Noite de Libertadores: A vaga iminente que virou dor de cabeça

Foto: Globoesporte.com

Botafogo começou a partida contra o Barcelona precisando apenas de uma vitória para se classificar com antecedência. Entretanto, planos foram frustrados após uma atuação bem abaixo da média que culminou em derrota para os equatorianos. Enquanto isso, o campeão Atlético Nacional ressurge das cinzas.

Uma noite melancólica

No Nilton Santos, noite de Libertadores é sempre uma festa linda e alvinegra feita pela torcida do Fogão. Teve mosaico em 3D com o escudo do clube, gente gritando, animação, uma coisa bem no clima que uma partida de Libertadores merece. E melhor: com três pontinhos, o Bota estaria nas oitavas, seguindo sua honrosa caminhada no torneio.

Diante do que vimos na última rodada, o Botafogo merecia ter vencido o Barcelona em Guayaquil. Não, não é exagero, não é viagem, não é comprar o berro de Jair Ventura. É simplesmente reconhecer que a proposta apresentada no Equador só não rendeu uma vitória por detalhe. E que, mediante estes fatos e o desempenho fora de casa, o Bota saía como favorito para o confronto da última terça-feira.

Mas o futebol não costuma ser tão óbvio assim. E Ayoví abriu o placar depois de ganhar na corrida de Carli e botar a bola por entre as pernas de Gatito Fernández. Trágico. Com sete minutos, o time de Jair teria de buscar a virada, assim como no jogo passado. A defesa não estava tão ligada assim, o meio-campo errou demais e o ataque não agrediu o Barcelona como se esperava. Dentro deste prognóstico e do contexto do duelo, os visitantes cresceram em mais um gol.

Quando Alvez cabeceou para a frente e ainda assim conseguiu ganhar no pique do defensor, o estádio inteiro sentiu a tensão. E quando o veloz e farofeiro atacante do Barcelona deu um toque para o alto e venceu Gatito, ficou aquele clima de fim de festa, logo depois que uma briga estoura no salão. Completamente rendido, o Glorioso precisava juntar os cacos para tentar uma reação incrível na segunda etapa. Ao menos era este o script na cabeça dos torcedores. Quem está nas arquibancadas sempre pensa que isso é possível.

As lesões de Camilo e Emerson Silva também prejudicaram o desempenho do alvinegro, que tentou sem eficiência furar o bloqueio visitante. Foi o que chamamos de nó tático, quando uma equipe consegue neutralizar a proposta adversária e executar uma partida como enxadristas fariam nos movimentos que antecedem um xeque-mate.

A noite carioca foi mesmo do Barcelona, que se classificou e mordeu uma das vagas do grupo com a ajuda de seu goleiro de boné e do seu camisa 9 que usa calça térmica por baixo do calção e dos meiões. Como sempre, o Bota terá de remar para alcançar as oitavas de final. Terá pela frente, em casa, o Nacional. E depois, se já não estiver com a vida resolvida, pega o Estudiantes em La Plata.

O campeão redimido

Muita gente deu o Atlético Nacional como mortinho depois de um primeiro turno ridículo na Libertadores. O atual campeão da bagaça não somou sequer um ponto em três partidas. Mas isso não significava uma eliminação prematura. Com nove pontos ainda em jogo, os colombianos se superaram para bater o Estudiantes em Medellín e sobreviver na competição.

O placar de 4-1 é emblemático e mostra que o time tem muito o que oferecer. Pouco importa o desmanche sofrido durante 2016, o futebol continua tão atraente quanto o do ano passado. As novas peças podem até não ser tão famosas e carimbadas como as que foram campeões, mas os Verdolagas são fortes. Ainda.

A primeira vitória atleticana foi em grande forma: Uribe, Dayro Moreno, Díaz (contra) e Macnelly Torres alegraram a torcida com gols importantes na vitória maiúscula diante dos pincharratas. Dentro de campo, o velho maestro Verón pouco pôde fazer para salvar seus companheiros. O Estudiantes é bem menos capaz do que se pintava e está sendo o favorito a ficar com a lanterna da chave. A questão aqui é que tudo pode acontecer, menos o Barcelona ficar sem a vaga.

Três equipes lutam pela última passagem para o mata-mata. Dois deles são campeões. Um deles estava em vantagem até o começo da rodada e pode encerrar a próxima jornada com o temor real de ser eliminado. Ninguém mais duvida deste Atlético, que pode muito bem vencer seus dois compromissos e chegar aos nove pontos. A dúvida recai agora sobre o Botafogo, que se colocou em uma posição muito arriscada e não pode mais perder pontos.

Uma vitória em dois jogos basta aos botafoguenses. Ainda que seja derrotado pelo Nacional em casa, vencer o Estudiantes já serve para sobreviver. Mas vocês conhecem o Botafogo: nada acontece sem uma pitada de emoção pelos lados de General Severiano.

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