Copa das Confederações, dia 3: O teste para a juventude alemã

O terceiro dia teve apenas um jogo. Mas ele valeu demais para agitar os ânimos da primeira rodada. Alemanha e Austrália fizeram um duelo movimentado em Sochi, com bons atletas jovens para se observar. Placar apertado evidencia o quanto foi difícil para os alemães no segundo tempo.

A Alemanha de Joachim Löw meteu um mistão com a molecada que tem se destacado no cenário nacional nos últimos anos. Trazendo caras como Mustafi, Goretzka, Draxler, Werner e Sandro Wagner, a atual campeã do mundo preferiu não usar força total nesta Copa das Confederações. Mas isso jamais quer dizer que os alemães não estão em alto nível competitivo.

Sabemos perfeitamente que 11 cones com camisas da Alemanha podem perfeitamente chegar a uma semifinal de Copa do Mundo. Desde os primórdios a seleção reuniu formações que, se não eram interessantes ou jogavam um futebol atraente, chegaram muito longe em competições internacionais.

Sob esta lógica, não seria absurdo cravar que o time C da Alemanha foi para a Rússia com a reputação de uma campeã do mundo a zelar. Ao menos pelo que podemos julgar pelos minutos iniciais, os meninos de Löw foram ao ataque e imprimiram um belo ritmo de jogo. Aos cinco minutos, BAM, 1 a 0, gol de Stindl. Parecia que viria uma goleada, “aí vem eles de novo”, “virou passeio”, etc.

Do outro lado, uma valente Austrália não se limitou a apenas esperar a Alemanha atacar. Os Cangurus ofereceram um belo desafio e igualaram o marcador ainda no primeiro tempo, com Rogic. Antes do fim do primeiro tempo, Draxler desempatou, de pênalti, após lance inocente do zagueirão da Austrália. É evidente o quanto eles melhoraram de 2014 para cá, na posição de campeões da Ásia. O nível ainda não é alto, é verdade, mas ao menos os australianos podem confiar em jogos duros contra os grandes, não os vexames de outrora.

Nessa toada, a Austrália equiparou o duelo, muito em virtude da inexperiência alemã e do visível desinteresse no jogo a partir da segunda etapa. Completamente relaxada, a Alemanha perdeu chances e o controle sobre o adversário, entregando a chave da sua defesa de mão beijada. Leno, que é o responsável por salvar a pátria lá atrás, entregou dois gols de bandeja. Frio em campo, não demostrou tanta frieza nos saltos e protagonizou um frangaço no segundo gol australiano.

Quando queria, a Alemanha dominava. E foi exatamente isso que separou Draxler e seus comparsas de uma goleada. Não ter intensidade e vontade para golpear os rivais nos primeiros 90 minutos. A atuação tranquila virou um jogo bem emocionante, sem necessidade. Também não é como se os Cangurus fossem uma baba qualquer, mas o natural era ver uma atuação segura dos germânicos, o que passou longe de acontecer.

Goretzka fez o segundo em uma ótima finalização, praticamente definindo o confronto. Só não estava tudo acabado porque Juric surgiu para diminuir, se beneficiando de uma falha terrível de Leno, que estava com a bola colada ao corpo e soltou, na frente do rival. O gol foi um acidente, não há melhor forma de definir. Pior para Leno, que começou sonolento a sua campanha neste torneio.

Valeu pela movimentação, pelos cinco gols, pela luta da Austrália e para ver a campeã do mundo em campo. Desfigurada, mas ainda campeã do mundo. E há quanto tempo não víamos um goleiro alemão altamente estimado frangar duas vezes contra um time de amarelo? Bem, ao menos o desfecho foi diferente para os alemães desta vez.

Em termos de favoritismo, a Alemanha ainda está devendo algo. Espera-se que Löw mexa no time para promover outras estreias na segunda partida, quando o caldo vai engrossar na quinta-feira, contra o Chile, valendo a primeira posição. Com esta bolinha, eles não chegam na decisão. A Austrália, sem a mesma pompa e com outro objetivo, pega Camarões para tentar somar seus primeiros pontos na Copa das Confederações. E quem sabe pode se candidatar a uma vaga nas semifinais.

A terça-feira não reserva jogos na Confed Cup. Voltamos com o diário da competição na quarta-feira, cobrindo Rússia x Portugal e México e Nova Zelândia. Até lá.

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