Toni Polster: A façanha do goleador rebaixado por clubes rivais

Veterano goleador austríaco estava na fase final de sua carreira quando passou por Colônia e Borussia M’Gladbach. Apesar de ser lembrado pela grande fase nos Bodes, saiu do clube com um rebaixamento no histórico. Um ano depois, passou pela mesma situação quando mudou de lado para defender o Gladbach.

Toni Polster já era uma referência mundial em gols quando chegou ao futebol alemão em 1993, para assinar com o Colônia. Revelado pelo Austria Viena, em 1982, o atacante marcou época como um dos camisas 9 mais notáveis da Europa. Apesar de nunca ter defendido uma equipe grande no cenário internacional, Anton era respeitado por seu trabalho e cultuado pelos mullets que usou até o fim de sua carreira.

A primeira experiência de Toni fora da Áustria foi pelo Torino, em 1988. E ele respondeu bem, com 10 gols, mas acabou cedido para o futebol espanhol. Boas temporadas por Sevilla, Logroñés e Rayo Vallecano credenciaram o centroavante  para tentar a sorte na Bundesliga, dominada por Bayern de Munique e Borussia Dortmund na década de 1990.

Com 30 anos de idade, Toni chegava ao Colônia com uma participação em Copa do Mundo no currículo, sendo o camisa 9 da Áustria no Mundial da Itália. Ele esperou mais oito anos para ir a outro torneio deste porte, somente em 1998, novamente como grande esperança austríaca. Por clubes, Polster entregou sempre mais de 10 gols por temporada, nos cinco anos em que esteve com a camisa dos Bodes.

A melhor marca dele foi em 1996-97, com 21 tentos, ajudando a equipe a ficar em décimo lugar na tabela. Parecia que 1997 traria bons ventos, mas o destino seguiu o caminho contrário para Toni e seus companheiros. Em 1997-98, no entanto, a temporada acabou com um gosto terrível.

Pouco competitivo, o Colônia não conseguiu ter consistência e perdeu 18 de seus 34 jogos na Bundesliga. A campanha acabou com o penúltimo lugar, levando os Bodes a um rebaixamento inédito depois de anos medíocres. Apesar de ter reagido na reta final e alcançar o 12º lugar, o time treinado por Peter Neururer se encontrou em uma lenta recaída, até voltar para a 16ª posição restando duas partidas para o fim. O declínio na hora H foi crucial para o desastre.

Polster, que havia anotado 13 gols, saiu de cena como o grande astro do plantel, mas ficar pelo sexto ano consecutivo e disputar a segunda divisão definitivamente não estava nos planos do austríaco, que acenava como o ídolo em despedida. O Colônia, por outro lado, demorou alguns anos para retornar à elite, apenas em 2000, iniciando um período oscilante entre as duas divisões. Desde então, foram mais quatro quedas até o retorno definitivo, em 2014.

A outra queda

Depois de marcar apenas um gol na Copa de 1998 e ver o seu país ser eliminado ainda na primeira fase, Toni deixou de ser convocado pela Áustria e mudou de lado para assinar com o rival do Colônia, o Borussia M’Gladbach, que acabara de perder o seu meia e capitão Stefan Effenberg para o Bayern de Munique.

Grisalho, aos 35 anos e com limitações óbvias de movimentação, Polster vestiu a camisa 10 do Gladbach. As coisas não iam bem e com pouco menos de três meses na temporada 1998-99, o técnico Friedel Rausch foi demitido após uma goleada sofrida por 7 a 1 contra o Wolfsburg, em novembro. O time era carente de criação, uma peneira na defesa e não tinha grandes referências. Coube a Toni fazer o papel de âncora.

Lenda do clube, Rainer Bonhof assumiu o posto e tentou recuperar a confiança de seus jogadores. Não foi suficiente. Em onze partidas, o Gladbach sofreu oito derrotas, conseguiu dois empates e só venceu na estreia, contra o Schalke. Polster seguia firme no posto de goleador, embora seu esforço fosse frustrado pela péssima forma da defesa. A crise já havia afundado qualquer esperança: os onze gols de Toni não fizeram frente aos 79 sofridos lá atrás até a última rodada.

Os vexames não pararam por aí, incluindo um 8 a 2 contra o Leverkusen e um 4 a 2 contra o Hertha. O ponto alto foi a vingança contra o Wolfsburg, por 5 a 2, no Borussia Park, o que de forma alguma serviu de consolo no trágico período que antecedeu o descenso. Foram apenas quatro vitórias e incríveis vinte e uma derrotas. O Borussia ocupou a lanterna pela primeira vez na nona rodada e não conseguiu sair mais de lá. Ao final da campanha, eles terminaram com oito pontos a menos que o Bochum, que estava na penúltima colocação. Um desempenho terrível, sem dúvida.

A ironia

Era o fim da linha para Polster na Alemanha. No passado, ele era conhecido como “Toni Doppelpack” (Toni dobradinha, em tradução livre), por sua aptidão para marcar dois gols em uma mesma partida. A ironia é que ele não fez dobradinhas só ao balançar as redes, mas conseguiu um feito negativo raríssimo: ser rebaixado duas vezes seguidas por clubes rivais.

Abaixo, um pouco dos melhores gols de Polster e a sua empreitada como vocalista de uma banda ruim de rock, a Toni Polster & Die Fabulösen Thekenschlampen.

Um pensamento em “Toni Polster: A façanha do goleador rebaixado por clubes rivais”

  1. Temos no futebol brasileiro o Felipe, goleiro TETRA REBAIXADO, sendo duas vezes com o Vitória, uma vez com o Corinthians e uma vez com o Figueirense.

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