O ano em que Klinsmann ganhou a Copa Uefa para o Bayern

Em grande fase, Klinsmann foi o artilheiro absoluto da Copa Uefa em 1996, carregando o Bayern até a final com incríveis 15 gols no torneio. Mesmo com um ambiente ruim nos vestiários, o atacante perseverou e abriu caminho para capitanear a Alemanha campeã europeia de 1996.

As coisas foram excelentes para Jürgen Klinsmann em sua primeira temporada pelo Bayern de Munique. Contratado após um ótimo ano pelo Tottenham, o alemão voltou a jogar em seu país natal em grande momento. Ninguém duvidava do potencial artilheiro de Jürgen, que aos 31 anos, ainda sabia fazer gols como poucos centroavantes no futebol mundial.

O veterano, que chegou para completar um time redondinho de Otto Rehhagel, começou mostrando seu valor. O treinador dispunha de um elenco fortíssimo para a temporada, a expectativa era alta, mas o Bayern só respondeu mesmo na Copa Uefa. Até em virtude disso, Rehhagel acabou demitido antes de completar a jornada, dando lugar a Franz Beckenbauer, que ficou com os louros da vitória no torneio europeu.

Apelão, Klinsmann fez mais de dois gols em cinco ocasiões na Copa Uefa

Se na Bundesliga o número de gols de Klinsmann já era alto, que dirá então para um campeonato de mata-mata. A marca assombrosa de 15 gols em 12 partidas impulsionou o avanço dos bávaros, fase após fase, derrubando adversários complicados ao longo do caminho. A estreia, contra o Lokomotiv Moscou, mostrou que a equipe de Otto não estava tão afinada. Uma derrota por 1 a 0 em Munique acendeu o sinal de alerta. Entretanto, no jogo de volta, o placar elástico de 5 a 0 foi a reação ideal para o momento. Klinsmann fez os dois primeiros para colocar o Bayern na fase seguinte.

Para se ter uma ideia do que era aquele promissor Bayern, vamos aos jogadores notáveis do plantel, setor por setor: o goleiro era Oliver Kahn. Na defesa, Markus Babbel, Thomas Helmer e o líbero Lothar Matthäus, além de Christian Ziege. No meio, Mehmet Scholl, Ciriaco Sforza, Alain Sutter, Dietmar Hamann, Thomas Strunz e Andreas Herzog. Ao lado de Klinsmann, Jean-Pierre Papin, Emil Kostadinov e Alexander Zickler se revezavam. Mas nenhum dos delanteiros conseguiu alcançar a marca de Klinsi, que estava bem acima da média. O vice-artilheiro na temporada foi Scholl, com 15 gols, 16 a menos do que Jürgen.

A segunda fase reservou um confronto mais tranquilo para o Bayern, contra o modesto Raith Rovers, da Escócia. Com duas vitórias (2 a 0 e 2 a 1, com três de Klinsmann), os germânicos avançaram para encarar o Benfica. Valia muita coisa, apesar da partida ser pelas oitavas de final. De maneira fascinante, o Bayern envolveu os Encarnados e somou duas boas vitórias para completar um agregado de 7 a 2. Em Munique, Klinsmann anotou os quatro gols da vitória por 4 a 1.

Um artilheiro completo

De cabeça, por cobertura, driblando, apenas finalizando, Jürgen fazia de tudo. A capacidade de marcar somada ao oportunismo casaram muito bem ao jogo do Bayern, tradicionalmente de muita força e toque de bola. Os meias mais habilidosos como Scholl e Sforza favoreciam o estilo de Klinsmann lá na frente, carregando a bola até a área para criar chances. A velocidade e os reflexos também colaboraram para que Klinsi fosse letal quando tocava na bola.

O Benfica levou outra surra em Lisboa, por 3 a 1. E Klinsmann deixou mais dois, disparando na tabela de artilharia, chegando a 11 gols, antes mesmo das quartas de final. A frequência diminuiu depois disso, mas o Bayern já estava forte e revigorado para a sequência da Copa Uefa. O rival nas quartas, então, foi o Nottingham Forest, que estava longe de representar qualquer perigo: outro 7 a 2 no agregado, ingleses eliminados sem a menor chance, com direito a goleada sofrida por 5 a 1 no City Ground e um golaço de Klinsmann, de voleio.

Para a fase semifinal, a coisa engrossou. O Bayern pegou ninguém menos que o Barcelona para decidir sua vida até a decisão. Bem marcado, Klinsmann passou em branco nos dois jogos pela primeira vez na campanha, enquanto Witeczek e Scholl ficavam responsáveis pelos gols alemães. Outra vez, um resultado ruim em casa preocupou a torcida. Com um empate em 2 a 2 contra aquele elenco de Hagi, Guardiola e Figo, o Barça levou certa vantagem para o confronto no Camp Nou.

Uma brava vitória por 2 a 1 do Bayern serviu para a classificação, abrindo dois gols de vantagem com Babbel e Witeczek. De La Peña diminuiu, mas não foi o bastante para os catalães, que precisavam de mais um para levar até a prorrogação. Chegava a hora da final. E o rival foi o Bordeaux de Lizarazu, Zidane, Witschge e Dugarry. Não houve uma disputa tão justa, já que o Bayern dominou desde o começo, sob o comando de Franz Beckenbauer. Rehhagel, que tinha rusgas públicas com Klinsmann e a antipatia de grande parte do elenco bávaro, foi demitido quatro dias antes da decisão contra os franceses.

Zidane, a esperança dos girondinos, ficou de fora da primeira partida e não pôde evitar a derrota na Alemanha, por 2 a 0. Eficiente e agressivo, o Bayern tomou conta e logo construiu sua vantagem. Aos 34, Helmer abriu o placar. Scholl fechou a conta no segundo tempo, em um golaço de pura velocidade. Com uma missão delicada para o jogo de volta, no Parc Lescure, o Bordeaux tornou a escalar Zidane e foi para o tudo ou nada.

Klinsmann, que já não marcava desde o encontro com o Forest, nas quartas, balançou as redes para colocar a cereja no topo do bolo. O Bordeaux bem que tentou resistir, mas acabou abrindo a porteira na segunda etapa, com gols de Scholl e Kostadinov. Dutuel diminuiu, de falta, mas dois minutos depois, Klinsmann apareceu para assegurar o título europeu do Bayern, desviando um chute de Strunz no meio da área.

Os bávaros conquistavam pela primeira e única vez a Copa Uefa. Klinsmann, com 15 gols, deixou a concorrência comendo poeira. Ele jogou todos os minutos da competição, de cabo a rabo, até a final, sem sequer ser substituído. Na tabela da artilharia, o segundo nome é o de Ronaldo, pelo PSV, com apenas seis. E não há dúvidas de que Jürgen foi o grande craque daquela competição, pois nenhum foi tão importante e tão regular quanto ele.

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