O Coritiba é a última chance de Ronaldinho provar que ainda é sério

Entra ano, sai ano, algum clube brasileiro quer contratar Ronaldinho. Depois de uma passagem frustrante e irrelevante pelo Fluminense, o Coritiba é o grande candidato a fechar contrato com o melhor do mundo em 2004 e 2005. Mas a pergunta de ouro não é se o Coxa de fato irá contrata-lo, e sim se ele se interessa em continuar jogando futebol a sério.

Com 36 anos de idade e poucos bons momentos na última década, Ronaldinho é o grande exemplo de craque que não soube a hora de parar. A decisão por rodar o mundo pode até ser um indício de que ele gosta demais do esporte para se aposentar, mas por outro lado, a maneira de encarar a profissão que o fez famoso rendeu críticas justas e por vezes severas.

O problema para Ronaldinho é que o futebol não é uma gincana em que só se joga por prazer. Competir implica se dedicar e tentar dar algum resultado, algo que evidentemente não tem estado entre as preocupações do meia até agora. Não significa que ele tenha esgotado completamente seu repertório.

Quem viu Ronaldinho sair pela porta dos fundos do Flamengo e assinar com o Atlético Mineiro, em 2012, esperava um novo capítulo irrelevante do atleta. Mas a verdade é que Dinho fez mágica e ajudou o Galo a erguer a Libertadores em 2013. Um gênio disposto é sempre útil a qualquer time. Nem sempre foi assim. Já no fim da sua estadia em Belo Horizonte, o desinteresse falava mais alto.

Criou-se então o conceito do “Ronaldinho Globetrotter”, um atleta apenas de exibição que só aparecia com o nome e alguns dribles para eventos específicos fora do Brasil. Contratos longos não eram mais atraentes, o que pesava era o dinheiro, uma postura marcante desde seu retorno ao Brasil, em 2011. Foi com essa mentalidade que ele atuou por um dia com as camisas do Barcelona de Guayaquil e do Cienciano, durante amistosos. Essa tendência a virar “showman” se arrastou por todo o ano de 2016. Chegamos então a 2017, em que Ronaldinho está muito perto de acertar com o Coritiba para a temporada.

O Coxa não o quer só para fazer número ou marketing, como o Fluminense tentou e falhou em 2015. O que se espera dessa transferência é que ela seja a última em nível aceitável na carreira de Dinho. E então, retornamos a pergunta que abriu este texto: é isso que Ronaldinho quer de verdade? A sua contratação é apoiada por Kléber, capitão do time, e por Paulo César Carpegiani, o técnico alviverde.

A presença de Belletti como vice-presidente de relações internacionais do Coxa pode fazer diferença ao convencer Ronaldinho a desembarcar no Couto Pereira. E ao contrário do que possa parecer, o craque e seu irmão Assis pretendem firmar um acordo de produtividade, visando objetivos esportivos, não só porcentagens de marketing. Resta saber, no entanto, se o jogador se interessa em ser efetivamente um atleta ou se busca apenas mais uma passagem como velha glória com a camisa do clube paranaense.

Não se espera que ele atue 90 minutos com frequência ou que tenha o mesmo poder de decisão de outrora. É impossível resgatar o Ronaldinho de 2005 em sua essência. Desde que saiu do Barcelona, em 2008, ele tem sido um triste retrato de alguém que tem atuado abaixo de seu potencial. Se isso aconteceu porque ele dá mais atenção à sua vida particular, não é da nossa alçada. O foco aqui é no que ele faz em campo, como profissional.

Ronaldinho não terá a missão de conduzir o Coritiba a títulos, porque esta não tem sido a realidade da equipe nos últimos anos. O mínimo que se espera dele é querer fazer diferença. Isso posto, o Coxa ganharia um grande reforço para a temporada. No entanto, o que leva a pensar de que após quase dois anos sem jogar sério, ele possa simplesmente estalar os dedos e fazer o que sabe melhor? São questionamentos que ficarão no ar até que ele saia deste transe e mostre o que é capaz.

Está aberta uma nova porta para o trecho final da carreira de Ronaldo. E a última imagem coerente com tudo que ele fez até aqui é ter apetite. Quem vai querer um craque com quase 40 anos e sem noção de compromisso?

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