Noite de Libertadores: O matador de campeões

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Botafogo resgata valentia dos primeiros jogos, bate o Atlético Nacional com autoridade e elimina o atual campeão. Classificação para as oitavas de final será mais um passo na caminhada espetacular que o Fogão vem fazendo. No outro jogo da chave, o Estudiantes acordou, mas não conseguiu se salvar.

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O Botafogo tem uma coisa muito peculiar nessa edição da Libertadores. O fato de possuir um time muito modesto, organizado e jogando no limite. Quer dizer, essas são características de uma equipe competitiva, o que prova a capacidade de Jair Ventura em compreender o futebol mesmo sendo tão jovem e com tão pouco tempo no esporte em relação a outros treinadores.

O que mais espanta não é a maneira como o Bota joga, vibra, se doa. É o fato de que, até agora, o clube de General Severiano foi o responsável pela eliminação de quatro campeões do torneio. Primeiro o Colo-Colo, depois o Olímpia, ambos pela fase preliminar. Depois, as duas vitórias contra o Atlético Nacional e o triunfo frente o Estudiantes garantiram a presença da formação botafoguense nas oitavas de final.

O Atlético Nacional ganhou bem mais que a Libertadores ano passado. Varreu a Colômbia e protagonizou um dos episódios de maior solidariedade na história do futebol. Mesmo perdendo o Mundial, os verdolagas fizeram com que cada brasileiro reservasse um pedacinho de admiração a eles na conduta com a Chapecoense.

Este mesmo time, que jogou um futebol brilhante em 2016, encontrou dificuldades para se estabelecer na primeira fase, perdendo seus três primeiros jogos. Um deles, para o Bota, em casa, por 2-0. Na noite de quinta-feira, os cariocas não deram show, mas provaram que são sérios candidatos, justamente pela coragem apresentada diante de favoritos. Sempre na posição do azarão, o Glorioso consegue encontrar brechas no sistema adversário e imprimir seu jogo com muita qualidade.

Os últimos jogos não vinham sendo bons. Mas Jair conseguiu devolver a confiança ao elenco. E a torcida respondeu bem no Estádio Nilton Santos, empurrando os jogadores do início ao fim. Esperava-se um Nacional ofensivo e desesperado atrás do placar, o que realmente aconteceu. O time de Reinaldo Rueda bem que tentou segurar a bola, partir para cima. O problema é que o Bota estava muito bem postado na defesa e disposto a sair de campo sem ser vazado.

Igor Rabello foi o grande destaque defensivo. O jovem defensor afastou todas, deu segurança à zaga, não se intimidou. Bruno Silva e Carli também se destacaram, especialmente o capitão, que conhece os caminhos para entrar na cabeça dos rivais. Quando a partida esquentou e ficou tensa após o gol de Pimpão (em dias iluminados), o Nacional se perdeu emocional e psicologicamente.

E Rodrigo Lindoso? Com nome de personagem cômico de novela, o meia apareceu para dar passes açucarados, entre eles o que culminou no único gol da noite. Em toda dividida, o Botafogo chegava mais inteiro, com mais força, no limite. Por esticar demais este limite, os jogadores fundiram no fim da segunda etapa. Pimpão e Roger saíram exaustos, Camilo sentindo a coxa. Guilherme, o talismã de Jair, quase fez o segundo e demoliu com o Atlético, tal qual havia feito em Medellín. Foi Armani o homem a evitar uma goleada alvinegra no Rio.

Se o Botafogo já chegou até aqui e jogando tão bem, ninguém mais duvida que eles podem superar suas melhores campanhas. Para quem luta e dança em cima do impossível, tudo parece ao alcance.

O triunfo inútil

Foto: Globoesporte.com

Mais cedo na noite de quinta-feira, o Estudiantes decidiu sua vida jogando em Guayaquil, contra o Barcelona, já classificado. E fez um partidaço, martelando a defesa equatoriana com três gols. Cavallari e Sánchez (2x) foram os responsáveis pelo triunfo que deu certa esperança de sobrevivência aos Pincharratas.

Quatro vezes campeão do torneio, o selecionado de Nelson Vivas fez o que se esperava dele em um confronto crucial. Sabia-se que o Barcelona não ia entrar tão firme na bola, pois não tinha nada a perder. E que nisso, as bolas cruzadas por Dubarbier tiveram papel fundamental na retomada argentina.

Primeiro Cavallari, depois Sánchez: os dois foram contemplados com passes milimétricos de Dubarbier, pai desta vitória maiúscula. No segundo tempo, entrou o presidente. Notório passador com olhos de lince, Juán Sebastián Verón deu o ar de sua graça para tentar animar a batalha. E em um lance que relembrou os grandes tempos, tomou uma bola, correu até a linha de fundo e passou no pé de Sánchez, que ainda se enrolou, mas meteu na rede.

Como comentou o sempre pertinente Eugênio Leal, do Fox Sports, faltou só um pênalti para que uma das máximas do futebol fosse repetida. Pênalti é tão importante que o presidente deveria bater. Verón merecia se aposentar definitivamente marcando um golzinho nessa Libertadores, mas tudo ficará para a última rodada, contra o Bota, também já classificado.

Os pincharratas chegam aos seis pontos e podem empatar em casa com os alvinegros para garantir ao menos uma vaguinha na Copa Sul-Americana, deixando assim o Nacional na lanterna. É a chance de Verón ser protagonista uma última vez.

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