Após mais de 10 anos, Capello expõe desleixo de Ronaldo com o peso

Italiano relembrou a dificuldade em trabalhar com Ronaldo, que depois da Copa de 2006 voltou de lesão bem acima do peso, mas não fez grande esforço para emagrecer e continuar em alto nível. Derrocada na carreira do Fenômeno pode ser explicada por este período.

O Ronaldo que preferimos lembrar é aquele cara explosivo, mortal e dono de arrancadas imparáveis com a camisa do PSV e do Barcelona. Mesmo na Seleção, até meados de 2005, o camisa 9 era um sério candidato a se tornar o melhor atacante brasileiro da história. Simplesmente porque não era absurdo enxerga-lo como tal, especialmente em seus primeiros anos de carreira.

Outro fato envolvendo o Fenômeno é que ele foi um grande lutador. Poucos jogadores superaram lesões tão graves quanto as que ele teve na Inter. A atuação espetacular em 2002 provou que Ronaldo se adaptou às limitações físicas para continuar sendo um gigante. E que isso foi de certa forma o último grande momento da sua trajetória, que tomou outro rumo depois de 2005.

O mesmo Ronaldo que se levantou após ser dado como acabado também é o craque milionário que não encontrava motivação suficiente para se manter em forma. Não à toa, depois da Copa de 2006, ele se apresentou bem acima do peso ao Real Madrid. Uma lesão tirou Ronaldo de campo por alguns meses, e quando ele voltou… era outro jogador.

Sem a agilidade de antes, mais pesado e em processo de transferência para o Milan, o atacante trouxe alguma dor de cabeça para o técnico Fabio Capello, na sua única temporada de retorno ao Real Madrid. Nesta semana, durante um congresso de treinadores e gestores de futebol, o italiano relembrou qual foi seu jogador mais problemático:

“O jogador mais complicado com quem trabalhei? Todos pensam que é Cassano, que era jovem, tinha grande potencial, mas vivia em polêmicas fora de campo. Ele precisou ser endireitado, mas o elenco tinha peças que o fizeram raciocinar com calma. Mas o jogador mais difícil que tive contato foi Ronaldo, o Fenômeno. E digo o motivo: eu estava comandando o Real, ele voltava de lesão e foi reintegrado ao elenco apenas em novembro. Ele pesava 96 quilos, algo digno de um boxeador. Perguntei a ele quanto pesava na Copa de 2002 e ele me disse que estava com 84. Pedi a Ronaldo que tentasse emagrecer pelo menos até os 88. Foi uma vergonha. Ele não quis fazer o menor sacrifício e parou nos 94 quilos. Atuou três vezes ao lado de Van Nistelrooy no ataque. Perdemos os três jogos”.

Ladeira abaixo

Sim, claro, Ronaldo continuava valorizadíssimo, mesmo em fase pouco inspirada. Pelo Real, em 2006-07, foram apenas 13 jogos e quatro gols. Liberado para assinar com o Milan, o Fenômeno teve uma breve melhora jogando na Itália (7 gols em 14 partidas), assim como o próprio Real, que reagiu bem e conquistou o título espanhol ao fim da temporada.

Capello já admitiu em ocasiões passadas que Ronaldo havia se transformado em um líder negativo dentro do elenco. E que o clima melhorou consideravelmente depois da saída do craque. Em meio a tantas polêmicas com outros atletas, chega a surpreender que um dos maiores desafetos do italiano dentro do esporte tenha sido Ronaldo, alguém que sempre teve imagem positiva no futebol, pelo menos até se aposentar.

Com todos estes obstáculos, Ronaldo ainda sofreu outra lesão gravíssima pelo Milan, em 2007. E o corpo não podia mais lhe devolver a mobilidade. Tanto é que o Ronaldo que se apresentou ao Corinthians em 2008 era apenas uma sombra do passado. Ainda muito competente e decisiva, claro, mas uma sombra. A sua contratação impulsionou de vez o clube paulista para o sucesso que teria a partir de 2011, incluindo um título da Copa do Brasil em 2009.

Ronaldo também encontrou várias justificativas públicas para seu peso inadequado. O lado atleta já havia ficado de lado desde a lesão no Milan. Problemas pessoais à parte, ele merecia um fim mais coerente com o seu enorme sucesso na década anterior. Mas a questão é: será que ele realmente queria dar outra volta por cima naquele momento? A julgar pela impressão que Capello teve, consolidando a opinião dos críticos do Fenômeno, o interesse principal do jogador passava longe dos campos. Daí em diante, o assunto foge à nossa alçada.

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