Aplicamos os conceitos de Zeman no PES 2017 e o resultado foi uma porcaria

Com a ajuda do amigo Arthur Barcelos, adaptamos o estilo ofensivo de Zdenek Zeman a uma equipe no PES 2017. Treinando a Atalanta na Master Liga, mudamos as táticas e revolucionamos o time, mas em contrapartida, a fragilidade defensiva trouxe problemas demais para suportar.

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Nos últimos dias, a Itália se agitou com o retorno de um dos treinadores mais respeitados no país, mesmo sem ter ganho troféus em primeiro escalão. O tcheco Zdenek Zeman está novamente no comando do Pescara e em sua reestreia, o time alviceleste meteu 5-0 no Genoa pela Serie A, semana passada.

Sabendo deste fenômeno e também das burradas do comandante no passado, fiquei intrigado em como seria jogar com um time que se baseia na filosofia de Zeman. A “Zemanlandia”, como a crítica especializada chama, é um conceito que tem inspiração na fluência do handebol e portanto é integralmente voltado ao ataque, à posse de bola e aos lançamentos da defesa.

Pedi ajuda ao amigo Arthur Barcelos, um dos melhores analistas táticos deste país para desenvolver uma equipe com os padrões mais marcantes dos trabalhos de Zeman. Ele me explicou ponto a ponto o que eu deveria fazer e na medida do possível apliquei isso na Atalanta que venho treinando na Master Liga. (Inclusive é o início de uma saga que será contada aqui no site em breve).

Pois bem, o que você precisa saber é: os jogos são de apenas seis minutos, para evitar o tédio e partidas modorrentas. Apesar de ser superior aos seus antecessores, o PES 2017 ainda pode ser bem chato depois de alguns jogos, em virtude da mecânica truncada e da velocidade reduzida. Diminuí o tempo de forma que fosse praticamente obrigatório atacar com frequência para obter um resultado.

A minha Atalantinha

A base do time no início do save era diferente da que apliquei após a conversa com Barcelos. Eu estava atuando num 3-5-2 com três zagueiros (Mexès, Zukanovic e Masiello), dois volantes (Migliaccio e Freuler), um meia (Fofana) dois alas (Kessié pela direita e Kurtic pela esquerda) e dois homens de frente (Gómez e Paloschi). Precisei ir ao mercado e trouxe Fofana, Mexès, João Pereira, Cassano e estou no aguardo da incorporação de Gilardino e Pazzini na segunda metade da temporada. Ainda tenho os valiosos Carmona, Raimondi, Petagna e Caldara no banco. Enquanto a D’Alessandro, Tolói e Pinilla, optei por negociar com outros clubes. Grana curta, sabe como é.

Certo, o início foi bom. O time tem boa qualidade de passe, Kurtic é um monstro e Paloschi até que sabe fazer gols. Começamos ganhando quatro partidas e a química da equipe estava melhorando, por volta de 70. Aí fiz a besteira de promover o Zemanismo nu e cru para ver no que é que dava.

Mudei para o sistema 4-3-3, avancei a linha defensiva, promovi mais apoio dos meias no ataque, subi os alas e deixei Kessié como o terceiro atacante ao lado de Paloschi e Gómez. Como a defesa precisava ser refeita, mantive Mexés e Masiello na zaga e escalei Dramé e João Pereira nas laterais. Kurtic e Fofana foram recuados apenas no posicionamento inicial, mas taticamente sobem demais e reforçam a linha ofensiva.

Alerta vermelho

Kessié está mal representado no PES: ele ainda é um lixo na versão virtual

A química caiu para 35, o que significava que eu teria problemas, muitos problemas. A primeira partida com “Zeman no banco” foi contra a Fiorentina. Estávamos em 11º na tabela, não muito longe do Napoli, que fechava a zona da Liga Europa com seis pontos a mais. Apanhamos de 6-1. Isso mesmo, seis gols em seis minutos de partida, uma surra que se deu sobretudo porque minha zaga saía demais e tomava bola nas costas o tempo todo. (Barcelos me avisou sobre isso). A ofensividade não encaixou porque a equipe era incapaz de trocar dois passes certos. O desequilíbrio na química tirou a concentração e a frieza dos jogadores, que saíram do perfil organizado de antes para jogar como aquele horroroso Palmeiras de 2014, um verdadeiro bando.

Para piorar, o adversário seguinte foi a Juventus: 2-0 para os bianconeri, mas até que fomos bem. O problema é que o mesmo placar se repetiu contra a Internazionale, logo depois. Contra Chievo, Genoa, Sampdoria e Roma, novas derrotas, mas sem passar vergonha. Só consegui vencer o Cagliari e depois voltei a empatar contra o Sassuolo e o Torino. Em suma: a Atalanta perdeu a consistência, esqueceu como se passa a bola e mal consegue fazer pressão no adversário em virtude disso.

É de chorar: a defesa sempre está perto do círculo central e não tem velocidade para voltar e recompor. Cheguei a estar ganhando da Roma, mas tomei a virada em 15 minutos de jogo com dois gols de Totti, que é o artilheiro da Serie A (menos mal). Aí você se pergunta: por que raios você não mexeu no time e consertou a defesa? E respondo de imediato: já que estamos brincando de Zeman, sejamos teimosos como o velho tcheco. Insistirei no esquema e na postura até o fim da temporada.

Os caras bons sumiram

Cassanão emprestou sua experiência à Atalanta na Master Liga, mas ainda é muito pouco para o pobre elenco nerazzurro

Dependendo da velocidade e dos dribles de Gómez e Kessié no ataque, me ferrei de verde e amarelo. Primeiro porque Gómez demora para executar suas fintas, segundo porque Kessié infelizmente foi mal elaborado pelo PES, apresentando-se como um atleta lento, previsível e caneludo. Tanto que o coloquei à venda para a janela de janeiro. Cassano, quem diria, sempre entrou bem e deu bons passes para os companheiros. De destaques positivos, apenas Migliaccio, Paloschi e Mexès se salvam.

O Zemanismo colocou a minha Atalanta à beira do rebaixamento. Estamos a três pontos do primeiro colocado na zona de degola, o… Pescara! Mas sejamos justos, não foi só a tática de Zdenek que não colou e culminou nessa zona. Além do time não ter peças apropriadas para executar este plano, mudar a estratégia radicalmente no meio da competição foi letal para a harmonia do meu plantel. Contudo, dificilmente começarei outro save do jeito certo, porque é irritante perder vários jogos em série e não é esta a realidade de Zeman quando assume um novo time, é tudo de última hora, improvisado. Quem quer tentar aplicar os ensinamentos do “Velho Fumeta” no PES ou no FIFA, tem de estar preparado para começar no fundo do poço e depois se recuperar lentamente.

Sabe aquela estreia maravilhosa contra o Genoa na vida real, por 5-0? Então, foi um golpe de sorte que se deu após a revolução nos vestiários do Pescara, que ganhou novos ânimos com Zeman. Isso aí não acontece nos videogames, porque talvez a máquina seja estúpida ou artificial demais para que a moral dos seus atletas faça alguma diferença ao virar a chave.

Com meio campeonato disputado sob a bruxaria de Zeman, a perspectiva é de rebaixamento. A ver como a equipe se acostuma com a tática ao longo das rodadas e reage aos reforços. Isso a gente conta no próximo post da série, ao fim da primeira temporada da Master Liga, semana que vem.

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