Noite de Libertadores: A experiência sobrenatural de Ricardo Oliveira

Foto: GloboEsporte.com

Noite difícil para os brasileiros na Libertadores teve derrota do Galo e empate valioso para o Santos, que seguiu na ponta da sua chave. Entretanto, rodada ficou marcada pela gafe da “morte” de Ricardo Oliveira antes da bola rolar em Bogotá.

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Um empate exemplar na Colômbia

O Santos começou a partida contra o Santa Fe em luto. Pela terceira rodada do grupo 2, o Peixe e toda a torcida local em Bogotá respeitaram um minuto de silêncio pela morte de Kaneco, ponta-direita que passou pelo clube nos anos 60. Apesar de ter ficado pouco tempo na equipe praiana, o atleta participou de um dos gols mais memoráveis da Vila Belmiro, em 1968, pelo Paulistão, contra o Botafogo-SP.

A perda pareceu ainda mais dolorida quando o sistema de som do estádio El Campín anunciou que Ricardo Oliveira havia morrido e que os presentes deviam prestar condolências. As câmeras não flagraram o ilustre “defunto”, mas ao que parece, os santistas estavam tão concentrados que nem perceberam. Só o resto do mundo notou.

Quando a bola rolou, Ricardo Oliveira bancou o protagonista de “A volta dos que não foram” e tentou fazer a sua parte para colocar a bola na rede. O Santos sofreu um pouco com a altitude de Bogotá e subiu menos ao ataque do que poderia. Do outro lado, o Santa Fe se enrolou para fazer os visitantes sangrarem. O empate sem gols serviu para o Peixe, que segurou a liderança da chave e mesmo com 10 em campo (Jean Mota foi expulso por cera na segunda etapa), criou a melhor chance.

Das poucas oportunidades reais de gol, Victor Ferraz recebeu bom passe de Lucas Lima e bateu do meio da área. Com mais sorte que juízo, o goleirão Castellanos contou com a trave para evitar o que seria o gol da vitória santista, já no fim da etapa complementar. Quando viveu momentos de apuro, o Santos segurou a barra e Vanderlei não precisou trabalhar tanto.

A verdade é que, como alguém que jogava fora de casa, o Santos foi exemplar, somou um pontinho vital para se classificar com antecipação. Poderia ter vencido, mas o empate não é de todo ruim. Sobretudo diante de uma equipe com grande potencial dentro da competição e que se impõe bastante quando joga em Bogotá. Se nessas condições o Peixe pôde fazer um bom papel, mal podemos esperar pelo confronto na Vila Belmiro. Ser eficiente não é só colocar a bola na rede em todas as chances possíveis, mas também saber resistir à pressão e anular as ofensivas do adversário.

De tão vivo que estava no jogo, Ricardo Oliveira não gostou de ter sido substituído. Saiu bravo e chutando um copo d’água, claramente contrariado. Faz parte. Só quem quer jogar o tempo todo é que se irrita com este tipo de coisa. Vida longa a Ricardo e força aos familiares de Kaneco, o inventor do belíssimo drible chamado de lambreta.

Choveu pra cacete

Foto: UOL

Todos os planos do Atlético Mineiro para a noite de quarta-feira foram atrapalhados pelo molhado clima em Assunção, no Paraguai. Diante do Libertad, o Galo tropeçou e perdeu sua primeira partida na Libertadores. Chuva, desatenção, campo pesado, uma presença inesperada dos paraguaios no ataque. Foi uma noite irritante para a massa atleticana.

Logo no primeiro tempo, viu-se que o Atlético de Roger Machado não estava exatamente preparado para o confronto. Há que se levar em conta o ambiente completamente novo e a situação do gramado. Fato é que o Libertad surpreendeu com a sua fome de bola e mesmo tendo de improvisar com passes por cima das poças d’água, envolveu o Galo em sua teia.

O gol da vitória foi uma prova concreta de como o Atlético não estava em seus melhores dias. Com calma, os paraguaios vieram tocando a bola até que Lucena recebeu e bateu rasteiro para o gol. Lento na queda, Giovanni colaborou para que o arremate passasse debaixo do seu corpo, em uma falha crucial para o desenvolvimento da partida.

Seria presunçoso demais afirmar que o Galo não contava com o gol. Mas que a desvantagem mexeu com a cabeça do time, não há dúvidas. O apelo para bolas longas e jogadas forçadas apagou um pouco a boa impressão do jogo passado, marcado pelo atropelamento contra o Sport Boys. Fred, que brilhou com quatro gols no Horto, pouco fez em Assunção e saiu sentindo dores musculares para dar lugar a Maicossuel, que não desistiu de correr para brigar pela posse.

Durante os 90 minutos, o Atlético lidou com um oponente que apostava em ataques pelas pontas. Aproveitando a fragilidade defensiva demonstrada nesta rodada, o Libertad bem que poderia ter feito mais gols. Dos males, o menor: não vai ser pelo saldo que o Atlético vai viver um drama no grupo.

Estes pontos podem facilmente serem recuperados no Independência, não é como se a vaga atleticana estivesse arriscada com este revés. A julgar pelo elenco e pelo treinador, este time vai longe e não é um Libertad mediano que vai provar o contrário.

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