Como o futebol salvou a vida dos irmãos Nainggolan

O futebol é a grande paixão que move os irmãos gêmeos Radja e Riana. Estabelecidos em Roma e no ápice de suas vidas, os Nainggolan dividem algumas peculiaridades como o mesmo clube e o apreço por penteados excêntricos, entre outras coisas.

Que Radja Nainggolan é um fenômeno recente do futebol, você já sabe. Titular absoluto da Bélgica e da Roma, o meia é um dos destaques desta temporada no futebol europeu. Aos 28 anos, o “Ninja” chama atenção pelo seu estilo extravagante, sua entrega dentro de campo e pelos belos gols de longa distância. Fora dos gramados, ele é muito mais reservado e vive a mesma grande paixão que a irmã, Riana: a bola.

A vida não foi nada fácil para a dupla. Filhos de uma belga com um indonésio, os irmãos cresceram na Antuérpia em condições de pobreza, sobretudo depois que o pai, Marianus, abandonou a esposa e os herdeiros para ir embora do país. Quando entrou na adolescência, Radja se tornou a esperança de dias melhores para a família, em virtude da sua aptidão para o futebol.

Estabelecido na Itália, Radja fez questão de levar a irmã para morar perto dele, na capital

A carreira de Radja começou em 2003, pela equipe juvenil do Germinal Beerschot. No ano seguinte, foi descoberto por olheiros do Piacenza, que o levaram à Itália, separando-o da família, mas alavancando o seu potencial num grande centro do esporte.

Até hoje ele se diz grato por ter sido salvo do pior pela mãe, que acreditou no seu potencial e fez o possível para que o menino triunfasse em sua carreira, que hoje é a de um ídolo em construção com a camisa giallorossa. Entretanto, ela não viveu o suficiente para ver ele brilhando pela Bélgica ou pela Roma. Lizy Bogaerts morreu em 2010, quando o filho ainda buscava seu espaço no Cagliari.

Riana, em seus primeiros meses como atleta da Roma

A menina seguiu o mesmo caminho do irmão. Jogou futsal em vários níveis na Bélgica, passou pelo Germinal Beerschot e em 2014, resolveu seguir Radja no futebol italiano. À aquela altura, ele chegava à Roma no grande passo de sua carreira. Riana, que não tinha mais motivos para ficar na Bélgica, assinou com o clube da capital italiana para defender a divisão feminina do clube. Atacante veloz e artilheira, ela ganhou alguma projeção atuando com a camisa giallorossa e em 2015, recebeu sua primeira convocação para a seleção belga.

Riana defendeu a Roma por três anos e retornou ao futsal como sua principal ocupação. Desde 2015 se divide entre os jogos com a equipe de campo e os da quadra. Atuou pelo Sinnai em 2015 e desde 2016 serve ao Unicusano Queens Tivoli como ala, para não se distanciar novamente do irmão. Muita coisa mudou para os Nainggolan. Radja se casou em 2011, conseguiu se consolidar no futebol e hoje tem duas filhas, Aysha e Mailey.

Entrevista coletiva dos irmãos pela Roma em 2014, quando Riana chegou ao clube

Não é só a ocupação que faz dos gêmeos Nainggolan muito parecidos. Além da semelhança física evidente, os dois costumam exibir penteados pouco convencionais. Radja, que é fã assumido de um moicano, já usou vários estilos diferentes na cabeça, sempre chamando muita atenção. Riana não é diferente. Ela também ousa bastante na hora de arrumar o cabelo, como demonstramos aqui e aqui.

Além do cabelo, da cidade, da profissão e do fato de terem defendido o mesmo time, os Nainggolan acreditam que as tatuagens são uma forma única de expressão. Riana, inclusive, tem um desenho com duas armas, seu nome e o do irmão na altura dos ombros. Radja, por sua vez, já cobriu o pescoço, os braços, as pernas e o tronco com diversos desenhos de flores, dragões e frases.

O destino pode até ter sido cruel quando os tornou órfãos tão cedo. Depois de tanta luta e sofrimento, os dois podem respirar um tanto aliviados e estabelecidos na cidade eterna, em função do futebol. Agora que o nome Nainggolan é sinônimo de sucesso e determinação na Europa, os filhos de Dona Lizy colhem os frutos do esforço feito pela mãe no passado. Ela bem que merecia ver o que foi feito do seu legado.

Os Gabbiadini

A situação de ter dois membros da mesma família atuando por equipes tanto no masculino quanto no feminino não é necessariamente uma novidade na Itália. A grande diferença é que no caso de Melania e Manolo Gabbiadini, a trajetória foi bem distinta.

Começamos por Melania, de 33 anos, que atua pelo Verona. Você pode não acreditar, mas uma das grandes potências da Itália no futebol feminino atualmente é a equipe veronesa, ao lado do Torres Calcio. Atacante de ofício, a mais velha dos Gabbiadini já tem no currículo cinco scudetti, duas Copas da Itália e quatro prêmios como melhor jogadora do país, entre 2012 e 2015. É uma vencedora nata.

A moça defende a Itália desde 2004, é capitã no Verona e na Seleção, acumulando 45 gols pela Squadra Azzurra. Por clubes, ela já passou dos 200 em longa carreira de 15 anos como profissional. Ela começou no Bergamo, em 2002 e defende o Verona desde 2004, quando a equipe ainda levava o nome de Bardolino.

Quem também começou na cidade de Bergamo, mais precisamente na região de Bolgare, foi o seu irmão mais novo, Manolo, nascido em 1991. Em 2009, o jovem iniciou sua peregrinação pelo futebol italiano com a camisa da Atalanta. Ainda jogou no Cittadella e no Bologna antes de estourar na Sampdoria e eventualmente assinar com o Napoli, em 2015.

Após dois anos com os partenopei, Gabbiadini foi para o Southampton em janeiro de 2017. Ele já foi convocado para a seleção, mas ainda não conseguiu repetir o mesmo sucesso da irmã e ser campeão. Não que ele não tenha tentado: neste ano, disputou a final da Copa da Liga Inglesa com os Saints e marcou dois gols contra o Manchester United, na decisão. Mas os Red Devils levaram a melhor por 3-2, graças a um esforço hercúleo de Zlatan Ibrahimovic. É, Manolo, para chegar no patamar de Melania vai ser preciso comer muito arroz e feijão.

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