Os dois jogaços que consagraram o Napoli como campeão da Copa Uefa

Depois da glória dentro da Itália, Diego Maradona liderou o Napoli ao título da Copa Uefa em 1989. Foram duas batalhas memoráveis contra o Stuttgart antes da consagração de um trio estrangeiro que deixou saudades no San Paolo.

O Napoli mudou completamente de patamar após a chegada de Diego Maradona, em 1984. Com ele, foram dois scudetti, uma Copa da Itália e uma conquista na Copa Uefa. Analisar aquele período maradoniano é acima de tudo reconhecer a magia que o argentino trouxe para a equipe italiana e para a Serie A como um todo.

Em um tempo extremamente competitivo em que a grande parte das equipes de elite contava com estrangeiros de alto nível, Maradona foi a força por trás do sucesso napolitano dentro e fora do país. Em 1989, um dos anos mais brilhantes do craque com a camisa do clube, a Copa Uefa ficou pequena para tanta monstruosidade.

O caminho do Napoli até o topo foi repleto de pedreiras. Do PAOK até o Bayern, nas semifinais, muita água rolou. Neste interim, Maradona e seus companheiros, comandados por Ottavio Bianchi, tiveram adversários como a Juventus e o Lokomotiv Leipzig em duelos de margem apertadíssima. A prova de fogo, naturalmente, aconteceu contra a Juve, nas quartas de final.

Forçado a reverter um placar de 2-0 em casa, o Napoli marcou com Maradona e Carnevale no tempo normal, provocando o tempo extra. No último minuto, quando a massa napolitana já aceitava uma disputa de pênaltis, Renica completou uma jogada de cabeça, vencendo Tacconi. Em cima da hora, para salvar os donos da casa.

Contra o Bayern, apesar da tradição envolvida, a semifinal foi um pouco mais tranquila para os italianos. Uma vitória por 2-0 com gols de Careca e Carnevale encaminhou bem a vaga na decisão. Em Munique, no entanto, os bávaros mostraram força e quase complicaram tudo. Brilhou a estrela de Careca novamente, com dois gols. Os alemães buscaram o empate em 2-2 com Wohlfahrt e Reuter, mas não foi suficiente. O que o Napoli não esperava era ter de voltar à Alemanha para decidir sua vida.

A hora da verdade

Cada lado tinha o seu astro. Se o Napoli contava com Careca, Alemão e Maradona para chegar longe, o Stuttgart vinha impulsionado pelos esforços de Klinsmann, Gaudino e Katanec. O técnico, Arie Haan, ao menos pelo seu passado como jogador, sabia muito do assunto de jogar bonito. Conforme ia se aproximando o desfecho do torneio, os suábios sentiram a pressão aumentar. O duelo acirrado contra o Dynamo Dresden quase culminou no fim da campanha para eles, nas semifinais.

Com Maradona em grande forma, o Napoli era favorito. Mas ninguém entendia que isso era sinônimo de vitória garantida. Repleta de reviravoltas, o confronto foi um belo espetáculo de encerramento na edição de 1989 na Copa Uefa. Em 3 de maio, o primeiro ato foi realizado em Nápoles, no San Paolo. Gaudino abriu o placar em uma cobrança de falta ensaiada. Para a sorte do meia, o chute foi potente e em cima do goleirão Giuliani, que espirrou o taco e engoliu um frangaço, aos 17 minutos.

A reação só veio no segundo tempo. Em um pênalti, Maradona deixou tudo igual, com 67 minutos no relógio. Para dar um sabor especial à vitória, Careca virou para os donos da casa, após grande jogada de Carnevale. O brasileiro recebeu, se enrolou com a bola, mas conseguiu arrumar o corpo e bater rasteiro, de cara para o goleirão Immel. Festa no sul da Itália.

Contudo, ainda restavam 90 minutos para que se conhecesse o campeão. E em solo germânico, as coisas pegaram fogo no desfecho daquela Copa Uefa. Desta vez, foi o Napoli que começou dando as cartas. Alemão recebeu uma bola precisa de Careca e entrou na área apenas com Immel para impedir o gol. Um toque fraco serviu para vencer o goleiro, que viu a bola entrar lentamente nas redes para anunciar a abertura no marcador.

Craque que é craque, sempre faz das suas em um momento capital. Aos 27, Klinsmann colocou o Stuttgart de novo no jogo. Com um escanteio cobrado no segundo pau, o camisa 9 subiu e testou por cima de Giuliani, que saiu pelo alto e não achou nada. A bola repousou no canto superior direito. Sem tremer, o Napoli se apresentou para o combate e foi buscar o segundo, em outro escanteio. Klinsmann afastou o perigo, mas Maradona recuperou, tocou de cabeça para Ferrara, que apareceu só para complementar em um chute de primeira. Parecia futebol de areia em seu ápice.

O intervalo não esfriou os ânimos. Mais Napoli na carga. A equipe de Bianchi seguia amassando o adversário para impor sua superioridade. Maradona desceu carregando a pelota, entortou Hartmann e rolou para Careca, que estava em ótima condição na área. Com frieza, o matador viu Immel saindo e deu uma cavadinha para consolidar a vantagem de 3-1 para os partenopei. Jogo encerrado? Nada disso.

O Stuttgart foi um adversário à altura de seu desafio. Restando 20 minutos, nada estava perdido. Gaudino tentou um passe para o miolo da área e foi auxiliado por uma bobagem do volante De Napoli, que tentou cortar e acabou desviando para a própria rede.

A equipe de Maradona cozinhou o jogo e administrou até os minutos finais, quando veio mais um susto na base do fogo amigo: De Napoli foi recuar para Giuliani e voltou um passe pelo alto em direção à sua defesa. Schmäler, que estava atento, correu para o espaço livre na área italiana e teve tempo de sobra para se posicionar e tocar de cabeça na saída de Giuliani. Um vacilo gigante que poderia ter custado caro, aos 89: empate suado por 3-3.

A missão alemã era de fazer mais dois gols nos acréscimos para ficar com a taça. Mas não havia muito mais tempo ou brechas da defesa napolitana para isso. De Napoli não tocou mais na bola e o juiz apitou pela última vez, coroando o bravo esquadrão celeste. Apesar das entregadas, o final foi feliz e Maradona levantou orgulhoso a sua primeira e única taça europeia na carreira. Não à toa que El Pibe é cultuado como um deus quando visita Nápoles.

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