Copa das Confederações, dia 8: A redenção de Claudio Bravo

Chile segura Portugal nos 120 minutos e vence nos pênaltis com enorme atuação de Claudio Bravo, que pegou três chutes. La Roja se prepara e aguarda quem será o adversário em sua terceira final consecutiva, agora pela Copa das Confederações.

Estaríamos mentindo descaradamente se disséssemos que Chile x Portugal foi um jogão. Apesar da expectativa criada em cima do duelo de semifinal da Copa das Confederações, os 120 minutos em Kazan foram decepcionantes, para dizer o mínimo.

Tivemos duas boas chances, uma de cada lado, ainda no primeiro tempo. E só. Ambos criaram pouco, erraram muito, estavam dispersos e/ou desinteressados no desfecho do confronto. Cortamos para os 13 minutos do segundo tempo da prorrogação: o Chile chega na área de Portugal. Vidal pegou uma sobra e mandou na trave. No rebote, Rodríguez mandou por cima e acertou o travessão de Rui Patrício. Dois lances fortuitos e que poderiam ter resolvido a vida de La Roja.

Estava na cara que teríamos pênaltis. E que forma melhor para agitar um jogo monótono entre duas boas seleções que não entregaram nem 10% do que se esperava no mata-mata? Uma delas se despediria com a sensação de que poderia ter feito melhor. Aliás, sejamos justos: o Chile foi mais decepcionante como um todo, mesmo sem ter um craque em fase iluminada como Cristiano Ronaldo.

No fim das contas, quem resolveu não foi Arturo Vidal, nem Alexis Sánchez, nem Cristiano Ronaldo, que dirá André Gomes, Bernardo Silva ou João Moutinho. O contestado Claudio Bravo, que começou a competição no banco, voltou para pegar a sua faixa de capitão e o dever de proteger a meta chilena. Jogou uma partida satisfatória, evitou gols de Portugal e brilhou de fato quando foi colocado frente a frente com os atacantes da seleção campeã europeia em 2016.

Bravo vinha de um ano desgraçado. Ninguém queria ele no Manchester City, nem pintado de ouro. Ele saiu do Barcelona altamente estimado e não se encontrou na Inglaterra, falhando muito e sendo criticado por sua péssima temporada. Mas o destino virou de forma positiva para ele, o grande goleiro da escola chilena.

Três pênaltis, três defesas, Bravo está no páreo outra vez. Deram-no como acabado. E pelo menos em um jogo decisivo pelo Chile, ele deu a volta por cima. La Roja não mereceu estar nesta final de Copa das Confederações, mas nem sempre iremos contar a história de quem foi o melhor e acabou campeão. Às vezes é mais interessante quando tudo acontece por linhas tortas. Só assim é que vemos o quanto o futebol é fascinante.

É cedo para celebrar que Bravo voltou a ser um dos melhores goleiros do mundo, claro. Ele ainda pode falhar feio na final. Mas só por esta quarta-feira, o goleiro pode respirar aliviado como o salvador da pátria nos gramados de Kazan. Principalmente porque este triunfo particular vem em contrapartida ao fato de que o mocinho óbvio da trama sequer chegou a bater seu pênalti…

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