu o jogo não ficou pensando “porra, é o Seedorf mesmo, com patrocínio da Guaraviton nas costa e tudo“. É tipo você lá na praia jogando um futvolei honesto, aí do nada aparece o Eri Johnson pra jogar. Você até joga mas erra tudo porque tem que olhar pra pinta dele a cada 10 segundos pra se convencer que é ele ali mesmo.

Tá, agora eu imaginei o Eri Johnson tropeçando na bola com a 10 do Botafogo e tô gargalhando sozinho, já volto terminar esse texto.

Voltei. Pensei em falar da dança dos técnicos, aí imaginei Joel Santana, Argel, Falcão e Dorival Junior dançando de casalzinho numa festa junina. Eu não sei se foi aquela gelatina do almoço, mas ó as coisa que eu tô pensando, sério. Melhor esquecer os técnicos.

Na real que é melhor esquecer tudo. O evento mais foda do fim de semana foi meu time terminar em terceiro no campeonato interno aqui da empresa e MARCELO LIPATIN (AQUELE, ex-Coxa e Grêmio) ter sido o artilheiro do campeonato. Joguei o mesmo campeonato que o Marcelo Lipatin, eu sei exatamente como a galera se sentiu com o Seedorf no campo ontem.

Na próxima rodada, convido a todos os amantes das pequenas alegrias do futebol para assistir o duelo entre O HOLANDÊS SEEDORF DO MILAN e O SEXAGÉSIMO TERCEIRO MAIOR BRASILEIRO DE TODOS OS TEMPOS. Aliás, em que posição o Seedorf ficaria na eleição do maior holandês de todos os tempos? Fica a questão no ar para reflexão.

Apêndice:
O mais melhor da rodada: Não teve nenhum 0x0, assim que é bonito.

O mais pior da rodada: Marcantônio (voto padrão do josé), Jonas (voto padrão do El), o juiz de Ponte e Flu, puta cuzão.

O mais ou menos da rodada: Gente, o Seedorf jogou de verdade mesmo, quem já botou fé fala EU.


Rodrigo Salvador falará do Campeonato Brasileiro todas as segundas e terá a companhia de José (o Zé Nascimento) às quintas.


A hora chegou

Foto: Portal das notícias

Doze anos. 12. Douze. D-O-Z-E. DOZE. Foram doze anos sem uma conquista além das fronteiras estaduais. Na noite de 11 de julho de 2012, doze, douze, 12, D-O-Z-E, DOZE, o Palmeiras conquistou em cima do Coritiba a sua segunda Copa do Brasil. Com muito mais sofrimento do que diante do Vasco, no Troféu Rio-São Paulo lá em março de 2000, o alviverde imponente finalmente honrou a alcunha. Foram tempos dolorosos em que perdemos até (temporariamente, que se diga) o nosso lar no Parque Antártica. 

Se o destino ensinou a nós palmeirenses a termos sempre de esperar o apito final antes de comemorar qualquer glória que fosse, esse mesmo destino também fez a espera ser longa dessa forma para que cada segundo de festa fosse amplificado. Como se ao invés de uma, tivéssemos levantado dez taças como essa que Marcos Assunção exibe na foto acima. 
Era capricho demais comemorar antes das 21h50 um título que poderia muito bem escapar e ficar em Curitiba nas mãos de um competente Coxa. Sabíamos bem das nossas limitações e adversidades para a partida final no Couto Pereira. Sem Barcos, com Henrique supostamente febril, escalando Betinho na frente, prendendo a respiração com a lesão de Thiago Heleno e Luan no decorrer dos 90 minutos, tudo parecia se encaixar numa moldura de drama, nervosismo e superação. 
Fosse o Palmeiras a equipe realmente superior em campo, não teria armado o forte esquema defensivo e se visse refém dele para manter o resultado desejado. Fosse o Palmeiras uma equipe menos guerreira, certamente o 1-0 nos pés de Ayrton teria virado 2-0 e sabe-se lá quanto mais. Fomos valentes do início ao fim e a proposta de segurar o ímpeto do time da casa foi cumprida com louvor. Apaixonada, mesmo perdendo, a torcida palmeirense não demorou cinco segundos para começar a cantar o hino de peito aberto, além da canção que corre as arquibancadas seja onde for, em São Paulo ou no Paraná. 
Olê, olê, eu canto que sou Palmeiras até morrer/ Olê, olê, eu canto que sou Palmeiras até morrer, alegria/ Dá-lhe alegria, alegria no coração/ Daria a vida inteira pra ser campeão/ A Taça Libertadores é obsessão, tem de jogar com a alma e o coração, olê olê. 
Não seria um revés temporário que iria calar o orgulho alviverde, que foi posto à prova durante esses anos. Orgulho esse que nem deveria descansar, e sim permanecer inflamado no coração daqueles que derramam as suas lágrimas na vitória ou na derrota, no único casamento que nunca vai terminar em divórcio na vida de quem escolheu vestir essa camisa.
Sabendo da responsabilidade e da necessidade de ser campeão, Assunção caminhou para cobrar a falta decisiva tentando enxergar o destino final daquela bola. Muito provavelmente se surpreendeu ao perceber que Betinho, o renegado, o mais contestado, xingado em grande espaço de tempo pela torcida, subiu para desviar e empatar a finalíssima. Era o mais claro sinal de que o patinho feio também pode ser o salvador da pátria.
Alguns quinze minutos depois e já era inevitável soltar o grito, controlar a emoção. A hora chegou, meus amigos. Enrolados em bandeiras, batendo no peito de seu manto alviverde, branco, esmeraldino, verde-limão, até mesmo o azul, a gente pula, se esmurra, grita até perder a voz, fica sem ação, olha para os céus e tenta agradecer qualquer força que tenha sido responsável por mais esse momento de alegria, que específico como essa Copa do Brasil, demorou meia vida pra chegar outra vez. 
E aí a gente lembra de quando era criança e se acostumou a desfilar as glórias por aí. Cresce, vira adulto e nada de acontecer outra vez. Lidando com frustrações, decepções e feridas que pareciam insuperáveis, passamos por 2002, 2009, 2011 e ainda estamos aqui, cantando a mesma canção, vestindo as mesmas cores. Não sei como se sente quem desistiu de você, Palmeiras. Da minha parte, só posso dizer que todo esse tempo agora não significa mais nada. Hoje acordei campeão, amanhã também vai ser assim. 
Daqui pra frente quero te ver assim. Pode faltar técnica, pode faltar jogador, pode até faltar referência. Mas nunca deve faltar coragem e vontade. Se precisar, espero outra vida pra te ver campeão de novo. Só pra poder me sentir feliz igual ontem, com o meu sorriso de volta por um bom motivo. Nem quero pensar em como seria minha vida se não te amasse, só poderia ser desse jeito. A gente sofre, chora, mas no fim tudo vale a pena, se for com a alma e o coração.

Joga, Coritiba

Foto: Band

Ana Claudia Cichon, @anacichon

22 pares de pernas e uma bola. É só isso que os meus olhos vão enxergar a partir das 21h50 desta quarta-feira. Os meus e os dos mais de 30 mil coxas-brancas que estarão no Couto Pereira, plenos, idealizando o título que bateu na trave no ano passado.
Desde o fim do jogo contra o São Paulo, quando garantimos nossa vaga na final, eu fecho os olhos e só uma imagem vem a minha cabeça: Tcheco levantando a taça. É estranho até. Tcheco nunca foi ídolo pra mim. Na primeira passagem pelo Coxa era um jogador que eu admirava pelo toque de bola, pelo domínio, pela postura em campo, mas nada além disso. Quando voltou, em 2010, eu xinguei: “Não fez nada no Corinthians, tá velho…”. Queimei a língua. Tcheco voltou em grande estilo, trazendo inteligência para o nosso meio campo. E, de uma forma que eu realmente não sei explicar, hoje ele é a razão para eu acreditar que o Coxa merece esse título.
De uma amiga que esteve na coletiva do time ontem ouvi que o meia está confiante. Que com brilho nos olhos garantiu que vai dar tudo certo. “Juro”, ele falou.
Não precisas jurar não, Tcheco. Só olha no fundo dos olhos de cada um que entrar em campo hoje, com toda essa sua imponência de líder, e diz que dá. Que o Coritiba é grande, que eles podem e devem lutar. Com orgulho. Com força. Com raça. Com fé. Com a alma guerreira.
Um gol. Foi isso que faltou em 2011. E pode ser isso que falte hoje também. Foi dolorido perder sem ter realmente perdido. E hoje, talvez, seja dolorido ganhar sem ter realmente ganhado.
Joga, Coxa. Joga por e para sua torcida. Joga por aqueles que não te viram conquistar o Brasil em 1973 e 1985. Joga por quem não viu Fedato, Kruger, Jairo, Oberdan, Nilo, Lela e tantos outros. Joga por estes e por todos que foram e são ídolos eternos. Joga por uma vitória alegre, sem dor. Joga pra fazer a festa acontecer no gigante de concreto armado. Joga para o mundo inteiro ver o que eu vejo quando fecho os olhos. Joga pro Tcheco levantar a taça no lugar mais alto no nosso Alto de tantas Glórias.