Dario Simic foi uma farsa ou um talento incompreendido?

Cem jogos pela Croácia. Três Copas do Mundo, três Eurocopas e passagens por dois dos maiores clubes italianos: este é o currículo de Dario Simic, que para muitos, foi um grande defensor. Para outros, uma promessa jamais cumprida.

Nascido em Zagreb, capital do futebol na Croácia, o menino Dario deu seus primeiros botes na categoria de base do Dinamo, a grande força local, em 1992. Lá encontrou seu lar dentro de campo, na defesa. Servia bem como lateral-direito, mas também jogava de zagueiro, improvisava de volante, até de líbero, se precisasse. Versátil, logo virou peça chave no esquema dos azuis e um dos favoritos do professor Miroslav Blazevic.

Parceiro de figurinhas carimbadas no cenário croata como Robert Prosinecki, Igor Biscan e Mark Viduka, Simic conquistou a Liga nacional em 1993, 96, 97, 98 e participou de metade da campanha de 99. Só por este motivo, já estava credenciado a jogar em grandes centros europeus. A fase era boa e ser titular daquele Dinamo avassalador ajudou a impulsionar a carreira de Dario. Além de varrer a Liga, os azuis também estenderam seus títulos à Copa da Croácia, com quatro títulos entre 1994 e 98. Dario, por sua vez, se inspirou com o sucesso da equipe.

Em 1998, a brilhante campanha dos croatas na estreia pela Copa do Mundo teve Simic como titular pela direita. A longa e incrível caminhada até a semifinal foi interrompida por uma atuação de gala de Lilian Thuram. Contudo, não se fala em frustração pelos lados de Zagreb. Aquela Copa foi muito mais do que todos esperavam. Simic saiu revigorado e com moral do torneio na França.

O sonho interista que perdeu a cor

Simic, pela Inter: escalado como zagueiro, não vingou e era constantemente preterido no time titular

Ele só ficou mais um ano no país. Em 1999, como pentacampeão croata, foi negociado com a Internazionale, na janela de inverno. A concorrência era forte e ele obviamente não roubaria o posto de Javier Zanetti na lateral-direita. Foram quatro temporadas como suplente, até chegar a outro Mundial. Envelhecida, a geração da Croácia não suportou a disputa e ficou de fora da competição ainda na primeira fase em um grupo com Itália, Equador e México. Simic entrou em campo só em duas das três partidas de sua seleção.

A verdade é que mesmo com um bom tempo de Milão, ele jamais se adaptou ao estilo proposto pela Inter. E o seu insucesso com a camisa nerazzurri pode ser facilmente explicado pela sua opção como zagueiro. Ele bem que se esforçava, mas sua praia era mesmo na lateral. De marcação forte e bom desarme, se destacava pela agilidade e pela presença nas jogadas aéreas. Como lateral, tinha perfil muito mais defensivo do que de apoiador no ataque. Dario quase não subia para o campo adversário.

Nem na lateral, nem na zaga: nada funcionava para fazer de Simic um titular em potencial pela Inter. As coisas pioraram com a chegada de Héctor Cúper, considerado um desafeto de muitos atletas. O estilo autoritário e controverso do argentino não ajudou a Inter a ser campeã de nada, o máximo que conseguiram foi um vice da Serie A em 2003. Melhor para Simic, que viu em 2002 uma chance de ser mais valorizado. Proposta pelo Milan, uma troca do croata pelo turco Ümit Davala, que atuava como lateral e ala mais ofensivo. A Inter aceitou.

Desejo de ser campeão

No Milan, Simic chegou botando banca, mas evaporou na reta final da Champions

Carlo Ancelotti enxergou Simic como uma grande aquisição e fez dele seu titular na arrancada de 2002-03 na Liga dos Campeões. Com a vaga assegurada, ele chegou a sonhar com uma participação gloriosa no título europeu, mas ficou de fora a partir das semifinais. Carlo optou por entrar com Kaladze, Costacurta, Maldini e Nesta na linha defensiva. Simic rodou e foi trocado por Costacurta. O Milan então eliminou a rival Inter e bateu a Juventus na final, após penalidades. Simic viu tudo do banco de reservas. De volta à sua realidade, foi apenas parte do elenco competitivo rossonero até 2007.

Saiu com bom número de jogos na última temporada e o bicampeonato europeu contra o Liverpool, em Atenas, apesar de ter jogado apenas até as oitavas de final. Reclamando de ser pouco utilizado por Ancelotti, criticou abertamente o treinador, o que não ajudou muito a sua vida na Itália. Como também havia perdido a vaga na Croácia para Vedran Corluka, Dario tomou uma decisão importante: aos 33 anos, aceitou um convite do Monaco. Mas os monegascos não eram os mesmos que foram bravamente até a final da Champions em 2004 e as campanhas não eram melhores do que o meio da tabela.

Para o desgosto de Simic, a decisão se provou um tiro no pé. Faltava era um elenco decente para os monegascos, que tiveram de se contentar em chegar em 11º e 8º, respectivamente nas temporadas de 2008-09 e 2009-10. Superando um histórico de lesões que o atrapalharam no Milan, o lateral teve um bom primeiro ano, mas logo sofreu para manter a forma.

Nem sequer jogou em 2009-10 pelo Monaco e foi cedido ao Dinamo Zagreb para a temporada 2010-11. Dos três jogos que fez pelo clube que o revelou, foi campeão da Supercopa Croata e só. Não foi escalado pela Liga, jogou duas partidas pela preliminar da Liga dos Campeões. Três meses depois de assinar contrato, mudou de ideia e anunciou sua aposentadoria, surpreendendo os dirigentes, aos 35 anos.

Simic, em sua última Copa do Mundo, em 2006. Titular na campanha ruim dos croatas

Simic obviamente foi muito mais importante para a seleção croata do que jamais seria por nenhum outro clube fora do país. Estimado demais durante sua passagem por Milan e Inter, não repetiu o desempenho que o levou à Serie A italiana. É um dos pilares da Croácia na história, um dos jogadores com mais partidas pela seleção.

Enquanto isso, as duas torcidas de Milão provavelmente não ficaram com boa impressão do seu futebol. Justiça seja feita, no Dinamo Zagreb ele foi espetacular, mas é difícil comparar esta performance em uma liga tão fraca. Farsa ou injustiçado? Simic fornece argumentos para os dois lados. Ficamos então com o veredicto de que ele foi muito bom apenas para os croatas, o que já é alguma coisa para um país que tanto tem crescido no esporte desde os anos 1990.

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