A cortina de fumaça sobre a aposentadoria de Totti

Uma semana depois do anúncio de Monchi sobre a aposentadoria de Totti, o próprio jogador vem a público para jogar um pouco mais de dúvida sobre o fim de sua carreira como atleta. Apontado como futuro dirigente do clube, Francesco despistou sobre a possibilidade.

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No ano passado, quando anunciou a renovação de seu contrato, Francesco Totti tinha 39 anos. Pronto para mais uma temporada pela Roma naquela ocasião, o eterno capitão acabou frustrado por não jogar tempo o suficiente. A guerra fria com Luciano Spalletti nos bastidores também ajudou nessa desmoralização lenta e gradual do novo Rei de Roma.

Fato é que a Roma contratou um novo diretor esportivo, o competentíssimo Monchi, responsável por uma fase dourada do Sevilla, incluindo cinco títulos da Liga Europa. Neste contexto de renovação dentro do elenco e das práticas romanistas, Totti teria seu poder reduzido sem estar em campo e atuando apenas como cartola.

Entretanto, deter uma estrela deste tamanho nos remete à aquele velho ditado: se você não pode vencê-los, junte-se a eles, o que vale para o presidente James Pallotta, figura distanciada da realidade do clube que se queimou um pouco com a gestão do fim da carreira de Francesco.

A única coisa que faltou neste intervalo de uma semana foi perguntarem ao próprio Totti o que ele tinha a dizer sobre o assunto. E em um evento da Federação Paraolímpica Italiana, o camisa 10 giallorosso resolveu fazer algum mistério. Perguntado sobre a sensação de entrar em campo pela última vez contra o Genoa, na Serie A, Il Capitano disparou:

“Meu último jogo será em 28 de maio? Não sei…”

Francesco não aprendeu a dizer adeus e ainda não sabe se vai se acostumar

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A incerteza é um artifício interessante nesse contexto. Muitos sabem que Totti gostaria de estar mais presente como jogador, mas por decisão de Spalletti, pouco apareceu em sua última temporada. Como o clube não explora os últimos passos de sua lenda da forma apropriada, é justo que Francesco tome as rédeas e conduza a sua aposentadoria como acha que deve.

E também há que ser dito que o capitão sempre foi uma figura midiática que soube trazer a imprensa a seu favor em várias ocasiões. O mundo todo trata a despedida em 28 de maio como uma certeza. Como Totti sabe que pode chamar a atenção para a partida e criar certo suspense em torno disso, nada mais justo do que colocar em dúvida a sua permanência no futebol.

Desde 1993, a realidade da Roma tem sido contar com Totti em campo. Ao longo de duas décadas, ele foi quebrando recordes, conquistando corações e a admiração do povo, até mesmo gente que não é romanista. Campeão do mundo com a Itália, vencedor da Serie A e com dois títulos de Copa da Itália, Francesco está perto de pendurar as chuteiras e virar uma lenda definitiva.

É fato que seu desfecho não é tão glorioso quanto se imaginava e que ele tem muito menos importância desportiva do que merece como bandeira romanista. A não ser que ele esteja disposto a se doar no momento mais difícil de sua trajetória, projetar mais um ano de Totti com esta camisa é apenas uma loucura, um sonho de todo torcedor que não se vê apoiando este time sem a grande referência do camisa 10 no ataque.

O “talvez” sinalizado por Totti pode ser apenas uma provocação aos que quiseram aposentá-lo com antecedência e sem seu aval público. Em suma, ele não reúne mais condições para suportar as rotinas de mais uma temporada, sobretudo diante de tão pouco tempo para entrar em ritmo de jogo.

Ao longo de sua vida, o romano aprendeu a tirar o coelho da cartola para salvar a Roma de enrascadas, o que definitivamente o colocou como um dos maiores jogadores da história do futebol italiano. Quem sabe esta manobra de agora não seja mais um de seus velhos truques.

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