Os grandes bigodes da história do futebol italiano

Na semana passada, relembramos alguns dos mullets mais memoráveis do futebol alemão oitentista. Para manter a sequência do gênero, retratamos agora uma marca indelével do Calcio: os futebolistas bigodudos que deixaram seus nomes na história do esporte. Jogue fora a sua gilette para ler mais esse compilado.

A Itália não é o país mais conhecido no mundo por seus bigodes. Não, não, isso é uma coisa que se atribui aos portugueses, que certamente tiveram espessas pelugens abaixo do nariz. Entretanto, a Serie A já formou grandes craques bigodudos que deixam até mesmo a versão mais bigoduda de Super Mario com inveja.

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Sandro Mazzola, Inter

Começamos lá nos anos 1960 e 70, com Sandro Mazzola, gigante da Internazionale. Nascido em Turim, o meia-atacante teve grande sucesso com os nerazzurri e a seleção italiana. Conquistou duas vezes a Copa dos Campeões Europeus, a Eurocopa em 1968 e quatro scudetti. É filho de Valentino Mazzola, ídolo do Torino que foi uma das vítimas da Tragédia de Superga, em 1949.

Giuseppe Bergomi, Inter

Apelidado de “Tio” por sua bigodarra, Giuseppe Bergomi estourou muito cedo na zaga interista e virou uma referência para o setor. Defendeu o clube milanês por duas décadas e antes mesmo de completar 18 anos já tinha o sinal da idade no rosto. Curiosamente, conforme envelhecia, Bergomi aparentava ser mais jovem sem o bigode. Eventualmente a monocelha ocupou grande parte de seu rosto, mas isso não o impediu de ser uma espécie de Benjamin Button da bola. Beppe foi campeão do mundo em 1982 com a Itália, venceu três vezes a Copa Uefa e uma vez a Serie A e a Coppa. Assim como Mazzola, só jogou pela Inter.

Roberto Pruzzo

Possivelmente o maior bigode que já atuou com a camisa giallorossa. Atacante dos bons, Pruzzo botava a bola na rede em qualquer mínima chance. Chegou à Roma em meados da década de 1970 e viveu a época dourada do clube capitolino, com o scudetto em 1983 e quatro títulos da Coppa. “Il Bomber” foi três vezes o artilheiro da Serie A enquanto viveu seu auge vestindo a 9 romanista. Um gênio que nunca se deu muito bem com o barbeador. Roberto também jogou pelo Genoa e pela Fiorentina.

Toninho Cerezo e Júnior

Toninho Cerezo e Júnior faziam parte do time dos sonhos do Brasil na Copa de 1982. Em 1983, o volante deixou o Atlético Mineiro e se juntou à Roma, onde seria vice-campeão europeu e bicampeão da Coppa. Incansável, Cerezo assinou com a Sampdoria em 1986 e ajudou os genoveses na inédita conquista do scudetto em 1991. No ano seguinte, voltou ao Brasil. Toninho foi indicado ao hall da fama romanista em 2016.

Conhecido como “Capacete” pelo seu cabelaço espalhafatoso, Júnior já era o maior lateral da história do Flamengo quando chegou ao Torino, em 1984, com demasiada experiência. Foram três anos no clube turinense antes de uma passagem memorável pelo Pescara. Essa foto ao lado de Cerezo reforça que o Brasil também teve bigodes de muito valor nos anos 1980.

Rudi Völler, Roma

Campeão da Coppa em 1991 com a Roma, o “Alemão Voador” encantou os romanistas com o seu jogo. Völler defendeu a equipe giallorossa entre 1987 e 92, em um momento de transição das vitórias para a época de vacas magras. Ainda assim, Rudi é muito querido pela torcida pelos gols que marcou.

Graeme Souness, Sampdoria

O talentoso e problemático escocês Graeme Souness entra na nossa lista por ter atuado pela Sampdoria em duas temporadas nos anos 80. O meia já havia conquistado de tudo pelo Liverpool e chegou à Gênova em 1984. Ficou na Samp até 1986, até seguir para os Rangers, onde se aposentou. Souness foi campeão da Coppa em 1985 com os blucerchiati.

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Franco Causio

Favor não confundir com atores do ramo pornográfico. Campeão do mundo em 1982, Franco Causio foi um dos maiores jogadores que a Itália já viu. Ponta extremamente bem sucedido, exímio armador e adepto de um bom drible, viveu uma longa carreira por clubes locais. Em uma trajetória que durou 24 anos, “O Barão” teve sua fase mais inspirada e vitoriosa com a Juventus, onde foi campeão da Serie A seis vezes e completou seu palmarés com os canecos da Copa Uefa e da Coppa. Jogou no Lecce, na Sambenedetesse, no Reggina, no Palermo, na Udinese, na Inter e na Triestina, onde se aposentou aos 39 anos, em 1988.

Pietro Paolo Virdis

Este aqui com cara de garçom de churrascaria também rodou. Até que vivesse seu auge, o atacante Pietro Paolo Virdis gastou a bota no futebol italiano. Começou a jogar em 1973, pelo Nuorese e passou por Cagliari, Juventus e Udinese antes de se consagrar como matador vestindo a camisa rubro-negra do Milan. Ele pegou o fim da fase desgraçada dos rossoneri e o início do arrasador esquadrão de Sacchi. Seus títulos foram conquistados pela Juventus (dois scudetti e uma Coppa) e por Milan, na Serie A em 1988 e na Copa dos Campeões em 1989. Mais picanha, senhor?

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Ian Rush, Juventus

O galês Ian Rush sabia bem da arte de fazer gols. Não à toa, é o maior artilheiro da história do Liverpool, clube que o alçou ao eterno estrelato. Entretanto, a temporada com a camisa da Juventus não trouxeram o sucesso esperado para o centroavante. Dono da camisa 9, falhou em romper o bloqueio defensivo dos adversários na Serie A e retornou para a Inglaterra com apenas oito gols no currículo, sem título algum. Azar da Juve, já que nos Reds, Rush deitava e rolava no período mais avassalador de sua história, vencendo títulos e mais títulos na Inglaterra.

Zbigniew Boniek

O ruivo polaco fez história na Grande Juve dos anos 1980. Atacante dos bons, Boniek era chamado de “Belo da Noite” por sua aptidão para partidas disputadas em período noturno. Nos três anos (1982-85) em que defendeu a Velha Senhora, Zbigniew chegou bem maduro para conquistar os títulos da Serie A, Coppa, Copa dos Campeões da Europa e a Recopa Uefa. Em 1985, se transferiu para a Roma e venceu a Coppa em 1986. Aposentou-se em 1988, com a camisa giallorossa.

Gigi Meroni

A história de Gigi Meroni é tão triste que até ficamos desmotivados a fazer qualquer brincadeira sobre ele. Revelado pelo modesto Como, o meia passou com destaque pelo Genoa antes de jogar no Torino, em 1964. O talento inquestionável do baixinho rendeu convocações para a Itália e a idolatria dos torcedores do Toro, que viam nele uma chance de resgatar o passado glorioso e destruído pelo acidente de Superga. Aos 24 anos, Meroni foi atropelado e morto de forma absolutamente trágica. Nunca teve o gostinho de ser campeão italiano. Mas que esse bigodinho era safado, era sim, ninguém nega.

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Frank Rijkaard e Ruud Gullit

Parece uma foto promocional de turnê do Só pra Contrariar pela Itália, mas é a apresentação de Frank Rijkaard, o último holandês do trio que arrasou o país com a camisa do Milan. A carinha de Rijkaard lembra Alexandre Pires em início de carreira lá em Uberlândia, quando o cantor ainda não havia feito amor com a pessoa errada. Agora para o que importa: os dois holandeses de bigodinho maroto marcaram um timaço milanista que foi construído a partir de 1986. Dali até 1993, os rossoneri contaram com a astúcia de Rijkaard na volância e a genialidade pura de Gullit na armação e na finalização. Juntos, conquistaram duas vezes a Serie A, a Copa dos Campeões e o Mundial Interclubes. Certamente um dos maiores times da história.

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