Copa das Confederações, dia 4: Quando vale, o bicho pega

Dois jogos marcaram a quarta-feira na Copa das Confederações. Portugal ficou perto da vaga e o México ficou em vantagem para superar a Rússia na tabela final. Mas o mais legal mesmo foi o fator confusão em campo no fim do jogo de La Tri.

A balada do robozão

Foi equilibrado, mas Portugal venceu a Rússia e está muito perto de assegurar a sua vaga nas semifinais. Se a gente disser que Cristiano Ronaldo dominou o jogo e aprontou várias das suas, você vai achar que é óbvio, que é notícia velha, mas foi inspirado por ele que Portugal conseguiu sua primeira vitória na Copa das Confederações.

Quando menos a gente espera, POU, um jogo ruim. Portugal mereceu sair com os três pontos e provavelmente venceria 10 em 10 confrontos parecidos com a Rússia, que pode até estar bem vestida, mas é fraquinha de dar dó. Com o time inteiro em campo e querendo ganhar, os lusitanos não teriam dificuldade em anular a proposta dos mandantes.

O gol de Cristiano foi o primeiro e único golpe que Portugal precisou dar para derrotar os russos. Não tiveram muito mais problemas que isso, e ainda estiveram perto de ampliar. Mesmo em modo brando, o robozão decide, é assim que é, carregando consigo uma geração que aprendeu a ter autoestima depois da Eurocopa. E é com essa confiança que Cristiano predomina, inspira, corre atrás de mais uma taça.

No futebol, mais importante do que encantar é vencer. E isso Ronaldo faz com louvor, está se especializando no assunto, muito mais do que parecia há dois anos. Vencedores precisam de motivação para continuar no topo. Vê-se a cada jogo o que domina a mente do capitão e camisa 7, que hoje não só municiou os colegas, mas também apareceu para concluir. Quis o destino tirar dele o que seria o grande gol da tarde, um par de pedaladas em cima do zagueiro russo, que, torto, passou lotado para desarmar. Akinfeev salvou o que seria o segundo gol.

Como já parecia óbvio desde a estreia, agora Portugal se debruça no favoritismo, podendo relaxar na última rodada ante a Nova Zelândia, tudo para voltar com muito mais força após a classificação. A Rússia, dona da casa, deverá se contentar com mais uma eliminação precoce, pois não tem bola para superar o México no próximo embate.

Desafiando a máxima

Outra vez o México esteve tentado a seguir a máxima do “jogou como nunca e perdeu como sempre”. Se complicando demais com um time misto diante da Nova Zelândia, a equipe de Juan Carlos Osorio passou um belo aperto e precisou virar o placar.

Poucos jogadores neozelandeses poderiam levar tanto perigo ao gol mexicano como Chris Wood. O gigantão finalizou bastante, forçando Talavera a praticar boas defesas. Mas o papel do centroavante não se limitou a atacar a meta mexicana com chutes, pois ele empurrou Salcedo para o chão, causando uma luxação no braço do zagueiro. Logo depois, seguiu com a jogada mostrando ausência completa de fair play, tendo em vista que Salcedo estava caído e sentindo muita dor. Poderia ter sido o gol mais canalha deste ano, mas ele errou o alvo.

Fato é que o México se complicou demais. Faltou entrosamento, ofensividade e um pouco de frieza. Quando Wood marcou o primeiro gol da partida, tudo ficou em cheque para Osorio. Algumas mexidas aqui, outras ali, La Tri foi recuperando a força e a paciência. Daí foi natural assumir o controle e virar contra esta pobre seleção da Nova Zelândia.

Jiménez e Peralta evitaram o que seria uma enxurrada de piadas com a tradição de fiascos do México. E verdade seja dita, hoje não valeria a primeira parte do “jogou como nunca”. Mistão demais para uma partida que não prometia grandes dificuldades, o time de Osorio suou sangue para poder ter um fim de noite tranquilo. Um tropeço contra o saco de pancadas da chave daria um recheio desagradável ao taco da galera mexicana.

Como não poderia faltar em um torneio oficial, a rapaziada baixou o nível no fim do encontro. Teve puxão de camisa, empurrão, tapa, carrinho por trás, sai pra lá, discussão testa a testa e bandeirinha correndo para apartar. A coisa estava saindo do controle e se encaminhando para um sururu clássico quando o árbitro mandou parar e checar quem estava envolvido na briga. Depois que soube, o senhor Bakary Gassama só deu três cartões amarelos e ficou por isso mesmo.

Quando o tumulto ferveu de verdade, ele correu para longe do núcleo da confusão, como quem diz: “pessoal, pessoal, vamos parar com isso, oras, é futebol, por favor, paz, paz, se acalmem, vamos conversar“. Com um pulso destes, não podíamos esperar jamais que ele expulsasse alguém, mesmo com as imagens e o apoio do pessoal da TV. Se o agarra-agarra e os arremessos de jogadores não foram motivo para cartão vermelho, o que seria?

O México jogou mal, mas deve escalar seus titulares  para enfrentar a Rússia no jogo que vale a classificação para a próxima fase. E ao que tudo indica, o clima será mais quente do que o de hoje. Ou alguém espera que os russos sejam eliminados na mais perfeita paz e harmonia? É agora que a coisa começa a ficar interessante de verdade, meus amigos.

Voltamos amanhã com Camarões x Austrália e Alemanha x Chile. Alguém pediu um pouco mais de emoção?

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