Modric saiu da Croácia como sósia de Cruyff e ganhou a Europa

Desde 2003, a carreira de Luka Modric mudou consideravelmente. Lançado pelo Dinamo Zagreb e cotado como uma das promessas mais interessantes da Croácia, o meia ganhou o mundo até assinar com o Real Madrid e se sagrar bicampeão europeu.

Fisicamente, é difícil olhar para Luka Modric e não enxergar uma imagem jovem de Johan Cruyff. Os traços presentes no rosto do croata fazem um paralelo com o gênio holandês. Em certo ponto da carreira, Luka também quis homenagear o ídolo usando o número 14 no Tottenham e na seleção. Era tudo que ele precisava para ganhar também a atenção fora dos gramados.

Sim, como se não bastasse, o jovem meia nascido em Zadar também teve a quem puxar na forma de conduzir a bola. Quando garoto, sonhava em repetir os passos de Johan, mas sabia que seria difícil chegar perto da revolução promovida pelo astro dos anos 1970. Fato é que aquele sósia de Cruyff estava gastando a bola entre os juvenis. Em 2001, quando tinha apenas 16 anos, se juntou à bem-sucedida categoria de base do Dinamo Zagreb. Estar no melhor lugar para se desenvolver no país era o primeiro passo para o estrelato.

O craque prematuro

Luka, com uma réplica da camisa usada por Cruyff na Copa de 1974: não era mera semelhança com o ídolo holandês

De Zagreb até uma Copa do Mundo havia uma longa distância. Que Luka percorreu com muito talento, liderança e foco. Aos poucos, a habilidade e a qualidade no toque de bola foram aparecendo. Mesmo assim, os dirigentes do Dinamo não estavam convencidos. Precisaram emprestar Modric duas vezes antes de receber um jogador lapidado e pronto para explodir. Entre 2003 e 2005, o meia defendeu o Zrinjski, da Bósnia, e a Inter Zapresic, equipes bem menos relevantes. Mesmo muito jovem, conquistou o prêmio de melhor jogador da Bósnia em 2003, no ano em que estreava como profissional.

Apenas em 2005, quando retornou de Zapresic, foi aproveitado da forma ideal pelo Dinamo. E nunca mais ousaram duvidar dele depois disso. Fez alguns jogos como titular em 2004-05, na metade final da temporada. Meses depois, participou de 32 partidas, fez 8 gols, foi campeão croata e se estabeleceu na formação titular, fazendo uma dupla memorável com Eduardo da Silva, outro que estava em evidência.

Eduardo, aliás, anotou 46 gols na temporada 2006-07, muito em função das bolas que recebia de Modric, o melhor jogador da Liga em 2007. Dali em diante, empilhou troféus pessoais e ganhou fama pelo que vinha fazendo por clube e seleção. Com a camisa 14 que Cruyff marcara época, Luka estreou em Copas do Mundo na edição de 2006, na Alemanha, mesmo palco onde o planeta se viu abismado com o Futebol Total proposto por Rinus Michels e seus comandados. Exceto que os axadrezados não fizeram tanto sucesso assim e foram embora ainda na primeira fase.

A realidade Modric

Capitão do time, tricampeão croata, titular da seleção: Modric já era uma certeza dentro do país. Restava saber se ele ia atuar de acordo com o seu potencial quando saísse para o exterior já com considerável experiência. Nessas voltas que a vida dá, ele teve a chance de fazer um jogo especial pela Copa Uefa em 2007-08, contra o Ajax. Mais curioso que isso, impossível.

O Dinamo superou o Ajax nos playoffs da competição, avançando para a fase de grupos. Não passaram dali, mas era o suficiente para alçar um voo para fora do país. Outros clubes já estavam de olho nele, como o próprio Barcelona. O diário “Mundo Deportivo”, atento à movimentação, presenteou Luka com uma camisa do clube catalão. E aí começaram as comparações de fato. A equipe croata sabia que não podia segura-lo por muito mais tempo e a questão passou a ser para onde ele iria se mudar ao fim da temporada.

Em um 26 de abril, mas de 2008, o Tottenham fechou acordo com o meia por 16 milhões de libras. Modric estreou em agosto com a camisa dos Spurs, contra o Middlesbrough. O impacto foi imediato. Mesmo ocupando uma posição mais defensiva do que nos tempos de Dinamo, ele se provou um grande jogador e com notável capacidade de criação. Não era de fazer muitos gols, mas estourou rapidamente como motorzinho na Inglaterra.

Quatro temporadas depois, apontado como o grande jogador de sua geração na Croácia, finalmente foi para a Espanha como se esperava. Entretanto, não para vestir o blaugrana do Barcelona, e sim para desfilar pelo Real Madrid. Três Eurocopas e duas Copas do Mundo depois, Modric chega aos 31 anos bem mais estimado, tendo um bicampeonato europeu e mundial por clubes no currículo. Faltava mesmo era um título espanhol. Mas este está mais perto do que nunca.

Claro que Modric jamais vai alcançar o nível ou o status de Cruyff no imaginário do futebol internacional. Mas encerrar sua carreira acima das expectativas e com um belo legado pela seleção já basta para qualificar toda a sua trajetória.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *