Lampard se aposenta como o maior ídolo da história do Chelsea

Sai de cena em definitivo um dos grandes personagens do futebol inglês na última década. Durante seu auge, Frank Lampard experimentou das maiores glórias que o Chelsea pôde provar. Com o camisa 8 em campo como líder, capitão ou referência técnica, os Blues conquistaram quase tudo. Por isso a história do clube londrino e do atleta se misturam tanto.

Chega o momento em que precisamos reconhecer o tamanho da lenda em torno de Frank Lampard. Aos 38 anos, o meia anunciou a sua aposentadoria e ganhou diversas homenagens do mundo do esporte. Em especial, os torcedores do Chelsea guardam gratidão e admiração pelo que o segundo representante dos Lampard no futebol inglês conquistou.

Em 1995, a carreira de Frank Lampard Jr. começou pelo West Ham. Criado na base dos Hammers, mesmo clube que fez seu pai famoso nos anos 1980, o menino surgiu como um atleta diferenciado ainda nos juniores. Todos queriam saber se ele estaria à altura do primeiro Lampard ou do tio Harry Redknapp. Fato é que ele demorou para poder permitir qualquer conclusão.

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O empréstimo ao Swansea foi uma fase complicada, mas necessária para a evolução de Frank como atleta. Redknapp, técnico dos Hammers na época, considerou a transação uma espécie de teste para ver até onde ia a vontade do menino em jogar profissionalmente. Devolvido ao West Ham meses depois, engrenou e ganhou projeção como titular do time. Em 2001, quando estourou de vez aos 23 anos, precisava de uma passagem inesquecível na carreira para se consolidar. E ela veio.

O convite do Chelsea apareceu em uma hora turbulenta. Harry e o pai de Frank saíram do West Ham pela porta dos fundos e o garoto não se sentia mais confortável no Boleyn Ground. Mal sabia ele que a mudança forçada seria o grande salto da sua vida. Titular absoluto, era uma das esperanças do elenco em 2001-02 ao lado de Gianfranco Zola e Jimmy-Floyd Hasselbaink.

O Chelsea atravessava um período de transição. Os anos 1990 foram animadores, com títulos relevantes, mas na Premier League, ainda faltava uma campanha competitiva de fato. Na temporada de estreia de Lampard com a camisa dos Blues, o sexto lugar serviu de trampolim para os tempos milionários de Roman Abramovich, o dono do clube que injetou caminhões de dinheiro para fazer dos Leões campeões de fato.

Lampard se transformou rapidamente no maestro destas ambições. A partir de 2003, o Chelsea deixava de ser uma força mediana para se transformar em uma potência. Craques de nível mundial desembarcaram em Stamford Bridge para atender esta obsessão de Abramovich. Tantos chegaram e partiram, mas Frank ficou e fez história. Foram 13 anos de dedicação e abrindo caminho para a fase dourada da agremiação londrina.

Ao todo, 13 títulos, média de um por ano. Algo impensável para os torcedores do Chelsea. Lampard saiu de cena apenas em 2014, já bem experiente, com a honra de ser o maior artilheiro dos Blues em todos os tempos, marcando 211 gols. As taças falam por si: três vezes campeão inglês, quatro vezes vencedor da Copa da Inglaterra, duas da Copa da Liga e regente do time que faturou a Liga dos Campeões em 2012, dentro da Allianz Arena contra o Bayern de Munique. No ano seguinte ao tão sonhado título europeu, a Liga Europa foi o prêmio para um time que se recuperou de uma primeira metade trágica na temporada.

Não era só com gols que Lampard contribuía. Mesmo porque, na posição de um meia, finalizar nem era a sua primeira obrigação. O seu talento era mais visível como o garçom para os companheiros, de vez em quando até batendo faltas com perfeição. Poucos na história do Chelsea foram tão bem sucedidos como líderes, algo que nem mesmo John Terry conseguiu fazer como capitão em tantos anos.

Foi uma longa estrada até 2014, quando Frank decidiu dar outros rumos à sua carreira. Contratado pelo New York City FC, da MLS, ajudou a impulsionar a liga norte-americana na cidade mais cosmopolita de todas ao lado de Andrea Pirlo e David Villa. Não foi campeão, mas nem precisava disso. Provou bem antes ser uma lenda e um craque de toque refinado. Quem o viu sair desacreditado do Swansea na década de 1990 provavelmente não esperava que ele se transformasse em uma figura tão emblemática.

Frankie também teve seus momentos com a camisa da Inglaterra, mas assim como toda a sua geração, ficará marcado por decepcionar em cenário internacional, um drama vivido por todas as seleções inglesas formadas após 1966. Lampard ainda atuou pelo Manchester City por um breve período em 2014, irritando alguns torcedores do Chelsea. Mas nem mesmo esse namoro fugaz com os Citizens foi capaz de apagar a relação incrível construída em Stamford Bridge.

Voltamos a 2017 e Lampard vira notícia novamente. Agora por encerrar seu ciclo no esporte e dar lugar a outros ídolos, seja no Chelsea ou no New York City FC, onde foi um dos pioneiros. Tempo que passa rápido demais e nos faz sentir velhos por acompanhar a ascensão e o apagar desta estrela. Sem receio de cometer injustiças, podemos dizer seguramente que a camisa 8 de Frank Lampard Jr. é o maior ícone que o Chelsea poderia ter. Pois foi no seu turno que o clube saltou para se tornar o gigante que é hoje.

Há quem diga que grandeza não se compra, com toda a razão. O Chelsea não se faz representativo só por ser rico, mas por ter conquistado quase todos os troféus que uma equipe almeja. Com Lampard desabrochando de promessa a talento inquestionável.

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