Interminável, Magno Alves se prepara para mais um desafio no Ceará

Se alguém pensou que a saída ou a temporada discreta de Magno Alves em 2016 representariam aposentadoria, as notícias recentes envolvendo o atacante deram conta de mostrar o contrário. Pronto para a sua terceira passagem pelo Ceará, o atacante de 40 anos ainda promete muitos gols antes de pendurar as chuteiras.

Falar de Magno Alves é como tratar de um craque que se recusa a abandonar o futebol. Dono de uma marca impressionante de gols, ele já tem 93 pelo Vozão e pretende chegar aos 100 ainda no Campeonato Cearense, que começa no dia 18 de janeiro.

E a contratação não é apenas mais uma transferência simples na vida de Magno. A última vez que ele esteve com a camisa alvinegra foi histórica, entre 2012 e 2015, quando completou 400 gols como profissional e quase devolveu o Ceará à primeira divisão nacional. O goleador vivia uma fase coerente dentro do que já havia feito no futebol desde 1993. A longa estrada e os vários clubes já defendidos ajudam a contar um pouco a história deste perseverante cidadão de Aporá, na Bahia.

A vida de Magno começou a mudar graças ao esporte, quando em 1997, jogando pelo Criciúma, chamou a atenção do Fluminense. Chegou em 1998 ao Tricolor, onde viveu seus momentos mais notáveis e se tornou ídolo da torcida nas Laranjeiras. O Flu estava na Série B e ainda cairia para a C em 1999. Ao lado de jovens como Roger e Roni, Magno brilhou por quatro anos até ser vendido ao futebol coreano. Ninguém esquece das suas arrancadas e jogadas de habilidade.

Fato é que Magno esteve um tanto distante dos holofotes por oito anos, enquanto jogou no futebol asiático. Jeonbuk da Coreia do Sul, Oita Trinita e Gamba Osaka do Japão, Al-Ittihad da Arábia Saudita e Umm-Salal do Catar foram os clubes defendidos pelo artilheiro até 2010, quando acertou seu retorno ao Brasil, justamente pelo Ceará. Sem esquecer o caminho para as redes, manteve a regularidade, ainda que em idade avançada.

Superando passagens mais modestas por Atlético Mineiro, Umm-Salal e Sport, Magno só faltou fazer chover no Ceará a partir de 2012. Mas ele precisou de alguns meses para encontrar seu melhor futebol. Quando o fez, o antigo matador estava na ponta dos cascos. Fez incríveis 37 gols em 2014, quando já estava com 38 anos, levando o Troféu Friedenreich, concedido pelo Globo Esporte. Vital como capitão do Ceará, o “Magnata” provou que a experiência em tantas temporadas lhe ajudou a ser um jogador tão eficiente quanto no ápice de sua juventude.

A idolatria da torcida do Fluminense, somada à temporada incrível em 2014 fizeram Magno retornar às Laranjeiras. Contudo, sem tantas chances, ele acabou relegado ao papel de reserva e talismã. Foram dois anos para esquecer. Engana-se quem pensou que Magno estava pronto para a aposentadoria. Prestes a completar seu 41º aniversário, o atacante ainda tem lenha para queimar e quem sabe ser fundamental para mais um título do Vozão.

O futebol para Magno não é encarado como a maioria dos trintões ou quarentões que se arrastam em campo. Ele se preservou o bastante para fazer bonito, continuar marcando gols e sendo motivo de orgulho para seus fãs. É 2017 que vai dizer se o Magnata ainda pode ser artilheiro ou se este será mesmo seu último desafio.

Se há uma lição que aprendemos com Zé Roberto é que não se deve subestimar os quarentões, logo eles que desafiam as leis do futebol, driblando a idade e os efeitos do tempo. Aliás, pobre do tempo, entortado várias vezes pela determinação de Magno. Que 2017 seja mais um ano para entrar para a história na vida deste baiano que desconhece o verbo desistir.

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