O primeiro título francês do Monaco também foi em cima de um parisiense

Em 1961, o Monaco levantava seu primeiro troféu da Liga na França. Vencendo o rival Racing Club de Paris por apenas um ponto na tabela, os monegascos começaram uma história de tradição em solo francês. Mais de 50 anos depois, o feito se repetiu, agora contra o poderoso Paris Saint-Germain.

Não é como se o Monaco fosse um time modesto, vindo de uma cidade modesta e nunca tivesse sido campeão francês. O grande futebol apresentado pelos meninos de Leonardo Jardim é uma alternativa bem interessante ao domínio do Paris Saint-Germain. Depois de quatro títulos seguidos, os parisienses mudaram o comando, perderam Ibrahimovic e por consequência o domínio na França.

O Monaco tem muito o que comemorar. O regresso bem sucedido de Falcao García e a ascensão de um craque como Mbappé foram fatores que auxiliaram a campanha fantástica do clube monegasco na competição. Foram 92 pontos e 104 gols em 37 rodadas, restando uma para o fim. Coroado campeão com antecedência, o time de Jardim era o favorito desde a metade do caminho, quando tomou a liderança do Nice de Lucien Favre e Mario Balotelli.

Se vencer sua última partida, o Monaco ficará a apenas um ponto da melhor campanha de todas na Ligue 1, desde que a regra dos três pontos por vitória foi instaurada: o  recordista ainda é  o PSG de 2016, que somou 96. A marca artilheira da formação atual pode até ser incrível, mas ainda está bem atrás do Racing Club Paris de 1960, que somou 118 tentos (!)

O primeiro Monaco campeão da história. Ainda usando uma camisa listrada, a equipe do Principado levou a Copa da França em 1960

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Já que voltamos aos anos 1960, é justo que se diga que aquele Monaco de 1961 não só impediu o domínio do Stade de Reims, que buscava seu sexto título, como também derrotou um parisiense em sua saga até a taça. No ano anterior, o clube do Principado levantou a Copa da França com um uma camisa simples e listrada. Vale lembrar que o modelo que conhecemos atualmente foi desenhado por Grace Kelly, então princesa de Mônaco, a convite dos dirigentes da agremiação.

A temporada de estreia desta camisa concebida por Grace foi histórica. Somando 57 pontos, com 26 vitórias, cinco empates e sete derrotas, o Monaco do treinador Lucien Leduc também marcou 77 vezes, a terceira melhor marca do torneio. Logo abaixo, com um ponto a menos, o Racing Club de Paris lamentava ter morrido na praia, pois era a formação mais ofensiva, com 93 gols anotados. Lucien Cossou foi o artilheiro dos rouge-et-blanc, com 18 tentos, dez a menos do que o goleador máximo Roger Piantoni, do Reims.

Era um tempo em que o Paris Saint-Germain ainda nem havia saído do papel, e a sua fundação, em 1970, se deve ao fato de que o Racing Club havia entrado em rápido declínio em virtude de uma crise financeira no fim dos anos 1960, culminando com rebaixamento e desaparecimento do cenário nacional até a década de 1980. Por iniciativa de empresários da cidade, o Paris FC se fundiu com o Stade Saint-Germain e deu origem ao PSG, que, ao todo, foi seis vezes campeão nacional.

O Monaco, por sua vez, voltou a ser campeão em 1963, mas demorou a alcançar o terceiro troféu, em 1978. A tendência a montar elencos milionários, no entanto, teve início apenas na década de 1980, especialmente em 1988, quando sob o comando de Arsène Wenger, várias estrelas ajudaram os alvirrubros a chegar ao penta. Battiston, Amoros, Hoddle, Puel e Hateley eram os principais craques à disposição de Wenger naquela temporada.

A jovem geração comandada por Leonardo Jardim foi responsável pelo oitavo título francês do Monaco e é esta a grande ameaça ao reinado do PSG, que deve gastar muita grana para tentar retomar seu trono na Ligue 1. Por agora, a França está pintada de vermelho e branco e se rende ao talento precoce de jogadores brilhantes que recolocaram esta tradicional força de volta ao lugar que ela merece estar.

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