O leilão para contratar Hernán Barcos é a nova novela sul-americana

Cotado para acertar com vários times nos próximos dias, o atacante argentino Hernán Barcos está vivendo um leilão lamentável na América do Sul. Em situação semelhante à de Ronaldinho em seu retorno ao Brasil no ano de 2011, o Pirata é o protagonista de uma novela com enredo muito mal escrito.

Lembra da história do “só falta assinar, caixas de som no gramado”? Com essa expressão, o Grêmio virou piada no início de 2011, quando ficou muito perto de repatriar Ronaldinho. Mas como o amigo leitor bem sabe, as coisas foram diferentes. Houve até um interesse do Palmeiras, mas quem levou o craque foi mesmo o Flamengo. Independente de como tenha terminado essa história, estamos vendo uma reprise ruim e com um protagonista igualmente feio.

O remake de “Leilão na Churrascaria” tem Hernán Barcos no lugar de Ronaldinho, enquanto seu agente está no papel de Assis, irmão do brasileiro, apontado como o responsável pelas suas complicadas negociações. Seis anos se passaram e Barcos está mais velho (32 anos) do que Ronaldinho estava na época (tinha 30 quando assinou com o Fla). A semelhança na trama é que o Pirata tem Atlético Nacional, Fluminense e Santos em sua lista de pretendentes.

No fim de 2016, a imprensa equatoriana chegou a cravar um acerto dele com o LDU, onde teve grande fase antes de ser contratado pelo Palmeiras, em 2012. Barcos saiu do Verdão em 2013 em uma negociação surreal com o Grêmio e em 2015 foi para o Tianjin Teda. No ano passado, Hernán defendeu o Sporting e o Vélez Sarsfield sem tanto sucesso.

É inegável que ele ainda é um atacante valorizado, mesmo após o ano ruim. E que o Santos provavelmente teria se dado bem com a sua assinatura. Entretanto, um empecilho fez o Peixe desistir da ideia: arcar com uma dívida de 1 milhão de dólares do Vélez com o Sporting. O presidente Modesto Roma preferiu se afastar do negócio por achar os valores altos demais para Barcos.

A negativa do Santos expõe outro lado dessa história. No começo da semana, a imprensa brasileira deu como certa a chegada de Barcos ao clube da Vila Belmiro, não levando em conta que ainda poderia ocorrer algum problema antes da assinatura. O que se sabia era que Barcos estava conversando com o Nacional e o Peixe entrou na briga, atravessando os atuais campeões da Libertadores. Na última semana de 2016, o Fluminense fez a mesma coisa, causando a desistência da LDU no atacante. Mas obviamente, nada ficou definido.

O ano de 2017 tem apenas seis dias e já tivemos quatro equipes diferentes ligadas a Barcos. Será mesmo que o valor de 1 milhão de reais é o grande empecilho para que ele decida seu futuro? Ou teremos mais candidatos se metendo na trama para contratá-lo?

Os agentes de Barcos não fazem muito diferente de Assis, que ainda tem imagem de mercenário no futebol brasileiro por dificultar demais o acordo de Ronaldinho com os times daqui em um passado recente. Se a postura de Assis foi criticada (com razão), os representantes do Pirata também precisam ser questionados.

Existe de fato um leilão pelo atacante ou LDU, Fluminense, Santos e Atlético Nacional tiveram incapacidade de selar a transação? Parece pouco provável que forças deste tamanho não tenham condições de arcar com a citada dívida do Vélez com o Sporting, resolvendo assim a pendência que separa Barcos de um acerto.

Ao fim do dia, a questão é meramente de quem pode pagar mais para ter um jogador que não vive boa fase. Dificilmente Barcos encontrará lugares melhores do que os que lhe foram ofertados. Mas como todo dramalhão sul-americano, uma reviravolta na trama nunca pode ser descartada. Amanhã pode ser o seu time sendo engambelado pela possibilidade de acordo com Barcos. Até que alguém se dê conta de que estamos lidando com um jogador longe de seu auge, não uma obra de arte rara digna de ofertas milionárias.

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