A Fiorentina de Amarildo e De Sisti que conquistou a Itália pela última vez

Em 1969, a Fiorentina conquistava seu último título da Serie A. Vencendo a batalha contra o Cagliari, que estava em seu auge, a equipe de Florença contou com a inspiração de Amarildo e De Sisti para levantar seu segundo scudetto.

A Itália estava em evidência no cenário internacional dos anos 1960. Com três títulos na Copa dos Campeões (Internazionale e Milan) e a vitória na Eurocopa de 1968, o futebol no país estava prosperando. Mas na transição para os anos 1970, quem mandou na Serie A não fazia parte do grupo de potências históricas como Inter, Milan e Juventus. A Fiorentina se juntou aos campeões daquela década com uma campanha firme, que deixou saudades.

Treze anos antes, em 1956, a Viola descobria o gostinho de estar no topo do país, sendo a única intrusa nos títulos dos três gigantes nacionais. Com outras peças mais novas e a presença de Amarildo, o Possesso, a Fiorentina de 1968-69 contava com o jovem treinador Bruno Pesaola para chegar à glória. O comandante argentino havia conduzido o Napoli até o troféu da Copa da Itália em 1962. Mas o seu grande trabalho certamente foi aquele esquadrão violeta.

O ataque da Fiorentina, com Amarildo e Mario Maraschi, era um dos mais fatais da Liga. Apesar do artilheiro da Serie A ter sido o grandioso Gigi Riva, do Cagliari, com 21 tentos, a dupla da Viola decidiu, mesmo não participando efetivamente de todas as 30 rodadas. Maraschi tomou a frente na artilharia do elenco, com 14 gols, seguido por Luciano Chiarugi, com sete, e Amarildo, com seis.

Os homens de violeta

De Sisti: o pequeno capitão que esteve em campo do início ao fim da campanha

Para alcançar a façanha do título, a Fiorentina começou superando a Roma, fora de casa, pelo placar de 2 a 1. Para Giancarlo De Sisti, capitão e líder técnico dos violetas, o duelo trazia um histórico particular. Em 1965, ele deixou a equipe giallorossa para virar ídolo na Toscana. Campeão europeu com a Itália em 1968, o baixinho estava com muita confiança para reger o seu time até o topo da tabela.

Alguns tropeços tiraram a Fiorentina do caminho do título. Com três empates (Cagliari, Milan e Vicenza) e uma derrota para o Bologna, em Florença, os comandados de Pesaola foram parar na sétima colocação. A reação foi imediata: quatro triunfos a partir da rodada 7, diante de Sampdoria, Inter, Verona e Napoli. Embalada, a Viola se apresentou como séria candidata ao scudetto, alternando entre a segunda e a terceira colocação.

Sem perder mais nenhum confronto, mesmo contra os favoritos, a Fiorentina segurou a barra jogando bem e com consistência. O prêmio veio na rodada 21, quando bateram o Vicenza em casa por 3 a 0, na melhor atuação coletiva e ofensiva da temporada. Como o Cagliari perdeu em casa para a Juventus, o pessoal de Florença teve a chance de ultrapassar. O equilíbrio ficou claro entre Cagliari e Viola, com dois empates em 1 a 1, e a disputa se tornava mais emocionante a cada rodada.

Para consolidar o status de favorita na reta final, a Fiorentina passou por Inter, Napoli e Juventus, sendo o último por 2 a 0, gols de Chiarugi e Maraschi. O clássico com os juventinos, na penúltima rodada, selou o desfecho feliz para os violetas. O Milan, que vinha logo atrás, só empatou em 0 a 0 com o Napoli e permitiu que os líderes abrissem vantagem de três pontos, restando apenas o duelo final, quando De Sisti, Amarildo e seus companheiros pegavam o fraco Varese em casa. Claudio Merlo, Chiarugi e Amarildo balançaram as redes para assegurar o título e uma convincente vitória por 3 a 1.

Naquele time que entrou jogando contra o Varese e se despediu da jornada com a faixa e a taça, eram estes os jogadores: Superchi, Rogora, Brizi, Mancin, Ferrante, Esposito, Merlo, De Sisti, Amarildo, Chiarugi e Maraschi. A campanha teve muitos empates, mas tirando o Bologna, ninguém conseguiu vencer a Fiorentina. Ao todo, a Viola se sagrou campeã com 16 vitórias, 13 empates e apenas um revés.

O mais perto que a Fiorentina chegou de repetir o feito foi em 1982, em batalha árdua contra a Juventus. A decisão, na última rodada, viu os turinenses levarem a melhor contra os rivais na tabela. Em casa, a Viola não foi capaz de vencer o Cagliari, enquanto a Juve batia o Catanzaro. Como a circunstância envolveu marcações polêmicas contra a Fiorentina, criou-se um clima muito hostil entre as duas torcidas, rivalidade que perdura três décadas depois.

A nostalgia que envolve a Fiorentina de 1969 se explica sobretudo pelo fato daquele ter sido o último grande time vencedor que o clube teve. Nem mesmo o alto investimento nos anos 1980 e 90 implicou no sucesso daquela equipe de De Sisti. Foram mais três títulos da Copa da Itália (1975, 96 e 2001), mas brigar por outro scudetto, mesmo, faz parte do passado dentro da realidade que a Viola vive.

Não faltaram ídolos desde então: Gabriel Batistuta, Rui Costa e Giancarlo Antognoni estão aí para provar isso. Por outro lado, tantos outros craques falharam na missão de devolver a Fiorentina ao grupo dos campeões. Quem sabe com novos ares os gigliati tornem a ocupar um posto mais competitivo dentro da Itália. A espera já dura quase 50 anos.

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