A esperança de uma nova e vencedora Chapecoense

Aos poucos, novas caras vão chegando a Chapecó para restaurar o orgulho de uma cidade, ferido em novembro passado com o acidente que vitimou o maior time da história da Chapecoense. Se em tão pouco tempo eles conseguiram dar a volta por cima em uma grave crise e chegar a uma final de Copa Sul-Americana, ninguém há de duvidar de uma nova história de sucesso escrita em verde.

Vagner Mancini, Douglas Grolli, Elias, Rossi, Dodô, Reinaldo, Túlio de Melo, Nadson, Diego Renan, Niltinho, Amaral, Osman e Luiz Otávio. Estes são, até agora, os reforços confirmados no elenco da Chapecoense para 2017. Em adição a possíveis talentos da base que subam para o profissional nestes primeiros meses, a equipe catarinense tem motivos de sobra para acreditar em um ano tranquilo.

Sobretudo porque não haverá cobrança em cima do novíssimo plantel que se constrói, tendo em vista que a cicatriz e o luto ainda são muito recentes. A começar por Mancini, o time tem tudo para fazer uma boa temporada e brigar pelo título estadual. É cedo para falar em ser campeão, é claro, já que também há que se considerar o fator entrosamento para que os jogadores se entendam e atuem de forma competitiva em conjunto.

Seguindo o perfil da antiga diretoria, a Chape investe em jogadores que não são famosos ou caros. Contratações cirúrgicas e o bom trabalho de olheiros é que fez o clube ter boa mão de obra para subir da quarta para a primeira divisão em menos de uma década. O fenômeno da Chape, que já havia conquistado o Brasil terá de ser repetido, com um pouco mais de empenho.

Se manter na elite é a prioridade por agora. Eventualmente, se o elenco conseguir se encaixar, podemos falar em resultados, mas tudo agora é como um chão de fábrica. A gestão tão ponderada e eficiente da Chape será posta à prova para reorganizar e reconstruir a base de um novo trabalho. De 2016, restam os uniformes e a saudade do que ficou como legado, uma trajetória brilhante que colocou Chapecó no mapa do futebol na América do Sul.

A expectativa é de que mais caras novas (algumas nem tanto) sejam incorporadas a este grupo: o lateral Zeballos, do Defensor-URU, o volante Moisés, do Grêmio e o atacante Wellington Paulista, apalavrado desde o final de 2016. Apodi, do Sport, que teve excelente passagem pela Chape em 2015, também está próximo do clube, assim como o volante Andrei Girotto, que estava no Kyoto Purple Sanga do Japão.

Mais do que nunca é preciso que os outros integrantes da primeira divisão pratiquem o que tanto pregaram após a tragédia do ano passado, colaborando na montagem deste projeto, seja com empréstimo de jogadores ou outras parcerias que representem uma verdadeira mão estendida à Chape depois disso tudo. Só ceder atletas dispensáveis e indesejados soa mais como oportunismo do que um apoio genuíno.

A equipe queridinha do Brasil ganhou não só uma nova injeção de ânimo e as atenções do mundo todo, mas a adição de milhões de torcedores, novos sócios e cantos de apoio que ecoarão pelo continente durante a Copa Libertadores, continuando a façanha de 2016.

O dia 21 de janeiro de 2017 marcará a primeira partida do time profissional diante de sua torcida, na Arena Condá. Um amistoso contra o Palmeiras terá sua renda integral revertida para as famílias das vítimas do acidente e os custos operacionais serão de responsabilidade dos paulistas. Além da clara homenagem, fica também a marca de uma boa relação entre as equipes, que se enfrentaram no jogo que deu o título brasileiro ao Verdão do Palestra Itália no ano passado, dentro do Allianz Parque.

O último duelo oficial da Chape em 2016 será reprisado, agora na casa do futebol em Chapecó, com novos heróis. Os heróis que foram escolhidos para devolver o sorriso ao rosto desta torcida que tanto merece. A palavra do ano na Arena Condá é esperança.

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