As principais rivalidades de Totti no futebol italiano

Apesar de ser apontado como grande rival de Del Piero nos anos 1990 e 2000, Totti sempre foi amigo do craque juventino. Respeitado no futebol italiano, Francesco também entrou em rota de colisão com outros personagens no passado.

É um tanto fácil relembrar que Francesco Totti já esteve no foco de várias polêmicas e guerras particulares com outros jogadores/técnicos dentro do futebol italiano. Basta revisitar o início da década de 2000, quando o capitão romanista viveu seus tempos mais apimentados e temperamentais. Que tal relembrar quem são os grandes opositores do ídolo romanista ao longo da carreira?

Carlos Bianchi

Os problemas de relacionamento vinham lá do começo da carreira. Totti não era exatamente um atleta difícil de lidar, mas quase foi limado da Roma quando ainda era uma promessa. O primeiro deles foi com Carlos Bianchi, em 1996. Na ocasião, o argentino chegava com moral ao clube depois de levar o Vélez Sarsfield ao título mundial em 1994. Contratado por Franco Sensi, Bianchi não via tanto potencial em Totti e pediu a contratação de Jari Litmanen, em ótima fase pelo Ajax.

Sabendo que seria descartado em negociação com a Sampdoria, a pedido de Bianchi, Francesco fez questão de mostrar que tinha potencial para continuar no clube que o revelou. Um triangular amistoso de pré-temporada colocou Ajax e Roma frente a frente e Litmanen esteve incrível. Só não mais incrível que Totti, que usou da oportunidade para ganhar de vez o coração do presidente Sensi. Garantido no clube capitolino, Francesco acabou vencendo Bianchi na queda de braço.

O resto é história, mas Totti manifestou seu desgosto com o ex-treinador em 2016, dizendo que não o suportava e que Bianchi tentou destruir o seu sonho de longevidade com a camisa giallorossa. O técnico, depois do fiasco na capital italiana, voltou para a Argentina e assumiu o Boca Juniors, clube com o qual levantou três taças da Libertadores.

Cesare Maldini

Comandante da Itália entre 1996 e 98, o grande Cesare Maldini era o responsável por soltar a lista de convocados para a Copa de 1998, na França. Naquela altura, Totti já havia sido campeão europeu sub-21 com Maldini como tutor e enfrentava sua quarta temporada como titular na Roma, marcando 16 gols na temporada 1997-98. Isso, no entanto, não foi suficiente para garantir uma vaga em seu Mundial de estreia. Cesare preferiu levar nomes como Moriero e Di Matteo para a posição em vez do romanista.

A presença de meias mais defensivos foi marcante na convocação para a Copa, mas mesmo assim a Itália tinha um elenco forte para brigar pelo título. E não é como se Maldini não gostasse de inventar: Sandro Cois, volante da Fiorentina, teve apenas uma chance em amistoso antes de integrar a lista dos mundialistas pela Itália. Totti só estreou em outubro de 2000 pela Itália, já sob o comando de Dino Zoff, pelas eliminatórias da Eurocopa.

A campanha do Mundial em 1998 durou até as quartas de final e a Azzurra foi eliminada pela França, nos pênaltis. Às vésperas da Copa de 2010, quando Totti e Nesta acenaram com um retorno à seleção, Cesare declarou publicamente que era contra a decisão, já que eles haviam se aposentado do serviço anteriormente.

Pavel Nedved

Respeito em campo, talvez com algumas discussões mais acaloradas, encontro das suas seleções em uma Copa do Mundo. Totti e Nedved foram rivais várias vezes, já que o tcheco atuou pela Lazio e pela Juventus, onde se tornou uma lenda. Dois craques fantásticos que acabaram não se entendendo muito bem fora dos gramados. Em 2014, Totti afirmou que a Juventus era sempre beneficiada pela arbitragem após uma vitória polêmica contra a Roma e irritou Nedved, que nunca foi conhecido por ser uma pessoa exatamente tranquila. A resposta do diretor esportivo juventino foi uma bomba:

Embora Francesco seja um amigo e um verdadeiro campeão, fiquei muito nervoso com ele quando escutei o que foi dito. Totti nunca teve que jogar em um time tão grande como a Juventus. Por esta razão não entende o que significa trabalhar para um clube tão importante. Se você joga ou trabalha para a Juventus, todos estão contra você. Contamos apenas com nossos torcedores para nos apoiar, enquanto vemos a opinião pública contra nós“, disse Pavel.

Alessandro Del Piero

Grandes amigos que dividiram espaço na seleção e rivalizaram positivamente na Serie A. A grande discussão do século na Itália gira em torno de quem foi melhor: Totti ou Del Piero? Em questão de títulos, o juventino tem ampla vantagem, mas sempre tratou o adversário como um irmão adotivo. Por mais que a imprensa mundial tente fazê-los parecer opositores, a verdade é que a relação entre Francesco e Alessandro nunca foi afetada pelas comparações irritantes disseminadas na mídia. Cada um tem a sua importância dentro do clube que os lançou à fama e é isso que importa, afinal.

Paolo Di Canio

Agora sim uma verdadeira treta envolvendo Roma x Lazio. Totti e Di Canio são extremos dentro do futebol e os dérbis romanos são o palco desta controvérsia. Eles já trocaram farpas várias vezes, dentro e fora de campo. Paolo, ídolo laziale com duas passagens pelo clube biancoceleste, se envolveu em polêmicas com o capitão romanista. O seu histórico como adepto da filosofia fascista atraiu muitos críticos e desafetos ao longo da carreira, sobretudo em seu segundo termo, em 2004.

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Totti afirma que não sentaria na mesma mesa que Di Canio em um restaurante. O rival, que já havia insinuado que Totti é burro, respondeu que “não sentiria falta dele, pois se alguém perguntasse a Francesco sobre as tensões no Oriente Médio, ele pensaria que está ocorrendo uma briga do lado direito do campo em uma partida“.

A desavença ainda teve outro capítulo em 2010, quando Totti saiu furioso de campo após ser substituído contra a Inter. Di Canio alfinetou o giallorosso ao dizer que Francesco havia sido egoísta e um mau líder, pois deveria ser um exemplo positivo para os companheiros. Totti respondeu à altura em seu site oficial, atacando diretamente o aspecto andarilho na carreira de Paolo: “Entendo o que ele diz. Ele precisa falar sobre mim para se manter na mídia. Por outro lado, ele é um especialista em chacoalhar suas bandeiras, já fez isso com várias delas em sua curta carreira“. Talvez seja bom que nunca deixem estes dois dividirem o mesmo espaço.

Spalletti e Pallotta

A rixa definitiva na carreira de Totti foi com o presidente James Pallotta e o técnico Luciano Spalletti. Sabe-se que o mandatário americano defendia a aposentadoria de Francesco há algum tempo, e a forma que encontrou para acelerar o processo foi contratar um cara que pudesse colocar o craque no banco. Missão cumprida. Totti pouco atuou nesta temporada e naturalmente decidiu encerrar sua passagem de 24 anos pelo clube.

O que não foi dito o suficiente é que no primeiro ano de Spalletti neste retorno à Roma, o careca e o jogador se desentenderam fortemente após um jogo contra a Atalanta. Na ocasião, Totti salvou a Roma de um tropeço em Bérgamo e Spalletti descarregou sua ira no elenco. Revoltado, o capitão tomou as dores dos colegas e ficou muito perto de agredir o chefe. Totti se privou de falar publicamente sobre isso, mas Luciano mostrou algumas vezes estar insatisfeito com a pressão para escalar o ídolo.

Neste ano, as coisas parecem ter se resolvido, mas a picuinha estava mais do que evidente. Tudo indica que a crise Spalletti-Totti teve o dedo de Pallotta, pois nenhum outro presidente consciente aceitaria que seu grande jogador fosse queimado da maneira como Totti foi. Cabe um estudo sobre a gestão moderna do futebol dos americanos da Roma.

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