Noite de Libertadores: O carnaval ainda não acabou no Rio

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Flamengo atropela o San Lorenzo em seu retorno ao Maracanã, se candidatando ao primeiro lugar da chave. Atlético Mineiro visita o Godoy Cruz e sofre na Argentina, enquanto o Palmeiras arranca um empate do estreante Atlético Tucumán em território adversário. Os brasileiros mostraram muita garra na quarta-feira de Libertadores.

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O Galo sabia que teria uma missão dificílima na sua estreia pela Libertadores deste ano. Fora de casa, diante do Godoy Cruz, os comandados de Roger Machado poderiam ter saído com uma vitória, mas um gol sofrido logo no primeiro minuto complicou as coisas até o apito final. A verdade é que os atleticanos se esforçaram demais para superar a barreira da defesa argentina e ainda tiveram um pouco mais de sorte quando Garre errou um gol feito ao fim do primeiro tempo, que certamente teria sacramentado o resultado.

Valente e muito mais técnico, o Atlético conseguiu igualar o marcador com Fred, de pênalti, no começo da segunda etapa. A pressão na área do Godoy Cruz até trouxe mais momentos de ansiedade à espera do gol da virada, mas faltou pontaria. Em Mendoza, a primeira etapa foi um tanto desesperadora para a torcida brasileira, que se frustrou com a falta de criatividade e a bagunça na formação. Os atletas do Galo demoraram a entrar no jogo, a marcação não funcionava, a saída não fluía, típicos sinais do nervosismo implícito em uma partida de estreia.

Fato é que o Atlético tem um timaço que pode somar muito mais pontos ao longo desta fase. Como Sport Boys e Libertad também empataram no Peru, a coisa ficou aberta. E convenhamos: os comandados de Roger Machado sobram como favoritos ao primeiro lugar, independente deste empate na Argentina. Trata-se de uma chave bem menos complicada do que a de outros representantes do nosso país, como a do Flamengo e do Atlético Paranaense.

Espera-se muito do trabalho de Roger neste clima competitivo da Libertadores e ele tem uma filosofia muito similar à que rege o torneio. Dedicação, empenho, entrega total. Por isso e pelos jogadores que tem à disposição, o Atlético deve nadar de braçada nos próximos cinco jogos.

O Maracanã é rubro-negro demais

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Quem esperou muito tempo pelo retorno do Flamengo à Libertadores não se decepcionou. Mesmo diante do San Lorenzo, campeão de 2014 e notoriamente um rival bem encardido, o rubro-negro deitou e rolou no ataque, fez 4-0 e poderia ter saído de campo com uma goleada histórica. A ferocidade do time de Zé Ricardo deu o tom ao confronto que fechou a primeira jornada desta chave, permitindo uma liderança confortável da turma da Gávea.

Ainda que o primeiro gol tenha demorado a sair, só na segunda etapa, não foi de forma alguma dramático o jogo no templo do futebol brasileiro. O Flamengo teve o Ciclón na palma das mãos e fez o que quis, amassando um dos seus adversários diretos pela vaga na segunda fase. É exatamente assim que se faz no torneio: amassa-se um time tradicional para mandar o recado.

O recado flamenguista foi objetivo e sonoro. Diego, inspiradíssimo, bateu uma falta no alto da meta de Torrico, abrindo o caminho para a alegria. Depois disso, Trauco, Romulo e Gabriel foram os autores dos gols que consolidaram o passeio diante dos argentinos. O San Lorenzo, encurralado em seu campo, pareceu um time qualquer de segunda divisão diante do bombardeio do Fla.

Foi uma estreia dos sonhos para muitos torcedores que estavam nas bancadas do Maracanã e deliraram com tamanho poderio ofensivo. Não faltou vontade, pontaria e nem ímpeto para entrar na área do Cuervo como se fosse a sala de casa. E assim, o Fla palitou os dentes enquanto contemplava o rastro de destruição deixado no local. Assistir a uma goleada nestes termos é um tanto brutal, mas ajuda a mostrar que o gigante rubro-negro está mais do que preparado para tentar adicionar o segundo título da Libertadores ao seu currículo. Fome de bola eles já têm.

Grandes adversidades que formam caráter

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O ano de 2017 ainda é uma incógnita para o Palmeiras e sobretudo para Eduardo Baptista, que chegou agora com a tarefa de estar à altura do que Cuca fez no ano passado. Longe de casa, em San Martín de Tucumán, o Verdão pegou uma das equipes com a história mais fascinante desta edição da Libertadores. Não por ser um favorito ou por ter demonstrado futebol bonito, mas por estar em seus primeiros jogos no torneio e ver na torcida e jogadores o sentimento que só este campeonato pode proporcionar. A pressão insana na arquibancada, a vibração do elenco e a atmosfera fazem do Atlético Tucumán um oponente dos mais duros.

Dito isso, a bola rolou. Os argentinos vinham de quatro jogos nas fases preliminares e já estavam plenamente adaptados ao clima sul-americano. O Palmeiras, não. Tudo o que os paulistas fizeram foi encarar alguns confrontos pelo Estadual e um dérbi ante o Corinthians. Muito pouco para quem precisava entrar com a faca entre os dentes para redimir a participação vergonhosa em 2016, o que constantemente ecoa na mente de todo torcedor.

De tanta adrenalina que vinha mostrando, o Verdão acabou punido com uma entrada excessiva por parte de Vitor Hugo, que foi expulso antes mesmo da primeira meia hora de partida. Instantes depois, Baptista mexeu, sacou Michel Bastos e promoveu a entrada do novato Antonio Carlos. Os albicelestes saíram na frente, graças a Zampedri. Com um a menos, os palmeirenses estavam em adversidade psicológica e numérica, sem mencionar a opressão por ser visitante em um estádio abarrotado de gente que não se cansava de cantar.

O Palmeiras então se lançou ao ataque e explorou suas peças. Borja, o homem contratado para trazer o título, bem que tentou. Mas fora de ritmo de jogo, apenas passou perto de balançar as redes. Quem marcou mesmo foi Keno, aproveitando um rebote de uma cobrança de falta na área. Não faltaram chances para virar o placar, todas elas escaparam por algum detalhe, seja por força, tamanho do jogador ou alguns centímetros que separaram a bola do beijo nas redes.

Os dez que sobraram em campo honraram a tradição alviverde e podem até não ter encaixado uma atuação brilhante, mas neste cenário, vale ser cascudo, vale aprender e segurar a pressão de tantos mil argentinos, vale formar caráter na adversidade que foi imposta com a expulsão de Vitor Hugo. Na Libertadores, o idioma que se fala é o da determinação. E quem tem isso no sangue sai na frente para lutar pelo troféu.

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