Noite de Libertadores: A herança equatoriana de Ronaldinho

Foto: Goal.com

Atlético Mineiro detona o Godoy Cruz no Independência e se classifica com louvor em primeiro lugar no seu grupo da Libertadores. Atuação ofensiva teve como grande destaque o equatoriano Cazares, que vive grande fase técnica pelo clube.

Quatro anos atrás, o Atlético Mineiro finalmente viveu o sonho louco de conquistar a América. Naquela ocasião, sob o comando de Cuca, além de oferecer um jogo atraente e ofensivo, também fazia questão de se colocar em situação adversa, só para ir buscar a virada ou um placar pouco provável depois.

Aquele “Galo Doido” não sai da memória da torcida e nem de outros apaixonados por futebol, independente de serem atleticanos ou não. E um dos motivos foi o retorno apaixonado de um dos nossos maiores craques: Ronaldinho. Depois de alguns anos abaixo de sua expectativa, brincando de futebol, o camisa 10 orquestrou sua equipe e fez uma primeira fase esplendorosa, com direito a golaços e presença decisiva.

Ronaldinho saiu em 2014, antes mesmo de se sagrar campeão da Copa do Brasil, mas o seu legado permanece. O novo grande camisa 10 do Atlético agora responde em outra língua, mais precisamente em espanhol. Contratado em 2016, Juan Cazares veio do Banfield como uma promessa do futebol sul-americano e não decepcionou.

É verdade que Cazares teve seus problemas extra-campo, mas nos gramados, ele sempre compensou isso com muita classe, técnica e arrojo. Na formação de Roger Machado, ele é o armador perfeito para o estilo que o técnico pretende implantar no time ao longo do ano. Contra o Godoy Cruz, marcou dois gols que merecem nota. O primeiro, em uma arrancada. Cazares saiu sozinho de cara para o goleiro e não tremeu como a maioria dos atacantes inexperientes: um toque por cobertura fez a bola cair em um arco lento por cima do goleirão argentino, quase beijando o travessão.

Juan não quer fazer apenas um gol bonito. Ele quer tentar colocar a pelota no lugar mais difícil. E quando o primeiro tempo já chegava ao fim, uma cobrança de falta decidiu o confronto, abrindo caminho para a goleada. O camisa 10 emulou Ronaldinho em seus melhores dias, colocou quase que como se tivesse usado as mãos para acertar o poste superior. A bola bateu teimosamente e tentou sair do gol, batendo outra vez no travessão. Mas o feitiço estava completo, Galo 2-0.

Elias fechou o caixão ainda no primeiro tempo, ampliando com o terceiro gol, o Godoy Cruz estava nas cordas, apenas esperando o nocaute. A defesa argentina simplesmente não conseguiu lidar com a proposta de jogo do Galo no Horto e isso criou contornos de goleada. Os alvinegros poderiam ter feito ainda mais, mas não foi necessário.

Quer dizer, não foi necessário, mas Fred precisava deixar sua marca. O goleador deste time participou do placar ao anotar um gol ao seu estilo. Triangulação na intermediária, bola para o camisa 9 que tomou a frente do marcador e espetou no alto, sem chance de defesa. Ainda que o Godoy tenha feito o seu gol, de cabeça, com Garro, o roteiro foi totalmente favorável ao Atlético, que doutrinou o seu adversário com uma competência que vale ouro em um torneio deste calibre.

É possível que o Galo chegue às oitavas com a melhor campanha entre os brasileiros, talvez até entre todos os concorrentes desta fase. Um baita incentivo para dar sequência ao bom futebol praticado até aqui, de longe com o melhor ataque da competição, marcando 17 gols. A segunda melhor marca pertence a Jorge Wilstermann e Deportes Iquique, com 12.

Estamos diante de um grande favorito, que certamente possui um elenco capaz de chegar até a final. A ver como o Galo vai se portar quando pegar outros grandes candidatos. A fase preparatória, sem dúvida, deu gosto de ver.

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