A nova proposta da FIFA e a necessidade de ver a bola em jogo

Diretor técnico da FIFA, Marco Van Basten propõe um debate para revolucionar o esporte. A começar pelo novo tempo de apenas 60 minutos, que consiste em abolir a cera e os acréscimos, um dossiê de mudanças está sendo estudado na entidade que gere o futebol mundial.

O futebol precisa se adequar aos tempos. Ao longo de sua história, a modalidade sofreu mudanças consideráveis e benéficas para a fluidez do jogo e a lisura da disputa. Podemos citar aqui as regras do impedimento, dos cartões amarelos e vermelhos, das substituições, entre outras obviedades que você cresceu sabendo.

Em 2017, durante a Copa das Confederações, o diretor técnico da FIFA, Marco Van Basten, promete trazer algumas sugestões bem interessantes para alterar a forma como o futebol é jogado e visto. A começar pela gigante alteração no tempo de jogo. O holandês defende que as partidas tenham 60 minutos, mas que o relógio pare a cada vez que a bola sai de campo, em faltas e atendimentos médicos. Desnecessário explicar que a medida visa acabar com descontos de tempo e a já terrível cera.

A ideia de que a bola não rola o suficiente tem incomodado os dirigentes, sobretudo quando há a evidente busca por gastar tempo quando as partidas se aproximam do fim. Não que isso tenha servido como base, mas os eventos na fase de grupos da Libertadores deste ano talvez sejam o exemplo ideal de como uma partida NÃO DEVE ser conduzida. Mesmo com o acréscimo de cinco minutos, o jogo não transcorre por faltinhas bobas, discussões e outras tentativas de avançar o relógio sem que haja disputa real.

Estamos falando de toda uma cultura de tentar desestabilizar o adversário mentalmente, o que, para todos os efeitos, ainda é válido e faz parte do jogo. Podemos até pensar que enrolar e ganhar tempo simulando lesões também são elementos inerentes ao futebol, mas isso mais prejudica do que ajuda na evolução. Afinal de contas, o futebol é decidido por gols, não por quem finge melhor estar contundido.

Na via contrária ao argumento de que é preciso ver a bola rolando e é isso que fazemos questão de ver toda rodada, existe a crença de que o futebol seria mecanizado. É inegável que toda mudança considerável vai causar ruído, até mesmo o tal árbitro virtual, que resolve lances capitais com a ajuda da computação e dos cálculos que os profissionais humanos jamais seriam capazes de detectar em questão de centésimos.

Ainda que a ferramenta seja excelente e capaz de abolir a dúvida (convenhamos, é estúpido gastar horas para debater se fulano estava ou não impedido), o seu uso precisa ser otimizado de maneira que fique mais clara a irregularidade e apoie a marcação dos árbitros. Nos dois jogos-teste da Copa das Confederações, até agora, ainda houve certa dificuldade para transmitir com clareza ao público, algo que a Goal Line Technology não dá margem, por exemplo. Mas a tendência é que isso se resolva rapidamente e o VAR (Video Assistance Referee) seja um dos pilares para evitar erros decisivos no esporte.

Outras propostas polêmicas de Van Basten

Isso posto, mais propostas de Van Basten foram enviadas para discussão nos núcleos da FIFA no dossiê chamado de Play Fair!: os jogadores podem sair jogando sozinhos em faltas ou escanteios, sem necessidade de passe para companheiro; a marcação de pênalti para defensores que usam mãos ou braços para impedir a trajetória de uma bola em direção ao gol; permitir que goleiros passem a bola para companheiros em tiros de meta dentro da área; pênaltis não terão mais rebotes (equilibrando mais a equação a favor dos goleiros), e em caso de defesa ou bola na trave, o lance seria finalizado como um tiro de meta a favor da defesa; cartão vermelho para alguém do banco pode causar perda de substituição ou desfalque para o jogo seguinte; fim de jogo ou de período só poderá ser apitado com a bola fora de campo; recuos serão punidos com pênalti; usar a mão de forma intencional para marcar um gol pode resultar em cartão vermelho.

Van Basten, que notoriamente foi um craque enquanto atleta, pode ganhar mais respeito e importância como dirigente caso algumas de suas propostas sejam aprovadas. Como sempre, haverá discussão ferrenha para defender ou atacar parte destas ideias, o que é natural e incentivado. Mas o que não podemos é minimizar a importância de mais esta reinvenção do esporte. Não é questão de ser um novo ou velho futebol, mas que o esporte continue sendo mais apaixonante do que algo previsível e irritante. Mexer nas regras é um bom começo.

E vocês, amigos leitores? O que pensam sobre a iniciativa de Marco Van Basten?

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