Noite de Libertadores: De puxeta em puxeta, o Botafogo segue em delírio

Foto: GloboEsporte.com

Botafogo faz a sua estreia na fase de grupos e se dá bem no Nilton Santos. Com um placar apertado e muito sufoco, o Alvinegro deu um presentão ao técnico Jair Ventura ao vencer o Estudiantes. No outro jogo da chave, o Barcelona de Guayaquil peitou o Atlético Nacional em duelo eletrizante.

O time das bicicletas

Está valendo para a chave 1 da Libertadores. Os quatro times estrearam na terça-feira e proporcionaram um prato cheio de emoção para as suas torcidas. Começando pelo Botafogo, que recebeu o Estudiantes no Rio de Janeiro.

A chapa esquentou de verdade no Nilton Santos enquanto o time da casa, comandado pelo aniversariante Jair Ventura, buscava o gol da tranquilidade. Não foi fácil chegar até aqui e os alvinegros sabem disso. Dois mata-matas infartantes para jogar nos grupos e eles atuaram de acordo com o calor vindo da torcida. Torcida, aliás, que não decepcionou. Pintou as ruas de preto e branco, levou suas bandeiras, fez presença para apoiar o Fogo, que faz o sangue da geral ferver.

Com a bola, o time de Jair Ventura esteve no tom de 2016, com o reforço do maestro Montillo. Ele soltou a bola no pé dos companheiros e tornou o jogo bem interessante. Com toda a pressão imposta aos visitantes, até que a defesa pincharrata se segurou bem. Só não pôde evitar o golaço de Roger, um bicicleio que completou um longo lançamento e uma assistência de voleio por parte de Bruno Silva.

O “bicicleio” de Roger que abriu os trabalhos para o Glorioso /Foto: GloboEsporte.com

A força e a tradição do Estudiantes voltaram mais visíveis no segundo tempo. Cansado de se segurar na defesa e depender das arrancadas de Otero, os platenses mostraram as garras. Foi numa falta juninhopernambucana que o próprio Otero deixou tudo igual. A chuva no Engenho de Dentro não arrefeceu o clima de caldeirão preparado pelos botafoguenses. Eles continuavam empurrando a valente equipe para o ataque. Aos poucos, o Bota ganhava suas jardas e voltava à carga.

Quem não chora, não mama. O Bota apresentou suas armas e sacou ligeiramente a adaga para terminar o serviço que estava incompleto. Pressiona aqui, pressiona ali, uma punhalada. Pimpão, novamente iluminado, pegou um rebote no lugar certo e na hora certa, chutou rasteiro e fez o segundo. Um abraço, Estudiantes.

Se não na técnica, na marra, na entrega, na ponta da faca. O Botafogo começou sua vida na fase de grupos com uma vitória. Pode não ter encantado, mas conquista até o mais desiludido com o seu ritmo e vibração. É dessas coisas que é feito um verdadeiro casca grossa da Libertadores. Um começo promissor em uma chave tão competitiva, cada ponto pode decidir a parada.

Sem medo do campeão

Alta temperatura. É a melhor forma de resumir o jogão entre Barcelona e Atlético Nacional em Guayaquil. Com dois rivais muito ofensivos e dispostos a vencer por uma larga vantagem, vimos um delicioso 2-1 em solo equatoriano. O time do momento no Equador, o Barcelona, não mostrou nenhuma timidez ao trocar passes e aplicar dribles nos atletas que representam o atual campeão da Libertadores.

Foram 90 minutos intensos, de muita habilidade, chances de gol e defesas dos dois arqueiros. Sabendo que poderia ter muitos problemas para conter o ímpeto colombiano, o Barça abusou das correrias e das fintas. O fôlego dos mandantes foi algo fora do comum na partida. Só que os buracos na defesa e os erros de saída chamaram o Nacional para o campo de ataque. E em uma jogada ligeira, Mosquera recebeu um passe na medida e finalizou para calar o estádio por alguns segundos.

Mas eles são os maiores vencedores do Equador. Duas vezes finalistas, embora nunca tenham conquistado este torneio. Se depender da vontade mostrada na noite de terça-feira, a espera acaba. O número de dribles foi bem acima da média do cauteloso futebol atual. Este jogo salvou nossa fé em muitos aspectos. A proposta audaciosa de atacar a todo custo tornou o confronto em um exemplo de como as coisas deveriam ser em jogos deste tamanho.

Ah, o Barcelona. A temperatura estava lá em cima e os equatorianos foram atrás de uma vitória para dar moral na sequência do torneio. Aos 25, Alvez empatou com uma cabeçada de costas para o gol. E aos 45, Caicedo virou e aí Guayaquil se transformou na capital do futebol sul-americano por uma noite. O futebol alegre e convincente (por vezes irresponsável) encheu a barriga de muitos amantes de futebol que procuravam uma atração para a noite de terça.

De tanto empenho nos 45 minutos iniciais, o gás do Barcelona foi acabando. E o Nacional voltou a fazer o que sabia melhor: envolver o inimigo em uma trama ardilosa de passes. Sufocado aos poucos, o dono da casa dependeu das defesas de Banguera para segurar as pontas em vantagem. Algo que também aconteceu do lado colombiano, com Armani arretado para salvar chutes de longa distância.

Toda aquela multidão em Guayaquil não merecia sair decepcionada de campo. Eles lotaram os lugares do Monumental e cantaram, cantaram, cantaram. Uns até vestiam a camisa do xará e inspirador catalão. Espremendo os olhos, talvez víssemos um pouco do time de Messi naqueles equatorianos, mas bem pouco. A qualidade demonstrada foi a coragem para um desafio tão difícil como o que o Nacional ofereceu. De resto, seria mesmo demais procurar algum Iniesta, um Neymar ou um Suárez. Cada um na sua.

Sangra o campeão da América. Mas é preciso estancar a ferida a tempo do próximo embate. O Barcelona, por outro lado, sai da rodada de peito estufado por matar um gigante em seus domínios. A próxima guerra é em La Plata, contra o Estudiantes. Já o Atlético, reencontra sua torcida para receber o Botafogo em Medellín. Se as coisas forem parecidas com esta estreia no Equador, os cariocas que se preparem para mais uma provação cardíaca.

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