O Boca Juniors que esperou 40 anos para se vingar do Santos

Certas revanches são esperadas por anos ou décadas a fio. O Boca Juniors esperou 40 anos para poder dar o troco no Santos em uma final de Copa Libertadores. E a vingança foi com pompa, elevando aos céus a vitoriosa geração de Carlos Bianchi.

Nos anos 1960, um fenômeno chamado Pelé passeou pela América e fez do Santos uma potência bicampeã da Libertadores em 1962 e 63. O adversário do Peixe na segunda conquista continental foi o Boca Juniors de Marzolini e Sanfillippo, com duas vitórias. A grande expectativa do Boca foi frustrada por uma atuação magistral dos alvinegros, que colhiam os frutos de uma equipe pronta para vencer qualquer adversário do planeta.

Até que o Boca se recuperasse da derrota e tivesse outra equipe disputando a final da Libertadores, foi uma longa espera. Em 1977, os xeneizes venceram o Cruzeiro e levantaram a taça pela primeira vez. No ano seguinte, novo triunfo na decisão contra o Deportivo Cali. O tri quase veio em 1979, mas o Olímpia resolveu subir o nível e impediu a façanha boquense.

O Santos, por outro lado, decaiu quando se viu sem Pelé e voltou a uma final apenas em 2003, empurrado pelos novos Meninos da Vila: Diego, Robinho, Elano, Renato, Léo, Ricardo Oliveira, Alex e André Luiz eram treinados por Emerson Leão, o cara que apostou altas fichas na molecada em 2002, conseguindo o título brasileiro em cima do Corinthians. Mas o jogo havia virado. Se em 1963 o Santos despontava como o time mais temido dessas bandas, quarenta anos depois era o Boca de Carlos Bianchi que tomava conta do pedaço.

Ainda que com algumas alterações, o Boca chegava como favorito. O bicampeonato em 2000 e 2001 eternizou os jogadores que encerraram o jejum de mais de vinte anos sem o caneco na competição. Do esquadrão campeão em 2001 contra o Cruz Azul, voltaram Ibarra, Clemente Rodríguez e Delgado. Battaglia (reserva em 2001 e titular em 2003) e Villarreal eram outros remanescentes. A principal perda era Riquelme, que saiu em 2002 para acertar com o Barcelona. Fora isso, Bianchi conhecia o caminho para o título.

Caminhos cruzados

Não foi a coisa mais fácil para o Santos chegar até a decisão. Superando o Nacional, o Cruz Azul e o Independiente Medellín, o Peixe cresceu depois de fazer uma primeira fase encantadora. Robinho e Diego chamavam a atenção de toda a América com atuações individuais de gente grande. Já o Boca, só perdeu para o Paysandu em casa, nas oitavas, mas foi buscar o resultado em Belém e disparou, superando o Cobreloa e o América de Cali com facilidade.

A decisão, em dois jogos, teve seu primeiro capítulo na Bombonera, o alçapão que engolia adversários despreparados e trazia à tona a intimidação da mais fervorosa entre todas as torcidas argentinas. Depois da derrota histórica para o Paysandu dentro de seu caldeirão, o Boca não repetiu o vacilo até o fim do campeonato.

Delgado, inspirado, resolveu o jogo para os argentinos em Buenos Aires. Com dois gols, o atacante deixou o seu time muito perto do penta. O Peixe bem que reagiu no fim, mas uma série de falhas individuais e a expulsão de Reginaldo Araújo foram punidas com o segundo gol de Delgado, em lance de oportunismo.

Os últimos noventa minutos

O Santos, muito por contar com suas jovens estrelas, não desistiu logo de cara. E apresentou-se no Morumbi com esperanças renovadas para tentar devolver o resultado em 2 de julho de 2003. Com um bom público de 73 mil pessoas, a equipe santista foi buscar uma reação histórica. E a julgar pela postura nos minutos iniciais, dar o troco era bem possível. O Boca precisou se segurar firme para não levar nenhum gol no primeiro tempo.

Um pênalti não marcado em Diego, na primeira etapa, irritou o Santos. Os comandados de Leão seguiram martelando a defesa do Boca em busca de uma falha que pudesse abrir o placar. Mas ela não veio. E pior: Tévez fez o primeiro gol da noite, em tabela fantástica com Battaglia dentro da área. A atmosfera do Morumbi deixou de ser positiva e foi encoberta por vaias, enquanto o Boca lentamente dominava as ações. Assim como havia feito com o Palmeiras em 2000 e 2001, Bianchi foi buscar a taça em cenário extremamente hostil e favorável ao seu rival.

Estarrecida, a torcida alvinegra acompanhava a queda do sonho do tri, com a dupla mais estimada na Vila Belmiro depois da Era Pelé. Os 45 minutos finais da edição de 2003 da Libertadores foram recheados de tensão e ansiedade. O Boca só precisava segurar o resultado e comemorar dentro do Morumbi. Restando quinze para o fim, Alex acertou um chute do meio da rua e pegou Abbondanzieri desprevenido para empatar. O Santos acreditava outra vez. Lançado ao ataque, o Peixe não podia esperar que outro erro defensivo custasse toda a campanha.

Em contragolpe fatal, Delgado recebeu isolado no campo de ataque, se aproveitou de uma saída ruim de Fábio Costa e cutucou da intermediária para o gol livre. O mesmo Fábio Costa ainda cometeu pênalti em Jerez, já nos acréscimos. Schiavi bateu no meio e fez o último gol da noite. Boca pentacampeão da Libertadores, em seu último triunfo com Carlos Bianchi. Fatal como sempre, o esquadrão azul y oro coroou seus heróis e se despediu do treinador que o fez chegar ao topo do mundo duas vezes.

O Boca ainda bebeu da fonte da Geração 2000 em 2007, quando repatriou Clemente, Riquelme e Ibarra para conquistar a Libertadores em cima do Grêmio, por 5 a 0 no agregado. Mas neste título, o comandante era Miguel Ángel Russo, não mais Bianchi. Três lendas do Boca ainda foram para a final de 2012: Riquelme, Clemente e Schiavi, envelhecidos demais para trazer resultados gloriosos, foram derrotados pelo Corinthians de Tite no Pacaembu, por 2 a 0.

Um pensamento em “O Boca Juniors que esperou 40 anos para se vingar do Santos”

  1. Era terrivel enfrentar este Boca de Biach que mesmo sem o astro Riquelme como na decisao de 2003 esse time fazia medo em qualquer time do planeta. Foi assim com os brasileiros na Taca Libertadores: Palmeiras, Vasco, Paysandu, Santos e Gremio. O River Plate tambem fora um grande vitima neste periodo. O que e interessante tambem notarmos e o fato de o Boca bater de frente contra os gigantes do futebol europeu na final do Mundial Interclubes: Real Madrid (2000) e Milan (2003),onde o esquadrao de Bianch fora campeao mundial, porem diante do Bayer em 2001 de O. Kahn, G.Elber e Kuffour (o heroi) estes sim conseguiram enfim vencer o Bicho Papao de La Bombonera, o que nao tira de maneira nenhuma os grandes feitos do Boca de Bianch, Riquelme, Ibarra, Schiavi, Cagna, Scheloto, Palermo, Delgado, C. Tevez e cia entre 2000-2003.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *