Karl-Heinz Riedle: o homem certo, na hora certa

A noite inspirada de Riedle valeu ao Dortmund o tão sonhado título europeu em 1997, contra a Juventus. Campeão mundial com a Alemanha em 1990, atacante voltou do futebol italiano para mudar a história dos aurinegros.

A carreira de Karl-Heinz Riedle estava na reta final quando ele teve a chance de assinar com o Borussia Dortmund, em 1993. Vindo de passagens frutíferas por Augsburg, Blau-Weiss Berlin, Werder Bremen e Lazio, o atacante de 28 anos chegou à Vestfália com bom histórico de goleador.

Apesar de não desfrutar da fama e reconhecimento de caras como Jürgen Klinsmann e Rudi Völler, seus principais concorrentes no ataque da seleção da Alemanha, Riedle foi um jogador muito eficiente por onde passou, sendo campeão alemão pelo Werder e parte do elenco que faturou a Copa do Mundo em 1990. Titular da Alemanha na Euro-92, foi o principal nome da equipe na semifinal contra a Suécia, marcando duas vezes. Entretanto, na final, os alemães caíram aos pés da surpreendente Dinamarca.

Riedle, que estava desde 1983 pavimentando o seu caminho até o estrelato, era uma aposta segura para o Dortmund, que via nele o seu reforço ideal para tentar se recuperar da derrota na final da Copa Uefa de 1993, para a Juventus. Para o atacante, deixar a Lazio era uma forma de recuperar a confiança, abalada por uma temporada ruim na Itália. Ao seu lado, no Dortmund, estava o suíço Stephane Chapuisat, outro centroavante que desempenhava com louvor o papel de matador da pequena área. A parceria tinha tudo para dar certo. E deu.

Máquina mortífera?

Apesar do aspecto promissor da dupla, Riedle não se firmou de imediato, marcando apenas quatro gols em sua temporada de estreia. Chapuisat, por outro lado, encaixotou 21 tentos e impulsionou a boa campanha do clube. O Dortmund ficou em quarto na tabela e parou nas quartas de final da Copa Uefa de 1993-94, eliminado pela Internazionale.

Sob o comando de Ottmar Hitzfeld, o Dortmund evoluiu bastante e dominou a Alemanha, ficando com o título da Bundesliga. A disputa intensa com o Werder Bremen, ex-clube de Riedle, foi definida por apenas um ponto na tabela final: 49 do Borussia contra 48 do Werder. Karl-Heinz balançou as redes 12 vezes ao longo da temporada, pouco para alguém que vinha sendo tão letal. Faltava algo para que Riedle se reencontrasse com seu melhor futebol?

O Dortmund ficava mais perto de seu objetivo. Semifinalista da Copa Uefa de 1994-95, parou novamente na Juventus, algoz na final da edição de 1993. A história de rivalidade entre eles ainda teria um terceiro capítulo, no maior palco do futebol europeu. Com o bicampeonato alemão em 1996, os pupilos de Hitzfeld ganharam mais força no cenário internacional. Não eram mais novatos e estavam preparados para os grandes desafios.

Mais problemas para Chapuisat e Riedle. Um rodízio de atacantes quase colocou tudo a perder: os dois titulares dividiram espaço regularmente com o uruguaio Rubén Sosa e o grandalhão Heiko Herrlich. O resultado foi que nenhum dos quatro se destacou, já que o plano de Hitzfeld era consolidar o coletivo. A frustração maior naquele período foi a derrota para o Ajax, nas quartas de final da Champions, com duas vitórias holandesas nos confrontos de ida e volta.

A hora de Kalle

Na ponta dos cascos, Riedle, aos 31 anos, se preparava para ter a sua hora. Em 22 jogos na campanha, somando Bundesliga e Liga dos Campeões, Karl-Heinz estava sendo discreto, guardando o melhor para o fim. Foram apenas nove gols e ele sequer tinha presença garantida no time titular, disputando com Herrlich o posto de parceiro de Chapuisat. Na Champions, havia marcado contra o Steaua Bucareste e o Auxerre, pelas quartas de final. Contra o Manchester United, na fase seguinte, jogou apenas a partida de volta, em Old Trafford, decidida com um gol de Ricken.

Hitzfeld confiava no seu camisa 13 para o reencontro com a Juventus. Em 28 de maio de 1997, Riedle entrou jogando ao lado de Chapuisat e fez história. Em um jogo duríssimo, o atacante marcou presença e disparou duas vezes para as redes juventinas em um intervalo de cinco minutos. Aos 29 e aos 34, a Juve agonizava com os contragolpes letais do Dortmund.

Inspirado, Riedle abriu o placar recebendo um bolão de Lambert, matando no peito e fuzilando Peruzzi. E ampliou o marcador de cabeça, após escanteio cobrado com perfeição por Möller. Era tudo o que ele precisava para se consagrar. No segundo tempo, a Juve diminuiu com Del Piero, mas não foi suficiente. Sem demora, a resposta veio com o talismã Ricken, que havia entrado há pouco no lugar de Chapuisat. Em seu primeiro toque na bola, o jovem viu Peruzzi adiantado e mandou por cobertura, fechando a conta.

Riedle completava a sua missão no futebol, levando o Dortmund ao topo da Europa. Vendido ao Liverpool meses depois, o centroavante sequer teve a chance de vencer o Intercontinental, em novembro, contra o Cruzeiro.

Em Anfield, os problemas de adaptação e a reserva mexeram com o ânimo do alemão. Incapaz de ofuscar a estrela de Michael Owen, amargou duas temporadas e meia sem se destacar, até assinar sua transferência para o Fulham, em 2000. Um ano depois, em 2001, se aposentou, atormentado por lesões no pescoço, fez apenas um gol em 14 jogos, no retorno dos Cottagers à Premier League.

O seu auge coincidiu com o grande momento da história do Borussia Dortmund, quatro anos antes, naquele clássico em Munique, contra a Juventus. Para quem matou no peito a responsabilidade de ganhar um campeonato europeu, não havia muito mais o que almejar. Ele já tinha feito bem mais do que o esperado.

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