Noite de Libertadores: O campeão do sufoco

Foto: Globoesporte.com

Precisando apenas de um empate para terminar na liderança de sua chave, o Palmeiras venceu o Atlético Tucumán, mas teve alguns momentos de muito sufoco na partida dentro do Allianz Parque. Jogo difícil contra os argentinos teve até gol de Zé Roberto no final.

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Poucos times fizeram a torcida sofrer tanto em seis jogos quanto o Palmeiras. Desde a estreia contra o próprio Atlético Tucumán, o Verdão se especializou em fazer partidas cardíacas e desafiar o limite emocional de seu elenco. Não à toa, venceu dois jogos seguidos com gols no último minuto em contexto de cera exagerada por parte de adversários, problemas com a arbitragem, coisa e tal.

Fato é que o jogo mais tranquilo desta fase foi justamente a derrota contra o Jorge Wilstermann, que culminou com a demissão de Eduardo Baptista. Não era necessariamente um ponto em que o trabalho do treinador estava em xeque, mas sim o caso de uma sombra como Cuca estar no mercado e disponível para negociar. Não fosse por isso, Baptista teria mais alguns meses de respaldo para continuar. Mas Cuca voltou e tudo transcorreu como já esperávamos em janeiro.

Ao jogo. O Palmeiras fez um primeiro tempo de encher os olhos. Apesar de ter feito só um gol e tomado uma bola na trave, o futebol foi convincente e com muitas chances criadas. Faltou um pouco de frieza na hora da conclusão, claro, mas faz parte. Róger Guedes, por exemplo, voltou a brilhar, mas pecou justamente no momento de finalizar. Talvez seja adequado coloca-lo para treinar o fundamento nos próximos meses.

A única coisa que foi coerente com toda a história do Palmeiras nesta edição foi o gol de Mina. O zagueirão salvador não se contenta em tirar todas na defesa e sempre sobe ao ataque para marcar seus golzinhos. Borja, por outro lado, adicionou outra partida frustrante ao seu cartel dentro do clube.

O artilheiro do ano passado começou bem, mas se perdeu no meio do caminho e agora ninguém sabe qual é a sua verdadeira versão: a avassaladora em jogos decisivos ou o cara que mal consegue dominar a bola perto da área. Difícil. E Borja precisa parar de sair irritado de campo, pois a postura sempre dá margem para diversas interpretações e a mais frequente é uma rusga com o treinador. Não que isso aconteça de fato, mas Borja não está se ajudando muito.

Estava claro que o Palmeiras era muito mais time que o Tucumán e que se apertasse um pouco sairia com um ótimo resultado desta fase, encerrando com chave de ouro e entre as melhores campanhas até aqui. Contudo, o nervosismo e a postura corajosa dos visitantes dificultaram a tarefa dos comandados de Cuca. Sobretudo depois do gol de empate, com falha na saída de Fernando Prass pelo alto. O Tucumán poderia ter virado o jogo e mudado o clima da noite em São Paulo. Detalhes evitaram um desastre que já estava em curso.

Aí veio a salvação. Willian, um cara consistente ao longo deste ano, entrou no lugar de Borja para resolver a partida. E fez o seu em um lance de oportunismo e calma, tirando o zagueiro com um corte e batendo no canto. A área argentina estava uma baderna e por pouco não foi de Mina o segundo gol. Foi de Bigode, o talismã alviverde de 2017. Já nos acréscimos, Zé Roberto conseguiu mais um recorde: é o jogador mais velho a marcar na Libertadores, em toda a história. E então, somos obrigados a dizer: com a cabeça no lugar, o Palmeiras é um sério candidato ao título.

Contudo, até agora, não vimos nenhum jogo do clube que não fosse seriamente afetado pelos nervos ou pela oscilação emocional. Em certos momentos, a fragilidade vista nos primeiros meses ainda está presente. Resta a Cuca acertar estes detalhes e aparar as arestas para o mata-mata que se avizinha. É cedo para falar seriamente em ser campeão. Porque até agora, o Palmeiras só foi campeão do sufoco na Libertadores. Quando exercer sua superioridade e controlar totalmente seus nervos, aí sim estará pronto para o que der e vier.

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