Sem surpresas: Mourinho e o Manchester United outra vez no topo da Europa

A final de 2017 na Liga Europa não foi das mais emocionantes. E nem coroou a melhor história. Mas se rende novamente a José Mourinho e completa a coleção de taças europeias para o Manchester United, um gigante em processo de redenção.

Não foi exatamente do jeito que esperávamos, o Manchester United nem precisou tomar conta do jogo e o Ajax não agrediu o adversário como se esperava na Friends Arena, em Estocolmo. Na final da Liga Europa, um placar de 2-0 não refletiu grandes lances ou uma disputa acirrada. Mesmo tendo o controle sobre os ingleses, a equipe holandesa falhou em criar chances e isso resumiu o fato de terem ficado o tempo todo atrás do placar.

Decide quem pode e quem está inspirado. Pogba, que começou pegando fogo, fez o primeiro gol da noite graças a um desvio do possante Sánchez na defesa. O colombiano deu azar e se redimiu ao longo da partida, mas não foi o suficiente. Quem dera o resto do time estivesse na mesma vibração de seu camisa 5.

Foi de Mkhitaryan o gol que liquidou a partida e acabou com as esperanças do Ajax. O armênio escorou bem uma bola cabeceada para o chão e mandou para as redes de Onana, consolidando o triunfo dos Red Devils na Liga Europa. Sem criatividade, quase engessado, refém da marcação adversária, o selecionado de Peter Bosz falhou em cumprir com a proposta que lhe fez famoso ao longo da competição. Sumiram os dribles, os passes bem pensados, os ataques e a postura agressiva. Os holandeses enfrentaram uma transição rápida de um cão raivoso para um poodle mudo.

Vale sempre lembrar que este era o último título Uefa que faltava para os mancunianos, que já somam três taças da Champions/Copa dos Campeões Europeus e uma Recopa. O caneco resgata a tradição do clube e também o prestígio na carreira de José Mourinho, um mestre dos jogos mentais e que parece ter abandonado seu personagem arrogante e presunçoso que ganhou as páginas de jornais de forma negativa nos últimos anos.

Sair do Chelsea e ficar um ano fora do futebol fez bem a Mou, que se reinventou e agora parece um cara muito mais pacífico e sábio. Foi ele a chave para transformar o United em um concorrente. Não foi isso que apareceu na Premier League, mas as taças da Copa da Liga e agora na Liga Europa devem aplacar os críticos.

O United fez um jogo inteligente e cirúrgico. Todos os elementos centrais do Ajax foram anulados sem cerimônia. Dolberg, que poderia ter feito um gol para coroar grande temporada, sumiu. Traore, o camisa 9, pouco fez, sempre esbarrando na dupla de zaga do United. Essa foi a tendência de um jogo um tanto sonolento e repetitivo. Quem não chuta, não marca, e a máxima óbvia é que decretou o insucesso dos Godenzonen nesta tarde.

Mais importante que isso: o United estava tão tranquilo dentro de sua ideia de jogo, que nem sequer precisou se esforçar no ataque, não foi brilhante. A outra grande chance que tiveram foi com Lingard, mas o reserva acabou engolido por Sánchez em um lance de mano-a-mano. Não houve perigo, não houve tensão, não houve nem uma perspectiva de reação. Mesmo ficando com a bola por mais tempo, o Ajax não assustou.

A história mais interessante seria a do time que tem média de 22 anos e chegaria a um título com altos e baixos. Mas acabou sendo a do gigante que volta aos trilhos depois de alguns anos de turbulência. Está de bom tamanho, nem sempre uma decisão pode ser fantástica. No futuro, talvez enxerguemos este vice do Ajax com outros olhos, ou o primeiro grande desafio de uma geração rica em talentos e juventude.

O primeiro rei da Europa na temporada é o Manchester United. E agora os olhos do mundo do futebol aguardam quem sairá triunfante da decisão em Cardiff, entre Juventus e Real Madrid. Tradição não falta nas duas frentes de competições da Uefa.

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