Noite de Libertadores: A melhor forma de se respeitar um campeão

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Botafogo e Atlético Mineiro viveram noite incrível na quinta-feira de Libertadores. Com vitórias convincentes, ambos podem comemorar demais na rodada. Especialmente o Fogão, que não teve medo do atual campeão e derrubou o Atlético Nacional dentro do Atanásio Girardot.

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Que o Botafogo ainda não foi campeão da Libertadores, é só detalhe. O futebol que os comandados de Jair Ventura jogaram na noite de quinta foi enorme. Sem medo do Atlético Nacional, sem qualquer cerimônia, o Fogão se segurou no bombardeio colombiano e depois foi à forra. Dizem que a melhor forma de se respeitar uma equipe é atacando-a como se sua vida dependesse disso.

Derrubar o Nacional não é um feito inédito nesta edição. Afinal, o Barcelona de Guayaquil já havia conseguido isso na rodada inaugural. O que os verdolagas não imaginavam era uma atuação tão corajosa do Bota. O que se viu nas arquibancadas foi um belo espetáculo, a torcida alviverde deu show e fez um lindo mosaico falando sobre o novo sonho desta geração: o bicampeonato.

Mas ao que depender do Botafogo e do Barcelona, os bicampeões vão continuar sendo bicampeões. Camilo e Guilherme foram os carrascos do Nacional na noite. De cabeça, o camisa 10 deixou os cariocas em vantagem antes do intervalo, rompendo com uma seca de gols que já vinha incomodando. De tanta necessidade de empatar, os colombianos deram um all in e pressionaram o Bota.

Faltou aquela eficiência que conhecemos. Com requintes de crueldade, o Fogão usou da sua astúcia para contragolpear e fechar o placar. Guilherme encarou o zagueiro, cortou para o lado e finalizou no cantinho, vencendo o gigante Armani. Festa em preto e branco.

O torcedor botafoguense ainda não quer se empolgar, sabe que é difícil voltar ao torneio depois de três anos e ainda com um elenco modesto. Reconhece as limitações deste time e as dificuldades que a Libertadores oferece a cada jogo. E acima de tudo, sabe que terá de trabalhar duro para pagar a fatura do cartão com a viagem para os Emirados Árabes Unidos, ao fim do ano. A palavra agora é planejamento. Planejamento para enfrentar o campeão da Ásia e vencer com a mesma imponência apresentada no Atanásio Girardot.

Quando se ouve um chamado do outro lado do mundo, é melhor atender, Fogão. Seis pontos no grupo em dois jogos, agora resta só o adversário mais complicado. Que venha o Barcelona, o de Guayaquil ou o da Catalunha. Qualquer um dos dois que ousar cruzar o caminho de Jair Ventura poderá sair ferido de morte. Mas com os pés no chão, é claro.

O Fred-sinal

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Se te contassem que o Atlético Mineiro chegou a estar perdendo para o Sport Boys, você poderia pensar que é mais uma brincadeira ou uma rápida adversidade encontrada pelo time mais místico dos últimos anos. Mas a verdade é que o Galo proporcionou outro espetáculo ao seu torcedor, digno da Era Cuca em 2013.

Tudo começou com um gol de Robinho na primeira etapa. Encaminhava-se então mais um baile daqueles no Independência. O alçapão mineiro, no entanto, não contava que os bolivianos reagiriam tão rapidamente. Tenorio deu números iguais ao confronto e no segundo tempo, Messidoro virou para os visitantes. Os comandados de Roger Machado ficaram atordoados por alguns instantes, até que entenderam a seriedade da missão. Foi aí que entrou em cena um super-herói em noite de gala.

Ele chegou voando para salvar o Galo e, como um raio, anotou quatro gols. Não perca a conta: o empate foi aos 26, a virada aos 29, o terceiro veio aos 43 e o último aos 47. Presença de área, predestinação, raça, chame do que quiser. Fred atendeu ao “Fred-sinal” nos céus de Belo Horizonte e o uniforme alvinegro trará pesadelos por alguns dias ao pessoal do Sport Boys.

Quando vai mal o Galo e a torcida começa a dar sinais de pessimismo, um homem sai das sombras para manter intacta a mística de um time em busca de sua segunda taça na competição. Trocaram a Nossa Senhora e o “Eu Acredito” pelo chamado ao herói da camisa 9.

Frederico Chaves Guedes, no entanto, não tem alter-ego. Quem quiser vê-lo, que vá ao Independência em dia de jogo do Atlético. A sua arma é o poder de finalização, e em um contexto tão acirrado quanto a Libertadores, ter esta habilidade é crucial para chegar longe.

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