Noite de Libertadores: É proibido desistir

Em noite com três brasileiros em campo, o Flamengo e o Palmeiras saíram com a vitória. Novamente com drama, o Verdão marcou o gol decisivo após os 50 minutos contra o Peñarol. Se tem uma coisa que a Libertadores nunca fica devendo é emoção.

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Na marra ou nada feito

Alguns times jogam a Libertadores. Outros vivem a loucura, talvez dimensionam de forma exagerada o que se espera de um jogo do torneio. Em nenhum outro campeonato no mundo se doa tanto suor. É um fenômeno que acontece desde a primeira rodada, quando as coisas ainda nem valem tanta coisa.

O Palmeiras tem imensa dificuldade para jogar o seu futebol como atual campeão brasileiro, um time que se preparou e se reforçou para este fim, mas que por razões mentais não se comporta como tal. O favoritismo e a pressão intensa por bons resultados é que acabam tornando um simples jogo em casa em uma verdadeira batalha.

Quando sente de fato, o time de Eduardo Baptista erra demais, peca por ansiedade, por afobamento. Mas se colocar a bola no chão e respirar antes de tomar qualquer decisão, pode amassar como fez com o Peñarol no início da segunda etapa. Com o placar adverso e 45 minutos para tomar as rédeas da própria vida, Guerra, Dudu e Tchê Tchê dominaram. Willian e Dudu fizeram os dois gols que reanimaram o já agoniante respirar do palmeirense no Allianz Parque.

A vontade de mostrar serviço era tanta que eles corriam mais que a bola. Usavam força desproporcional. “Libertadores”, você vai dizer. Mas é bem mais que isso. Só o Palmeiras sabe o que é entrar no modo obcecado em tão pouco tempo. Um pênalti bisonho em Dudu deu a Borja (disperso) a chance de matar o jogo e tranquilizar a todos. Mas o colombiano, no afã de marcar um golaço, isolou. Minutos antes, teve uma bola na mão ignorada pela arbitragem. Willian, que empatou tudo, encontrou a mesma chance de passar a régua no confronto, mas driblou o goleiro e chutou na trave. E isso porque ainda teve a bola que ninguém sabe dizer se entrou ou não, afastada em cima da linha pelo defensor carbonero.

O Peñarol, no alto de seus cinco títulos continentais, não desistiu. Sabia que tinha margem para explorar o erro defensivo alviverde. E foi buscar o segundo gol, uma punição severa pelo preciosismo dos mandantes. Até o final, o tom no Allianz Parque foi de terror, como na última rodada contra o Jorge Wilstermann. E a história outra vez foi escrita nos descontos, com o sangue adversário. Uma cabeçada de Fabiano salvou o Palmeiras de um empate amargo.

Um raio às vezes cai duas vezes no mesmo lugar. No mesmo gol, com a mesma camisa. E ninguém nunca vai se dar por satisfeito por ter de passar este perrengue cardíaco de achar que não vai dar, só para que magicamente saia um gol na marra, justificando toda mandinga e toda prece. Aos trancos e barrancos, fez-se a justiça na casa palmeirense. Além do tempo previsto, é verdade, mas todo castigo é pouco para quem pensa que cera ganha jogo. Até onde sabemos, o gol ainda é o momento capital deste esporte.

O Maracanã que tem uma pegada retrô

Foto: Globoesporte.com

Traz boas lembranças ver um camisa 10 do Flamengo jogar com tanta desenvoltura, liderar o meio-campo, fazer acontecer e marcar um gol tão preciso quanto o que definiu a vitória do Fla no Maracanã. É de certo uma equação que quase sempre termina em glória para os flamenguistas.

Zico estava lá, ainda que em forma de mosaico feito pela torcida. E inspirou o time em um duelo complicado contra o traiçoeiro Atlético Paranaense. Ao abrir 2-0, o Fla encaminhou bem os três pontos e a liderança da chave. Mas não era só isso que bastava para impedir o ímpeto do Furacão.

Alaranjado e visualmente distante de qualquer outro Atlético que já fora escalado, o selecionado de Paulo Autuori engrossou o caldo na segunda etapa e poderia ter empatado no último minuto, mas Nikão estava impedido. No mais, o Fla merecia mesmo ter vencido e o resultado foi justo.

Por causa de Diego. Desde que chegou, causou impacto no elenco e tem sido uma liderança positiva dentro dos vestiários. Evidentemente que em campo cumpre com sua função de armador e motorzinho das ofensivas rubro-negras. É com o futebol dele que o Fla sonha em ser retrô. Retrô a ponto de reencarnar com outros nomes aquele esquadrão fabuloso dos anos 1980.

A liderança da chave não pode ser de forma alguma um indício de que as coisas já estão resolvidas. Resta um turno infernal contra rivais tão acirrados. Exceto o San Lorenzo, Atlético e Universidad Católica podem complicar e brigar bravamente pela segunda vaga, quem sabe até pela primeira. Espera-se que o Fla tenha aprendido com o oba-oba em sua última participação. Mas agora, os comandados de Zé Ricardo estão prontos para a batalha, coisa que a geração de Jayme de Almeida não estava.  O Flamengo é novo. Tem cara de novo, cheiro de novo e disposição de novo.

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