Vivendo a Master Liga: Messi é campeão argentino com o Quilmes

Na segunda parte da saga envolvendo o craque, o Quilmes briga pau a pau com o Lanús pelo título da Primera División. Na reta final, os Cervezeros assumem a ponta e levam a taça com grande atuação de Messi no jogo decisivo. Coisas de gênio.

LEIA A PRIMEIRA PARTE: Vivendo a Master Liga: Messi não aguentaria um ano jogando pelo Quilmes

No último episódio de “Pesadelo na Argentina”, Lionel Messi acordou de sonhos intranquilos e encontrou-se em sua cama metamorfoseado num jogador de time pequeno. Voltando para seu país após tanto tempo, o ex-camisa 10 do Barcelona emprestou seu talento para escrever uma história fabulosa pelo Quilmes, que só havia sido campeão da Liga uma vez, no Metropolitano de 1978.

Para Messi, a missão começou de maneira tortuosa. A pressão para apresentar um bom futebol era enorme, quase insuportável. Mas ele estava predestinado a ter sucesso independente de onde estivesse. E com o Quilmes, aprendeu a ser um novo jogador, recuperou a satisfação em viver do esporte.

Depois do gol contra o Lanús, as coisas começaram a acontecer para ele. As vitórias vieram (apenas por 1-0, é verdade) e o Quilmes subiu do pelotão intermediário para as cabeças. Isso aconteceu somente por causa do brilho de Lionel, que chamou para si a responsabilidade de conduzir o clube ao estrelato. Como ele fez no passado, driblando tudo e todos no caminho até o gol.

A sequência trouxe mais 17 vitórias para o Quilmes, além de quatro empates e quatro derrotas. Totalizando a Primera División e a Copa Argentina, os Cervezeros finalizaram os seus 31 jogos com o cartel de 20 vitórias, seis empates e cinco derrotas, 30 gols marcados e 10 sofridos. O Arsenal de Sarandí foi o carrasco na Copa, eliminando a equipe no placar agregado por 2-1. Em apenas um jogo da temporada, Messi não entrou em campo, diante do Temperley, na rodada 23. Uma vitória magra por 1-0 escondeu a fragilidade dos companheiros sem a referência no ataque.

Quando voltou, “La Pulga” não conseguiu furar a defesa do Talleres, em Córdoba, em um 0-0 murcho. Apesar de ter dominado as ações durante os 90 minutos e ter apresentado um futebol tão bom quanto o da Holanda de 1974, o Quilmes saiu mesmo com um ponto da cancha adversária. Fato é que aquele mesmo time badernado do começo ganhou forma e consistência durante a competição. Os triunfos mínimos deram alguma confiança e entrosamento ao elenco, que reagia melhor e dava mais opções a Messi.

Jogadores acenam para a torcida antes do embate com o Arsenal de Sarandi, que rendeu a taça da Primera División

O mais bizarro foi notar que, sem Messi, contra o Temperley, a química do time caiu de 86 para 51. Basicamente, ele era a única coisa que fazia o Quilmes parecer com uma equipe de futebol. De resto, o elenco era limitado ao ponto de não conseguir vencer o Sarmiento, em casa. Por sorte, o ataque funcionou na ausência do capitão, e em um gol de cabeça clássico após cruzamento vindo da linha de fundo, García salvou a torcida de um empate que poderia colocar em xeque o plano para a temporada.

Enquanto o próprio Messi progredia (se é que isso é possível), os resultados ficavam cada vez mais injustos de acordo com o placar. Em tese, o volume de jogo deveria render dois ou três gols, mas um só era suficiente para o propósito e para o milagre de fazer do Quilmes um vencedor. De 1-0 em 1-0, a galinha encheu o papo.

O gol mais bonito de Messi foi uma pintura em vão. Driblando alguns marcadores contra o Arsenal, saiu dos pés do gênio o único gol da partida de volta na Copa Argentina. O Quilmes precisava de pelo menos mais um para avançar, mas esbarrou na defesa rival. Teve também um pênalti enjoado contra o San Martín (com direito a desabafo) e uma tabelinha mortal contra o River Plate.

Messi foi o motorzinho do campeão argentino, marcando 16 gols e dando três passes. Torres, seu parceiro de ataque, conseguiu 10 tentos e sete assistências. Sem esses dois, teríamos marcado apenas cinco vezes, o que renderia, no máximo, cinco triunfos. Sem Messi, dificilmente teríamos saído do meio da tabela, isso se a briga não fosse pelas últimas posições.

O homem não errava passes, dificilmente finalizava mal, os dribles começavam a sair, as tabelinhas também. E não é que ele deu alma a um bando desorganizado? Para coroar uma arrancada impressionante, um jogo incontestável contra o Arsenal, para devolver a eliminação na Copa. A primeira grande atuação coletiva rendeu um placar de 4-1, com três de Messi, sendo um de pênalti.

Era difícil escapar o título depois do primeiro gol. Mas o Quilmes queria provar que era um campeão honrado e merecedor de sua glória. E assim, saíram os melhores minutos de toda a primeira temporada, com desenvoltura e classe. Alguns erros de defesa também, mas nada que desabonasse o jogaço que fizeram diante do Arsenal.

Chegamos no topo, mas isso não quer dizer que vamos parar. Agora temos de pensar no próximo título“, disse Messi, emocionado, na coletiva dada após a última rodada. E isso certamente será um objetivo na segunda temporada do save. Mirando a Libertadores e a Copa Argentina, o Quilmes não poderá mais depender só do camisa 10. E se ele se lesionar? E se ele estiver cansado e não puder ajudar?

Agora todos esperam algo bom dos Cervezeros e a diretoria terá de se mexer para a próxima etapa dessa história. A torcida saboreia a conquista e espera para saber quem é que chega para consolidar mais este sonho, agora em âmbito continental. Messi provou que aguenta jogar um ano no Quilmes. Foi protagonista, teve lances geniais e seguiu ganhando, algo que muitos duvidavam após a sua breve aposentadoria. Messi transcende os limites da lógica e da imaginação.

Abaixo, a íntegra da última rodada que valeu a taça de Campeão Argentino ao Quilmes. E no próximo post, a estreia do Quilmes e de Messi na Copa Libertadores. Agora tudo é possível.

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