Noite de Libertadores: O importante é fazer o dever de casa

A Libertadores já está valendo para os clubes brasileiros. Dois deles jogaram pela segunda fase eliminatória, na última quarta-feira. Atlético Paranaense e Botafogo atuaram diante de suas torcidas para conseguir resultados positivos na ida.

Não se estreia em uma Libertadores pensando em goleada. A dificuldade implícita no torneio sul-americano faz qualquer equipe meia-boca da Bolívia parecer mais complicada do que é de verdade. Alguma coisa no coração de cada jogador estica o limite técnico e físico. Para eles, é vida ou morte muito cedo no torneio, antes mesmo da fase de grupos.

Foi pela segunda fase que Atlético Paranaense e Botafogo estrearam na última quarta-feira. Em casa, ambos enfrentaram adversários complicados demais para este estágio da Libertadores. O Furacão recebeu o Millonarios e o Bota jogou com o Colo-Colo no Engenhão.

Não foi nada surpreendente que os brasileiros saíram com placares magros do jogo de ida. Seria otimista demais apostar em uma vantagem larga nestes termos, o que deixa os confrontos completamente abertos para a volta.

O retorno atleticano

A Arena da Baixada recebeu bom público e o Atlético não decepcionou. É verdade que os titulares ainda estão fisicamente um tanto distantes da forma ideal, mas a estreia oficial dos rubro-negros na Libertadores animou. O time de Paulo Autuori imprimiu seu ritmo e mandou na partida, tocou bem a bola, com calma. Enfrentava um adversário que se preocupou tanto em defender, que não sabia o que fazer quando tinha a bola no campo de ataque.

A tendência defensiva do Millonarios ficou clara com a marcação rigorosa nos principais homens de frente. Grafite não teve paz e apanhou bastante durante os 90 minutos. Pelo menos dois pênaltis poderiam ter sido marcados além do que originou o único gol do confronto, na segunda etapa. O próprio Grafite deu conta do recado e marcou. Com a bola rolando, o camisa 23 atleticano sofreu um pouco para conseguir dominar os lances ou ganhar na velocidade dos colombianos, mas isso é perfeitamente normal para alguém de 37 anos de idade em começo de temporada.

O Atlético não joga a Libertadores desde 2014, quando foi eliminado ainda na primeira fase. Adriano atuou pelo clube e decepcionou, fazendo apenas um gol naquela edição. É possível ver que desta vez os rubro-negros paranaenses estão mais preparados para os desafios que enfrentarão na Libertadores. Contratações como a de Felipe Gedoz, Carlos Alberto (querendo ou não, é bem experiente) e do próprio Grafite mostram a preocupação em ter gente que conhece os caminhos para o título.

Curiosamente, Grafite é peça-chave deste projeto de fazer uma boa campanha em 2017. Ele defendeu o São Paulo em 2005, quando o Tricolor levantou o caneco pela última vez, mas se lesionou contra o Palmeiras nas oitavas de final e não enfrentou o Atlético na decisão. Apesar da idade, o centroavante tem plena condição de ajudar os atleticanos nesta empreitada.

No jogo de volta, o Atlético precisa primeiro conseguir afastar o perigo de sua área, visto que o Millonarios jogará todas as fichas em um placar por dois gols de diferença. Um contragolpe com gol dos visitantes na semana que vem pode ser crucial em Bogotá. Forçar entradas na área e duelos no mano a mano dentro da cozinha colombiana são táticas úteis para definir a vaga para a terceira fase de mata-mata. Caso segure a igualdade e avance, o Furacão pega Deportivo Capiatá ou Universitario do Peru, que ao menos no papel não botam tanto medo quanto o Millonarios.

O gol culposo que pode valer vaga

O Botafogo fez lembrar seus grandes jogos de 2016. Superando o próprio nervosismo pelos três anos de ausência na Libertadores, o time de Jair Ventura soube explorar os caminhos à disposição para marretar o encardido Colo-Colo. Os dois gols dos mandantes no Engenhão saíram na primeira etapa, como mostra do gás e do empenho dos jogadores.

Com um chutaço de fora da área, Aírton marcou seu primeiro gol pelo Bota e enlouqueceu a massa botafoguense presente. O segundo foi uma peça curiosa de sorte por parte dos supersticiosos alvinegros de General Severiano. Um ataque bem tramado por Montillo ia servir Rodrigo Pimpão no meio da área. Entretanto, Baeza entrou na trajetória da bola e tentou afastar. Para o desgosto do defensor chileno, a pelota explodiu em Pavez e foi para o fundo da rede, um lance fortuito que praticamente representava o fim do duelo antes mesmo do intervalo.

Ou o Botafogo tomava conta de vez e fazia três ou quatro, ou o Colo-Colo reagia e mostrava que sua tradição não ficou esquecida na viagem ao Rio. Paredes, o capitão do Cacique, descontou para os visitantes em outro lance um tanto bizarro. A bola parecia ter sido soprada para dentro do gol de Gatito Fernández em um chute despretensioso. Mas nem isso tirou a alegria botafoguense na noite carioca.

O placar é bem perigoso e qualquer 1-0 para o Colo-Colo vale para os chilenos em Santiago. Entretanto, parece difícil acreditar que o Botafogo vá sair do confronto sem marcar, mesmo na casa do adversário. Muitos motivos levam a crer que o Bota tem bola e nervos para administrar o agregado de forma que continue na competição.

O problema é que se passar agora, o Glorioso pegará o vencedor de Independiente Del Valle e Olimpia em mais um duelo arriscadíssimo. Para quem conseguiu calar meio mundo no ano passado com uma reação histórica, sonhar com a presença na fase de grupos nem parece um milagre tão grande assim. Confiemos em Jair Ventura para que o Bota voe ainda mais longe.

Outros resultados

Terça-feira: Cerro-URU 2-3 Unión Española, Carabobo 0-1 Junior Barranquilla, Atlético Tucumán 2-2 El Nacional (ida)

Nesta quinta-feira: Deportivo Capiatá x Universitario, Independiente Del Valle x Olimpia e Montevidéu Wanderers x The Strongest (ida)

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