Os 20 anos do último grande Newcastle com Alan Shearer

Vice campeão inglês em 1997, o Newcastle mostrou força e contou com os gols de Shearer para uma campanha histórica na Premier League. Arrancada da equipe alvinegra foi a última grande campanha do clube na elite nacional.

De volta à Premier League após uma temporada na Championship, o Newcastle olha para o passado para tentar resgatar suas glórias. Sob o comando de Kevin Keegan e posteriormente Kenny Dalglish, o time alvinegro chegou a sonhar com o título em 1997, mas acabou ficando apenas no retrovisor do Manchester United.

Dois anos antes, em 1995, o Blackburn se sagrava campeão após uma série de investimentos altos feitos no elenco. E Dalglish, o comandante da embarcação, contou com a ajuda de um certo Alan Shearer para o feito. A dupla se reencontrou em St. James’s Park quando Kevin Keegan foi sacado do cargo, em janeiro de 1997. Pouco mais de uma semana antes, com Keegan no banco, o Newcastle castigou o Tottenham com um impiedoso 7-1.

O choque pela saída inesperada de Keegan afetou o elenco, mas Dalglish conseguiu recuperar a moral de cada jogador para devolver o clube a uma posição de concorrente ao título. Estamos falando de um grupo modesto, mas que contava com Pavel Srnicek, David Ginola, Faustino Asprilla, Shearer, Les Ferdinand, Lee Clark, Peter Beardsley, Keith Gillespie, Rob Lee e Philippe Albert.

Keegan saiu e o time estava em quarto lugar. Não se sabia que o Newcastle podia ir além disso. Outro fator curioso é que não havia tanta pressão. Afinal, a equipe de Tyne-side não vencia a Liga desde 1927, em termos bem diferentes dos que a Premier League encontrava nos seus primeiros anos da década de 1990. Fato é que as coisas se encaixaram e os Magpies foram para as cabeças.

A arrancada

O futebol praticado pelo Newcastle era envolvente. O ataque comandado por Shearer e Ferdinand se mostrava eficiente e provavelmente terminaria como o melhor da competição. Nos primeiros jogos de Dalglish, a incerteza: dois empates por 2-2 contra Aston Villa e Southampton deram a ideia de que algo pudesse estar quebrado. Mas uma boa reação recolocou os comandados do escocês nos trilhos.

Duas vitórias com quatro gols reanimaram a torcida. Primeiro um 4-1 contra o Everton, depois um 4-3 diante do Leicester, com direito a triplete de Shearer, uma força imparável dentro da área. Outra vez, a instabilidade acabou prejudicando a campanha. Duas derrotas seguidas para Southampton (em casa) e para o Liverpool (4-3 em Anfield) ameaçaram o segundo posto. E até o fim, o Newcastle seria ultrapassado algumas vezes até firmar o passo para garantir o vice. Ao menos, não perderam mais.

Em contraponto à Premier League, os Magpies disputaram a Copa da Inglaterra, a Copa da Liga e a Copa Uefa naquela temporada. E o resultado mais expressivo em mata-matas foi o europeu, com uma campanha de quartas de final. Os ingleses perderam para o Monaco em casa e no Principado, por 3-0, com dois gols de Benarbia e um de Legwinski.

Depois da derrota para o Liverpool, o Newcastle reagiu bem e fez 4-0 no Coventry, mas voltou a oscilar e empatou três partidas seguidas, incluindo um dérbi com o Sunderland. Tudo se acertou depois quando os alvinegros engataram mais três triunfos seguidos ante Chelsea, Derby County e Arsenal, em pleno Highbury. Como o United já estava praticamente com a taça na mão, restava apenas lutar para assegurar a segunda colocação.

Empates sem gols contra West Ham e Manchester United custaram o segundo posto na penúltima rodada. Com Arsenal e Liverpool na briga, coube ao Newcastle enfrentar o Nottingham Forest, em casa, para decidir sua vida. Um tropeço poderia custar caríssimo, colocando em risco a classificação para a Liga dos Campeões.

Foi aí que a estrela brilhou. Com um sonoro 5-0 em cima do lanterna e já rebaixado Forest, Asprilla, Ferdinand (2x), Elliott e Shearer entubaram os Reds para ficar com a vaga na Champions. O domingo de 11 de maio de 1997 reservou uma enorme festa para a torcida, consolidando tempos esperançosos em St. James’s Park.

No ano seguinte, a expectativa era grande, apesar das saídas de Ferdinand, Clark, Beardsley e Ginola. Nas Copas, o Newcastle foi mais longe, alcançando a final da Copa da Inglaterra e perdendo para o Arsenal, a fase de grupos da Champions (ficando em terceiro), além da participação nas quartas da Copa da Liga.

Entretanto, o 13º lugar na Premier League foi desastroso para as ambições do clube, que havia contratado os veteranos John Barnes, Ian Rush e Stuart Pearce para a disputa. As velhas glórias não vingaram e Dalglish eventualmente perdeu o cargo em agosto de 1998, sendo substituído por Ruud Gullit. E o Newcastle não foi muito melhor que isso nos anos seguintes…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *