Noite de Libertadores: A Vila mais famosa do mundo

Foto: Ivan Storti/Santos

Santos derrota o Strongest em casa em sua estreia na Vila Belmiro pela Libertadores. Dificuldade em furar a defesa boliviana marcou o confronto, mas o Peixe se saiu muito bem. A Chapecoense também saudou sua torcida em seu jogo contra o Lanús, mas o resultado acabou sendo negativo. Não que a apaixonada massa na Arena Condá tenha se importado com isso.

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Dificuldades previsíveis

Qualquer coisa que viesse de Lanús e Nacional seria esperada pela Chapecoense. Sabendo que terá de ralar muito para ficar com uma vaga nas oitavas de final da Libertadores, a equipe catarinense recebeu os argentinos na noite de quinta-feira e foi mais uma vítima da ousadia visitante nesta chave. Nenhum mandante conseguiu vencer até agora, em quatro partidas.

Sabia-se que o futebol do Lanús era de alto nível, mas a falta de ritmo de jogo poderia prejudica-los, assim como prejudicou o San Lorenzo em seus compromissos no grupo de Atlético Paranaense e Flamengo. Mas a organização granate fez a diferença na remontada diante de uma motivada Chape na Arena Condá.

A grande qualidade da Chape é a entrega e a sintonia fina com o apoio das arquibancadas. Depois de um momento tão difícil, já ter um time minimamente competitivo em pouco tempo é um milagre, o gol de Rossi foi amplamente comemorado pela torcida presente e por quem acompanhava pela TV. É sempre bom repetir que a Chape não é mais apenas um patrimônio de Chapecó, mas sim de todo o Brasil.

A explosão foi grande quando saiu o primeiro gol da noite. Mas ali já estava claro que a partida seria mais complicada. Porque o Lanús era o dono do jogo e virar o placar era questão de tempo. O ponto foi provado com o gol de Aguirre, logo depois de Rossi ter balançado as redes. Na segunda etapa, os argentinos tomaram conta em definitivo, conforme a chuva caía com rigor na cidade.

Debaixo de um toró, saiu um pênalti de João Pedro, cobrado por Sand. Acosta, já no trecho final do duelo, encerrou a conta. Não se trata de uma partida ruim por parte da Chape e nem de alguma espécie de fragilidade. O Lanús é que teve enorme compreensão do contexto de jogo, trabalhando com qualidade para reverter a adversidade imposta no 1-0.

Não se tira nenhum tipo de lição de uma derrota assim. Foi uma simples exibição de superioridade técnica e precisão. Isso não quer dizer que a Chape está virtualmente eliminada, nem que sentirá o peso do revés nos próximos jogos. Ainda mais em um grupo tão imprevisível. A única coisa que se sabe de Zulia, Nacional e do próprio Lanús é que nenhum deles oferecerá um confronto tranquilo, sem reação ou com apatia. Todos têm três pontos, e sabe-se lá quem vencerá essa briga de foice no escuro que virou a disputa pelas duas vagas.

O que se sente é orgulho desta nova Chape. Uma energia renovada, uma vontade de vencer e retomar o trajeto interrompido no ano passado. Não importa o que aconteça, estes caras aí precisam ser aplaudidos após o apito final.

Quando um tanque fura um bloqueio

Foto: GloboEsporte.com

O Santos é assim. Quando joga na Vila Belmiro, poucos conseguem lidar com o ritmo imposto. O Peixe não fez a atuação dos sonhos na estreia contra o Sporting Cristal, mas a chance de reabilitação veio contra o Strongest, dentro de casa.

Assim que Nestor Pittana apitou para que a bola rolasse, a defesa boliviana se viu encurralada diante da proposta agressiva de Dorival Jr. De uma hora para a outra, vários ataques dificultaram demais a vida do Strongest em solo santista. Entretanto, em uma falta cobrada com perfeição, Pablo Escobar quase emulou Ronaldinho contra a Inglaterra em 2002. Uma bola por cobertura que passou por Vladimir, bateu em duas traves e quicou para a direção da área, para a sorte dos santistas. Um lance que por pouco não causou enorme preocupação na torcida.

O Santos era muito mais time e provou isso com o toque de bola eficiente, os dribles de Bruno Henrique (que caneta maravilhosa) e as chegadas pelas laterais. Como a única alternativa dos Tigres era bater para matar jogadas, o árbitro coibiu a postura expulsando Veizaga ainda no primeiro tempo. Isso abriu um caminho para a vitória, o qual o Santos soube aproveitar com louvor. Logo após a falta que culminou no cartão vermelho de Veizaga, Ricardo Oliveira bateu no alto do gol. A tranquilidade necessária antes do intervalo.

Os 45 minutos finais foram um novo massacre. Bruno Henrique, o mesmo que meteu uma bola entre as pernas no primeiro tempo, tirou o goleiro para dançar e só não deixou o dele porque Bejarano salvou o Strongest com um carrinho providencial em cima da linha. Os golpes dados pelo Santos não estavam indo no alvo. Mas o gol da vitória era iminente.

A pressão esgotou todos os recursos do Strongest, que desistiu de jogar e se concentrou em evitar o novo gol. O tanque santista subiu a ladeira e passou por cima do bloqueio com uma outra cobrança de falta. Lucas Lima achou Renato livre na área para cabecear. Um jogo todo desenhado para o domínio e o bombardeio dos mandantes na Vila Belmiro. O placar que até parece injusto diante de tudo que o Santos fez para balançar as redes.

O Peixe saiu vencedor do jogo de um time só. E quem não se propõe a jogar futebol, geralmente é punido de um jeito ou de outro nessa Libertadores. Ainda bem que a bola e o talento se sobressaem à pura retranca.

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