Como Maradona foi crucial na consolidação de Zola como craque

Sob a tutela de Maradona, Zola levantou o título da Serie A em 1990 e aprendeu muito para a sequência de sua carreira. Apelidado de “Magic box”, o meia fez sucesso na Serie A antes de alçar voo para o Chelsea.

Já se passaram 12 anos desde a aposentadoria de Gianfranco Zola, com a camisa do Cagliari. O astro, que começou a carreira em equipes modestas como Nuorese e Torres, teve sua primeira grande chance em um time que vivia fase inspirada no fim dos anos 1980. Contratado para ser uma das peças de meio-campo no Napoli, o jovem armador teve um professor fundamental no seu desenvolvimento.

Em alguns casos, não é só o talento que pesa para formar um grande craque. As oportunidades e as referências são fatores importantes para um atleta que busca o estrelato. Quando se trata de Zola, um dos meias que marcaram os anos 90, a resposta está nos quase dois anos em que conviveu com Diego Maradona, capitão e maior craque da história do Napoli.

O ano era 1989 e os partenopei corriam atrás do segundo título italiano. Zola ainda queria reconhecimento, mas acabou ganhando bem mais do que isso. Teve aulas em treinamentos com Maradona, aprendeu com o argentino a bater faltas, entre outras técnicas. Visão de jogo ele já tinha, faltava apenas aquele algo a mais que o diferenciasse dos outros.

Além de aprender diariamente com Diego, Gianfranco ainda se transformou em um grande amigo do craque. Dentro e fora dos campos, a relação era ótima, o que facilitou também a caminhada de Zola até o time titular. O começo dele foi tímido, com apenas 18 partidas na temporada 1989-90, o bastante para ajudar e causar impacto positivo na campanha celeste contra o Milan, na Serie A. O Napoli venceu seu segundo e último título italiano.

Zola fez dois gols e ganhou moral durante a reta decisiva. Em 1990-91, voltou mais confiante e preparado para o desafio de ser titular na equipe que defendia o scudetto. A vaga só foi garantida, no entanto, após o problema grave de Maradona com o doping. Como faziam a mesma função, Zola ficou o tempo inteiro como segunda opção, às vezes até sendo improvisado em outras áreas para ganhar minutos.

A carreira de Maradona não duraria muito mais que aquilo, não em alto nível como se esperava. Com todas as lições que recebia no treino e quando entrava, Zola só teria uma chance real de mostrar seu trabalho: no momento em que fosse promovido a titular indiscutível. Infelizmente para Diego, a passagem pelo Napoli se encerrou na segunda metade de uma temporada decepcionante para a torcida, com o sétimo lugar na Serie A em 1991. O líder técnico e motivacional do clube estava perdido em um turbilhão de polêmicas.

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Aos 25 anos, Zola se viu em uma situação complicada. Maradona fez o que pôde para ajuda-lo no início e em 1991 ele precisava mostrar serviço e honrar a camisa de seu antecessor. Diego, em sua saída, pediu aos dirigentes que não contratassem outro jogador com peso para o seu lugar, pois eles já tinham Gianfranco na função. Ele estava pronto para o desafio?

O novo camisa 10 se apresentou para a batalha. E foi fundamental ao liderar as ações ofensivas de um time decadente, treinado por Claudio Ranieri. Mesmo nessas condições, o Napoli terminou em quarto na Serie A, enquanto Zola aparecia como um garçom qualificado entre tantos caras acima da média, somando 12 gols e outras tantas assistências.

A situação financeira do Napoli piorou em 1992-93, última temporada de Zola no clube. O desempenho do jogador continuou elogiável, repetindo os 12 gols e ficando no topo da tabela de assistências, com 12, ao lado de Francesco Baiano, da Fiorentina. Era o começo de uma história que tinha tudo para chegar a um final feliz, mas a crise forçou o clube a vender seu maestro para o Parma, algo que trouxe a Zola um título da Copa Uefa e o reconhecimento internacional, com participação na Copa do Mundo de 1994 e na Euro 96.

Diferentemente do que ele esperava, a saída de Gianfranco foi conturbada. Acusado de traição pela torcida, ele se defendeu expondo a situação dos cofres do Napoli, que não era nada agradável. As 19 bilhões de liras pagas pelo Parma garantiram alguma saúde aos napolitanos, ainda que não por muito tempo, já que eles agonizaram no fim da década até o rebaixamento em 1998.

À aquela altura, Zola também já havia dado outro salto em sua carreira, assinando com o Chelsea. Sem se encaixar no esquema de Carlo Ancelotti, ele foi colocado à venda em 1996 e teve uma última grande fase em Stamford Bridge, onde é aclamado como um dos ídolos mais respeitados pela torcida dos Blues. Em 1997, enquanto Zola se firmava no coração e na memória de todo apaixonado pelo Chelsea, Maradona saía de cena pelo Boca Juniors, em sua aposentadoria definitiva.

O professor passava a batuta para o aprendiz, que pode até não ter conquistado os grandes títulos do planeta, mas tem seu lugar entre memoráveis craques do seu tempo.

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