A bizarra relação entre discos dos Beatles e finais europeias do Celtic

Em duas ocasiões, o Celtic disputou o principal título europeu dias antes do lançamento de discos importantes dos Beatles. Em 1967 e 70, a banda mais famosa do mundo lançou “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e “Let it Be”, enquanto os escoceses enfrentavam Internazionale e Feyenoord, respectivamente, pela final da Copa dos Campeões Europeus.

O ano de 1967 é importante por alguns bons motivos na história da humanidade. Entre os acontecimentos mundialmente notáveis, estão a morte de Che Guevara, o início da Guerra dos Seis Dias (entre Israel, Síria, Egito e Jordânia) e o golpe militar que originou uma ditadura de dez anos na Grécia. O mês de maio de 1967, em especial, teve outros dois eventos impactantes: o lançamento de um disco dos Beatles e o título europeu do Celtic.

A grande coincidência aqui neste caso, é que Sgt. Pepper’s foi lançado oficialmente em 26 de maio de 1967, no Reino Unido. Na véspera, a Copa dos Campeões Europeus teve sua final anual entre Celtic e Internazionale. Favorita, a Inter de Helenio Herrera carregava a marca do catenaccio, do futebol defensivo e o histórico do bicampeonato em 1964 e 65 no torneio continental. No entanto, do outro lado estava o grande time do Celtic, treinado por Jock Stein e conhecido por sua coragem e técnica.

A partida aconteceu no estádio Nacional de Lisboa, em Portugal, em 25 de maio. Naquele jogo, que teve o placar de 2 a 1 de virada para os escoceses, a ofensividade triunfou sobre o paredão defensivo interista. Com gols de Gemmell e Chalmers, o Celtic conquistava seu primeiro título europeu, entrando para a história com o time chamado de “Leões de Lisboa”. Ao fim do ano, no Intercontinental, este mesmo elenco perdeu para o Racing, em outra história igualmente fascinante.

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Sgt. Pepper’s e a nova vibe dos Beatles

Os Beatles encaravam a fase final da banda na segunda metade dos anos 1960. O sucesso avassalador fez do Fab Four uma grande referência para qualquer banda de rock que veio depois disso. A dissolução do grupo, em 1970, também causou um marco na carreira dos quatro integrantes, que seguiram carreiras solo bem sucedidas.

A Beatlemania ainda estava firme e forte quando foi lançado o oitavo disco, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, em 26 de maio de 1967: um trabalho inovador, e por que não um tanto conceitual, marca daquele momento de transição que os Beatles estavam vivendo.

Os grandes sucessos do disco são “Lucy In The Sky With Diamonds”, “A Day In The Life”, “With A Little Help From My Friends, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, músicas que permanecem no imaginário dos fãs, independente da idade.

Por ter inovado tanto com um estilo diferente dos álbuns anteriores, Sgt. Pepper’s foi aclamado como uma obra prima da música. Mas nós não pretendemos nos aprofundar muito neste tema. Para isso, vocês podem visitar o site do amigo Fagner Morais, o ótimo “Music on the Run”.

Em busca do bi

Se em 1967 o Celtic chegou como o azarão para encarar a Inter, em 1970, contra o Feyenoord, o panorama era bem distinto. Era a primeira vez que uma equipe holandesa chegava a uma final do torneio, no caso, a Copa dos Campeões Europeus. Você deve se lembrar que o Ajax dominou o continente a partir do ano seguinte, com Cruyff e sua turma. Mas foi o Feyenoord de Ernst Happel que abriu caminho para essa supremacia de quatro anos de clubes da Holanda.

Em Milão, no San Siro, em 6 de maio, Celtic e Feyenoord se enfrentaram pela última partida da competição europeia. Os escoceses mantiveram base do elenco campeão em 1967, com sete titulares que estiveram em Lisboa: Gemmell, Murdoch, McNeill, Johnstone, Wallace, Auld e Lennox. O roteiro foi praticamente igual ao da final anterior que os Hoops haviam disputado, com uma enorme diferença no desfecho.

Gemmell fez o primeiro gol da tarde, aos 30 minutos. Mas os rapazes de Roterdã buscaram a igualdade com Isräel, aos 32. O empate em tempo normal chamou a prorrogação, que teve gol de Kindvall logo no minuto inicial da segunda etapa. De virada, o Feyenoord levantou seu primeiro e único troféu na competição, sem jamais ter retornado para outra decisão. O Celtic também se despedia do grande palco europeu, com uma vitória e uma derrota. A coincidência é que dois dias depois, no Reino Unido, os Beatles também lançavam seu último álbum.

Let it be

Os Beatles estavam prontos para encerrar uma parceria curta e extremamente bem sucedida. Apesar de não ter sido a última reunião da banda para gravações, já que “Abbey Road” foi produzido e lançado em 1969, “Let it be” foi um belo aceno para os fãs e para o mundo da música em si, no dia 8 de maio de 1970. A identidade do disco, o último lançado pela banda em atividade, remete um pouco ao início do grupo, contando com algumas baladas clássicas e outros hits mais animados. Destacam-se “Let it be”, “The Long and Winding Road”, “Across the Universe”, “Get Back”, “Dig a Pony” e “I Me Mine”.

O álbum teve duas versões lançadas: uma com as gravações editadas e mixadas com outros arranjos, e outra mais crua, sem grandes alterações, incluindo até conversas e ensaios para as canções, o “Let it be… naked”, de 2003, com a maravilhosa “Don’t Let me Down”. A segunda edição, aliás, só existe porque Paul McCartney não gostou de como “The Long and Winding Road” foi alterada contra a sua vontade, ideia atribuída ao produtor Phil Spector.

Mesmo com faixas tão marcantes, os próprios Beatles (sobretudo John Lennon) reconhecem que as gravações foram horríveis e que Spector fez milagres com a qualidade do material que recebeu. O ambiente pesado durante a produção de Let it be -que também incluiu um documentário em vídeo com o mesmo nome- se deve ao fato de que apenas McCartney era adepto da ideia de tocar ao vivo, contrariando fortemente os outros integrantes. Meses depois, eles finalizaram os trabalhos de Abbey Road e se separaram de maneira definitiva, transformando a breve trajetória em uma lenda.

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