O ano em que o Parma conquistou uma dobradinha de títulos

Houve um tempo em que o Parma despontava como uma das sensações do futebol europeu. Bicampeão da Copa Uefa nos anos 1990, o time conseguiu uma dobradinha inesquecível em 1999, com um time de dar inveja a muito gigante.

Impulsionado no início da década de 90 pela grana da Parmalat, o Parma surgiu para o futebol italiano com muita força e logo se estabeleceu como um sério concorrente aos principais títulos do país. Aos poucos, um esquadrão foi montado pelos crociati. E o investimento alto deu resultado: títulos nacionais e continentais colocaram o antes modesto clube emiliano no mapa do futebol europeu.

Em 1993 e 95, o Parma já conhecia o caminho até a glória, quando dominou a Recopa Uefa e a Copa Uefa. Quatro anos depois, veio o maior título daquela geração, com elenco simplesmente memorável. Do goleiro até o último atacante, estrelas de projeção internacional. E o uniforme não ficava devendo em termos de beleza.

Crespo, a força letal no ataque gialloblu

Treinado por Alberto Malesani, a equipe auriazul teve uma excelente campanha em 1998-99, chegando em quarto lugar na Serie A. Mas o que faz aquele ano inesquecível foi a incrível dobradinha. Para se ter uma ideia do fenômeno, o camisa 9 Hernán Crespo marcou 28 gols em todas as competições (16 apenas na Serie A). E o time acompanhou o desempenho de seu artilheiro.

Além de Crespo, o Parma de Malesani tinha Buffon, Benarrivo, Sartor, Sensini, Apolloni, Fuser, Dino Baggio, Asprilla, Verón, Stanic, Cannavaro, Balbo, Chiesa, Thuram e Fiore. Um plantel de respeito. Com estes caras, foi possível cavar uma vaguinha nos playoffs da Liga dos Campeões de 1999-00. O quarto lugar na tabela estava bem distantes dos pontos do Milan, que ficou com a taça. A arrancada, no entanto, rolou nas outras duas competições disputadas.

Sete dias de festa

Pela Copa da Itália, o Parma chegou ao bicampeonato superando o Genoa na primeira fase (4-0 no agregado), Bari (2-1), Udinese (6-3) e Internazionale (4-1) antes da final. O adversário na decisão foi a duríssima Fiorentina de Edmundo e Batistuta.

O título só foi resolvido no gol fora de casa. No Ennio Tardini, empate em 1-1 (Crespo e Batistuta marcaram) deixou tudo aberto para a partida de volta. Em Florença, no Artemio Franchi, novo empate, por 2-2.

Crespo colocou o Parma em vantagem ao fim do primeiro tempo. Repka empatou logo após o intervalo e Cois virou para a Viola aos 62′. Eis que Paolo Vanoli colocou os visitantes novamente na partida com um gol no minuto 71′. Era o suficiente para coroar o time de Malesani, que não desistiu da batalha naquele 5 de maio de 1999. Menos de uma semana depois, outra volta olímpica, desta vez em Moscou.

Sete dias depois, em 12 de maio, o estádio Luzhniki em Moscou recebeu a final entre Parma e Marselha. O caminho dos italianos até o derradeiro confronto foi bem hostil. Crespo e seus colegas eliminaram Fenerbahce, Wisla Krakow, Rangers, Bordeaux e Atlético de Madrid, adversários nobres para se eliminar.

Fato é que quando chegou a hora da final, o Parma atropelou o Marselha por 3-0 com Crespo, Vanoli e Chiesa. A facilidade para furar o bloqueio dos franceses resolveu a partida em 55 minutos. Com pouco tempo na etapa complementar, a taça já estava encaminhada para os pupilos de Malesani.

Crespo foi eleito o melhor em campo na final e fechou com louvor a marca recorde de sua carreira, além de ter sido crucial nos dois títulos. Ele repetiria a marca de 28 gols pela Lazio em 2000-01, mas os laziali só faturaram a Supercopa naquela temporada.

Em 2001-02, já em processo de declínio, o Parma levantou o tricampeonato da Coppa, superando a Juventus com um gol do lateral Júnior na segunda partida. Foi o último título do clube, que hoje se recupera da falência e tenta subir da terceira divisão italiana à elite outra vez.

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