Noite de Libertadores: A coragem vale ouro

Foto: Globoesporte.com

Em noite de empates para os brasileiros na Libertadores, o Botafogo roubou a cena fazendo uma grande partida contra o favorito do grupo. No atual contexto, segurar o Barcelona de Guayaquil no Equador é um grande mérito. O Grêmio, por outro lado, passou perto de vencer o Guaraní em Assunção.

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O Grêmio também esteve em Assunção para a rodada da Libertadores. Para enfrentar o Guaraní, a equipe de Renato Portaluppi foi com um mistão para o duelo. Bizarramente priorizando a semifinal do Gauchão no domingo, o técnico não colocou em campo seus principais atletas, o que se mostrou decisivo para o empate em 1-1.

Sem criatividade e dependendo da inspiração de Barrios no ataque, apoiado por Fernandinho, o Grêmio teve a atuação mais limitada entre os brasileiros nesta semana. Michel foi expulso por bobagem e quase comprometeu os colegas na noite de quinta-feira. Obrigado a improvisar e tirar o coelho da cartola, Renato chamou Pedro Rocha em um momento que caminhava para o desastre.

Com um a mais, o Guaraní também tinha um coringa. O veteraníssimo Rodrigo López, um atacante com história no continente e no alto de seus 39 anos. Em seu primeiro lance, o uruguaio completou uma jogada fulminante de ataque e cabeceou para o fundo da rede de Marcelo Grohe. Era a punição pela má escolha inicial de Renato, sem falar no erro isolado de Michel.

O futebol tem dessas. Um time que é cascudo pode voltar ao jogo em poucos lances. Tentando tocar a bola, o desentrosado Grêmio ainda sabia mostrar um pouco de garra, suar bicas para conseguir um resultado. Com ajuda de Arthur, que meteu uma bola incrível por cima da zaga, o predestinado Pedro Rocha correu e bateu no canto para empatar. Desesperada, a equipe aurinegra tentou fazer pressão e devolver o golpe, sem sucesso.

Por outro lado, o mesmo Pedro Rocha ainda teve a chance de ouro da noite. Recebeu no exato lugar onde havia feito o primeiro, tirou os marcadores da jogada e bateu colocado. Desta vez, acertou a trave. O Imortal esteve a um passo de vencer e chegar ao seu nono ponto na competição. A frieza para decidir agora é fundamental para ganhar confiança e voar na segunda fase. Detalhes como este separam o campeão com sorte do lutador azarado.

Para quem convive diariamente com a necessidade de recuperar a relevância continental, dar de ombros para a Libertadores mirando uma semifinal de Estadual é no mínimo incoerente. Que Renato acerte em suas prioridades e faça deste empate em Assunção um divisor de águas. Para a sorte do treinador, o grupo não oferece grande nível de disputa e o Grêmio pode acabar a primeira fase liderando tranquilamente. Mas que a partida contra o Guaraní foi uma transa em filme de terror, disso não há dúvida.

Sassalvador da pátria

Você conhece Sassá. Sabe que ele é o mais próximo que o Botafogo chegaria de contratar Balotelli um dia. Problemático fora de campo, mas capaz de lampejos e momentos de craque, o atacante saiu do banco de reservas para mudar radicalmente o destino dos cariocas na partida.

Faltou dizer que o adversário de hoje era o Barcelona, o outro líder da chave e que já tinha surrado o Atlético Nacional e o Estudiantes. No duelo pela ponta, os dois times fizeram um jogaço no Monumental de Guayaquil. E que começou em ritmo elétrico, com um pênalti a favor do Alvinegro com menos de dois minutos. Camilo, camisa 10 e candidato a protagonista da noite, telegrafou a batida e esbarrou no goleirão Banguera, um fanfarrão de marca maior. O equatoriano ainda pegou o rebote do chute, salvando o Barcelona de sair atrás no placar muito cedo.

É fácil sintetizar o que foi o resto da partida. A máxima do “quem não faz, toma” ensinou uma dura lição ao Bota. A ineficiência impediu a equipe de Jair Ventura de conseguir uma vitória maiúscula em solo equatoriano. Pois uma bola na trave e outras dezenas de chances minguaram no ataque botafoguense. Roger, que deveria ter sido encarregado de empurrar para a rede, estava especialmente lento e anulado pela marcação.

Continua impressionante como o Botafogo se empenha em todos os jogos decisivos. A estratégia de lutar até morrer é o que faz o Bota estar um degrau acima dos outros brasileiros na competição. Nenhum outro esteve tão organizado e tão consciente do que fazer quanto o elenco de Jair. Evidente que seria exagero dizer que este Bota dá show e faz sonhar, mas a coragem e a entrega valem ouro nesta competição.

O Barcelona não fez uma grande partida, mas abriu os trabalhos com um golaço de Alemán, com direito a drible curto em Gatito Fernández. Outra curiosidade: mesmo perdendo, o Botafogo continuava comandando as ações. Guilherme e Sassá, então, entraram e mudaram o panorama que caminhava para ser extremamente frustrante. A expulsão de Mena por falta em Guilherme bagunçou o Barcelona, que já estava no seu limite.

A falta de Camilo não entrou, mas serviu de gancho para o que viria logo depois. Um pênalti estabanado de Arreaga, que havia acabado de entrar, deu outra chance ao Glorioso. Sassá se credenciou para bater. Sem titubear, o garoto-problema virou garoto-solução. O Bota foi buscar o empate que valeu a liderança momentânea. Claro, poderia ter comemorado a vitória, mas os passos são cautelosos rumo à segunda fase.

Agora já parece bem provável colocar o Bota nas oitavas, em uma campanha que a torcida vai lembrar por décadas. É preciso aproveitar o cochilo do Atlético Nacional e somar os próximos três pontos em casa, contra o mesmo Barcelona atrapalhado desta quinta-feira. Como é bom este Jair Ventura. O nome da ressurreição botafoguense desde 2016. Todo elogio ao comandante alvinegro é pouco.

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