Copa das Confederações, dia 2: O juiz do vídeo também é contestável

No segundo dia de Copa das Confederações, Portugal e México fizeram um jogo movimentado e com grande atuação de Cristiano Ronaldo. Mais tarde, Chile e Camarões se pegaram em Moscou e o árbitro virtual roubou a cena.

Imagina se valesse algo

Ochoa e Cristiano Ronaldo. Difícil escolher outros destaques para um jogo tão peculiar quanto este México x Portugal. Uma partida que pode até ter ficado devendo na técnica, mas que teve períodos interessantes no fim de cada etapa. Foram quatro gols, com o goleirão mexicano evitando o que seria uma goleada, mantendo sua seleção viva na competição. Já Cristiano, o temido robozão, decidiu com passes, diferente do que está acostumado a fazer.

O começo foi lento. Difícil, quase forçado. Enquanto o México tentava explorar as falhas portuguesas, os lusitanos chegavam ao ataque com a força de Cristiano Ronaldo, Quaresma e Moutinho. Foi graças ao Robozão que saiu o primeiro gol da partida. Meio aos trancos e barrancos, ele arrancou e parece ter se esquecido da bola. Craque que é craque, sempre dá um jeito, e então, o capitão deu um passo atrás e rolou para Quaresma, sem sequer olhar para o lado. O veterano Quaresma, que se transformou em um grande jogador apenas depois dos 30 anos, resolveu a jogada com um corte rápido em cima de Ochoa, antes de bater. Pura arte.

Se Portugal ganhou a Eurocopa com um estilo engessado, o que foi apresentado hoje, diante do México, anima bastante para o futuro. Este time que pode prometer algo a mais na Copa do Mundo, caso chegue lá sem sustos. No papel, sabemos que Portugal tem recursos para jogar muito mais. E na ponta dos cascos, motivada, esta equipe pode e deve chegar longe, não só na Copa das Confederações.

O México empatou com o pateta Chicharito. Ele é um atacante de nível internacional, bom cabeceador, tem ótimo faro finalizador. Entretanto, ainda apresenta dificuldade em completar lances de cartilha para atletas de sua posição. O gol que empatou a partida foi clássico: cruzamento pelo alto, testada firme, sem chance. Chicharito, por outro lado, desperdiçou outras oportunidades criticáveis.

Voltamos a Cristiano Ronaldo, que conquistou a Liga Espanhola e a Liga dos Campeões. Provavelmente será eleito o melhor do mundo de 2017. E chega a esta Copa das Confederações com a missão de dar mais um título aos portugueses. Dentro do que vimos neste domingo, não é difícil que Portugal se transforme em principal candidato à taça. Cristiano é o motor que move o time adiante e sem ele, provavelmente os companheiros teriam perdido para um interessante México de Juan Carlos Osorio.

Com poucos toques, Cristiano desmonta a marcação e a proposta adversária. Para ele, é simples ser decisivo, qualidade que se exige dele desde os tempos de Manchester United. Contra o México, outra aula de frieza. Em dois toques para Quaresma, ele entregou dois gols feitos, apesar do fato do colega ter marcado apenas um. Tivemos outra tabelinha no segundo tempo, provando como ambos estão entrosados para este torneio em solo russo.

Cedric foi o outro português a balançar as redes. Bateu no alto e contou com um desvio da zaga para vencer o paredão Ochoa. Uma pena para os campeões europeus que a defesa novamente deixou a desejar. Foi um zagueiro do outro lado que deu números finais ao confronto. Moreno, de cabeça, subiu mais que todo mundo para testar no canto de Rui Patrício, sem dar tempo para uma reação. Empate justo, dentro do que os dois times criaram. E que foi um alento para quem se sentiu completamente entediado em Rússia x Nova Zelândia, no sábado.

Dissemos ontem na abertura que as coisas iriam melhorar conforme adversários mais qualificados entrassem em campo. E foi exatamente isso que aconteceu. Bom para os amantes do futebol (e da controvérsia) que ainda tivemos um Chile x Camarões igualmente peculiar.

O debate que nunca morre

Precisou a Fifa oficializar o árbitro virtual para que nós finalmente entendêssemos que os bandeirinhas são quase sempre inocentes em marcações milimétricas de impedimento. Em Chile e Camarões, o primeiro tempo foi um baile dos chilenos, que ficaram com a bola e botaram os africanos na roda. E no último minuto da etapa inicial, a polêmica do dia: Vargas estava ou não impedido no gol anulado?

A imagem não foi clara o suficiente e após alguns segundos de consulta, o árbitro Damir Skomina constatou: nada feito. Vargas estava à frente do marcador. Começou a gritaria, aquela coisa louca, a catarse do povo. A imagem divulgada pela Fifa durou pouco, não resolveu a dúvida de ninguém. O aparato que deveria servir para pulverizar qualquer discussão acabou causando uma ainda maior. Porque, em tese, nem com o sistema novo nós pudemos ter certeza.

No Twitter, mediante imagens divulgadas pelo pessoal que acompanhava, a marcação de impedimento não era unanimidade. Chegamos até a gritar que Vargas não estava impedido. Mas não se pode brigar com a tecnologia, no fim das contas. Os cálculos eletrônicos e de posicionamento indicaram que o gol foi irregular. Quem quiser discutir, que continue, mas o fato é que houve impedimento. Contudo, enquanto não houvesse um tira-teima clássico com a linha, haveria chiadeira, com razão. Vida que segue.

Quando os times mudaram de campo, Camarões aprendeu com os próprios erros. Tirou o espaço do Chile, ficou mais com a bola, começou a levar perigo. E equilibrou o duelo como ninguém esperava. A tão estimada equipe bicampeã sul-americana não conseguiu derrubar a parede dos Leões. Conforme o tempo passava, o gol não saía e o incômodo aumentava. Camarões mostrava suas garras e seu valor.

Impossível falar deste jogo sem mencionar a chance perdida por Isla. De cabeça, em sobra de bola cruzada na área, o meia testou de raspão e errou a mira, sem ninguém na sua frente, nem o goleiro. O erro custou caro, pois não tranquilizou o Chile em um momento crítico e de crescimento dos camaroneses.

Quando tudo se encaminhava para um dramalhão, Vidal recebeu bola de Sánchez e cabeceou com enorme competência, balançando as redes e libertando aquele grito represado desde o primeiro tempo. O Chile superava sua própria tensão para conseguir o resultado. Mesmo com uma ameaça real de sofrer o empate em um lance fortuito, La Roja se segurou firme no propósito de garantir os três pontos.

No último minuto antes dos acréscimos, mais polêmica. Alexis chegou sozinho na área, era para matar o jogo. Driblou o zagueiro e o goleiro, mas finalizou errado. Como conseguiu fazer o mais difícil? Vargas, que teve gol anulado no primeiro tempo, teve a tarefa de corrigir a bobagem de Sánchez. E completou para as redes, ampliando o placar. A comemoração não valeu, pois o árbitro pediu a confirmação do vídeo. Impedimento? O próprio Vargas não acreditou, foi uma maluquice. Entretanto, a irregularidade foi descartada e o camisa 11 pôde, enfim, comemorar seu primeiro gol no torneio. Camarões estava batido, nem teve tempo para ir ao ataque.

Com dois gols sujeitos ao árbitro virtual, o Chile já pode se autoproclamar o time mais contestado deste torneio. E à parte disso, terá que jogar muito mais bola do que isso para se classificar e brigar pelo título. Aos camaroneses, a entrega e a boa participação no segundo tempo não foram suficientes, mas há esperança de uma reabilitação contra a Austrália e a Alemanha.

O segundo dia de Copa das Confederações elevou um pouco o nível de entretenimento, sobretudo por causa das reviravoltas de Chile x Camarões. Na segunda-feira, a Alemanha fecha a primeira rodada contra a Austrália. Nos vemos de novo no diário da Confed Cup após este embate. Até amanhã.

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