Monaco quer repetir o ano de 2000 e ser campeão outra vez

Último time do Monaco campeão francês tinha Gallardo, Giuly e Trezeguet, com Claude Puel no banco. Em busca da consagração após boas campanhas, a equipe monegasca tenta repetir o sucesso de 1999-00, quando deixou o Paris Saint-Germain comendo poeira.

Uma olhada rápida na tabela atual do Francês pode ser um passaporte de volta ao ano de 2000. O Monaco lidera e é seguido de perto pelo Paris Saint-Germain em uma batalha acirrada pela ponta. Já se passaram quase 17 anos e nenhum dos titulares presentes naquela equipe de Claude Puel continua em atividade. Para honrar o seu passado e mirar um futuro ainda melhor do que seus anos de ouro, o Monaco quer manter a pose e tornar a ser campeão francês.

Um pouco de história

Os tempos mudaram demais no Principado. A equipe que venceu a Liga em 2000 chegou longe e voou até uma final europeia em 2004, contra o Porto. Mesmo montando com cuidado a sua melhor equipe de todos os tempos, os monegascos não conseguiram a glória sonhada de estar no topo da Europa. Muitos devem lembrar daquele valioso esquadrão que apanhou dos Dragões por 3-0 na Champions, com Giuly, Rothen, Evra, Ibarra, Bernardi, Prso, Morientes. Depois disso, a torcida se acostumou a ver elencos mais modestos, um público cada vez menor no Louis II e o sofrível rebaixamento no início desta década.

Verdade é que mesmo na década de 1980, com forte investimento, o clube só conseguiu dois títulos nacionais. O plano de dominação internacional minguou e deixou os donos a ver navios com o vice na Recopa Uefa em 1992. A transição para os anos 1990 e 2000 envolveu sempre nomes importantes do futebol internacional (Jürgen Klinsmann, Glenn Hoddle, George Weah e Arsène Wenger, técnico campeão em 1988) e a revelação de craques como Thierry Henry, Lilian Thuram e Emmanuel Petit, estava tudo indo muito bem, alto prestígio, coisa e tal.

A gastança desenfreada e sem retorno colocou a agremiação à beira da falência em 2003, com uma ameaça de rebaixamento não concretizada por motivos financeiros. A final europeia em 2004 foi o canto do cisne daquela geração, que foi se desfazendo lentamente. Só mesmo em 2011 é que a conta chegou, com um descenso em campo.

O Monaco conseguiu se reinventar e voltou forte em 2013, graças ao milionário russo Dmitri Rybolovlev. Com a grana dele, novos craques desembarcaram no clube, relembrando os tempos mais luxuosos. Falcao García, João Moutinho, James Rodríguez, Dmitar Berbatov, Jeremy Toulalan e outras feras fizeram parte desta restruturação que vem permitindo novos sonhos. Se no ano passado o Monaco perseguiu o PSG até o fim da Liga, em 2017 a história parece estar mudando.

Muito mais demérito do PSG, que falha em manter sua soberania, claro, mas não se deve descartar o esforço e o trabalho interessante de Leonardo Jardim no comando técnico. As apostas em jovens e no retorno de Falcao colocaram os rapazes do Principado em posição de favoritismo. São três pontos de vantagem sobre os parisienses, que mesmo após uma reação interessante, não aparentam ter a mesma força da Era Ibrahimovic.

Um alô do passado

Trezeguet foi o goleador do Monaco na campanha vitoriosa de 1999-00, com 22 tentos

Em 1999-00, temporada do último título, a tabela foi um pouco menos generosa com o Monaco, mas com algumas semelhanças. Primeiro que o goleador era tão competente quanto Falcao: David Trezeguet. O argentino naturalizado francês anotou 22 tentos e foi o vice-artilheiro daquela edição, atrás apenas de Sonny Anderson, do Lyon, com 23. A distância final entre Monaco e PSG foi de sete pontos, em uma batalha de 65×58.

O ataque do Principado também sobrou: 69 gols marcados contra 54 do PSG. A margem poderia ser ainda maior se o Monaco não tivesse vacilado em nove derrotas, mas ainda assim, os 20 triunfos foram superiores às 16 vitórias parisienses na competição. No duelo direto, dois confrontos premiaram o esforço da equipe de Claude Puel, incluindo um sonoro 3-0 para os visitantes em pleno Parc des Princes, com gols de Trezeguet, Léonard e Giuly. A volta, no Louis II, teve um placar mais modesto para os mandantes, apenas 1-0, com carimbo de Trezeguet.

Figuras folclóricas integravam o plantel comandado por Puel. No gol, o careca Barthez, com o senegalês Sylva na reserva. A defesa tinha John-Arne Riise, Philippe Christanval, Rafa Márquez, Willy Sagnol; o meio contava com  Sabri Lamouchi, Marcelo Gallardo, Costinha, Sylvain Legwinski; enquanto o ataque dispunha do próprio Trezeguet, Ludovic Giuly, Marco Simone (21 gols na Liga) e o croata Dado Prso. Muitas feras para montar um time B da década de 2000. Gallardo foi eleito o craque do campeonato. Até agora, era só saudade.

A missão de El Tigre e de Jardim

Regularidade. É tudo que o Monaco precisa para não ser assombrado e perder a calma na reta final. Por tudo que esta formação de Leonardo Jardim tem mostrado, é justo que apontemos Falcao e seus colegas como os grandes candidatos ao título. Claro que é possível sonhar com uma boa campanha na Liga dos Campeões, mas o Manchester City é o adversário nas oitavas de final, o que dificulta bastante que isso aconteça.

Melhor mesmo é se dedicar a terminar com chave de ouro uma campanha fadada ao sucesso doméstico. Para se ter uma ideia do quão arrasador é o ataque monegasco, o segundo melhor time no fundamento é o PSG, que tem 47 gols marcados, 23 a menos do que os 70 anotados por Falcao, Germain, Carrillo, Lemar e Boschilia, os principais goleadores.

O primeiro duelo valendo taça com o PSG está marcado para o dia 1º de abril, na final da Copa da Liga Francesa. No primeiro turno da Liga, o Monaco levou a melhor no Principado por 2-1 e segurou um empate por 1-1 em Paris, pelo returno. Parece que o jogo virou de vez e o ano de 2000 tem toda a pinta de que vai se repetir com os alvirrubros em primeiro e o PSG frustrado logo atrás.

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