Copa das Confederações, dia 6: Estamos sem manchetes

Rússia é eliminada de uma competição ainda na primeira fase, Portugal goleia uma galinha morta e os mexicanos chegam com moral para as semifinais. O grupo A conheceu seus classificados, que aguardam o desfecho da outra chave da Copa das Confederações.

A caminho de mais uma decepção

A Rússia não mostrou na estreia que podia ser um time interessante ou minimamente eficiente. Vencendo por apenas 2 a 0 o saco de pancadas da Nova Zelândia, a equipe anfitriã foi eliminada ainda na primeira fase da Copa das Confederações. Com o papel de sediar o torneio preparatório para a Copa do Mundo, a seleção russa fez feio e perdeu dois de seus três jogos.

Ainda há muito o que aprender no caso da Rússia. Ou o que melhorar, no caso. Para todos os efeitos, a despedida dos donos da casa foi feia, com uma derrota de virada diante do México. Está bem, ainda que os mexicanos sejam muito mais capazes, é um tanto deprimente para os russos fazer novo papelão em uma competição internacional sem sequer mostrar alguma perspectiva de melhora.

Como sofre para fazer gols a Rússia. Mesmo com Smolov mostrando serviço e tendo Zhirkov, Golovin, Poloz e Glushakov auxiliando na armação, a equipe parece ter imensa dificuldade em colocar a bola dentro do barbante. Às vezes por azar, às vezes por vontade de abandonar a jogada pedindo pênalti, mas certamente por não ter nível para competir. A torcida até aplaudiu, apoiou, tendo a consciência de que esta pode ser mais uma geração perdida.

Apesar de todos os defeitos, o começo da partida foi marcado pela blitz russa, com muitos ataques e chances criadas. Samedov abriu o placar aos 24, alimentando as esperanças de uma grande redenção de seus colegas. Nem houve tempo para euforia. Cinco minutos depois, em um cruzamento para a área, Araujo subiu e cabeceou. Akinfeev, mentalmente paralisado no lance, esperou o arco da bola se definir antes de tomar uma decisão. Quando o fez, já era tarde demais, a pelota estava no fundo das redes. Mais uma prova de que o grande goleiro russo depois de Dasaev nos enganou bem ao longo de sua carreira.

Se com calma já estava difícil, imagina no desespero, com a obrigação de fazer o segundo. A Rússia foi para o abafa, queimando todos os seus cartuchos. E fez um gol em impedimento, novamente com Samedov. Acertadamente, a arbitragem já havia parado o lance antes mesmo da conclusão. Faceiro, o México se aproveitou da tendência ofensiva de seu rival pra construir o placar e a vitória. Ninguém, no entanto, poderia esperar que Akinfeev falhasse de novo, e agora para decidir.

Vacilante, o capitão russo demorou demais para sair em uma bola que estava toda favorável para um chutão. Entretanto, como ele ficou parado e só saiu quando o mexicano Aquino correu para dividir. De cabeça, o atacante tocou por cima do arqueiro e fez um gol bizarro, que nem podemos chamar de chapéu. É, Akinfeev, talvez seja melhor reavaliar a carreira.

O México ainda ampliou, com Moreno, mas a arbitragem pediu revisão do lance e assinalou impedimento rapidamente. Não que isso tivesse mudado muito a postura da Rússia, que ainda teve Zhirkov expulso por dar uma cotovelada em Layún. Um fim trágico e triste para a campanha dos mandantes. Mas que de forma alguma causa choque pela forma como ocorreu, jogando mal e sendo anulada com facilidade. Segue o México em busca de mais um título na competição.

O show dos coadjuvantes

Portugal está bem demais, irmãozinho. Tranquilo para decidir a classificação contra a fraca Nova Zelândia, o time de Cristiano Ronaldo carimbou a vaga para as semifinais sem nenhum problema, goleando por 4 a 0.

Foi a única vez que os neozelandeses de fato apanharam no torneio, o que reforça que talvez não exista bobo no futebol, mas sim que os supostos fortes sejam menos inteligentes do que se supõe. O estádio de São Petersburgo lotou para testemunhar os esforços da equipe campeã europeia em 2016. E eles não decepcionaram.

Até que saísse o primeiro gol, a pressão portuguesa vinha tentando surtir efeito, mas nada acontecia quando a defesa da Nova Zelândia se fechava, represando a força da correnteza. Mas as paredes eventualmente cederam e Portugal exerceu sua superioridade, castigando o pobre adversário com chicotadas.

Duas cabeçadas de Cristiano quase abriram o placar. Ele já estava ficando irritado com as defesas e o travessão impedindo a sua glória particular. Para deixar os críticos em polvorosa, um pênalti em Danilo foi cometido. Cristiano foi para a marca da cal e balançou as redes, sem dar chances para Marinovic. O desastre mesmo ocorreu no lance do segundo gol, marcado por Bernardo Silva. Na hora que ele tocou para as redes e saltou para escapar de um carrinho, o pouso não foi bem sucedido. O português escorregou no pé do zagueiro e torceu o tornozelo, saindo logo em seguida. Seria cômico se não fosse trágico.

A tendência agressiva de Portugal se repetiu conforme o segundo tempo rolava. Mais uma cabeçada de Cristiano, defesas de Marinovic, mas nada do gol sair. Era um massacre, nada parecido com um confronto de times similares. Nesta discrepância, os outros gols foram forjados naturalmente. André Silva passou como quis pela defesa e bateu no alto para ampliar. Nani fechou a conta pouco depois, mostrando desenvoltura para dar uma pedalada e um chutaço no canto. Quatro para Portugal, nada para a Nova Zelândia. E assim se decidiu a chave A desta Copa das Confederações.

No domingo, a partir do 12h, as emoções do Grupo B, que nos mostrará quais serão os confrontos das semifinais. Portugal terminou em primeiro e pega o segundo colocado da outra chave. Já o México, vice, aguarda para saber quem termina na frente, com grandes chances de encarar a Alemanha.

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