Brasileiraço: Não há mais nenhum santo

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Arbitragem volta a ser o foco da rodada. Palmeiras vence o Figueirense com erros a seu favor e dispara na liderança, se aproveitando do tropeço do Flamengo. É hora de reconhecermos que não há nenhum santo ou salvador da moral do futebol brasileiro.

Série A, R31: Todo mundo tem o direito de reclamar

internacional-vence-flamengoNão há nenhum santo no Brasileirão. O dirigente que se faz de coitado e afirma que o seu clube só é prejudicado muda de lado rapidamente e passa a ser um agente de bastidor para que a situação seja invertida. Foi assim que Paulo Nobre fez quando se meteu na encrenca de Flamengo e Fluminense e pressionou a arbitragem, porque tem interesse que o Palmeiras seja beneficiado de alguma forma com esse trololó.

O Palmeiras foi beneficiado contra o Figueirense. Depois de tanto reclamar e espernear, o Verdão só abriu distância na ponta porque teve um pênalti mal marcado a seu favor (ainda que tivesse um outro mais marcável ignorado pelo árbitro no primeiro tempo) e o Figueira teve uma falta em Rafael Silva (dentro da área) não assinalada. O placar foi de 2-1, mas poderia facilmente ter terminado empatado ou coisa assim. Existe também uma câmera alternativa que indica que o lateral que originou o segundo gol do Palmeiras foi irregular, pois a bola lançada por Dudu quicou fora do campo antes de voltar ao jogo. Lance difícil, coisa e tal, mas continua sendo um erro.

Aí entra a parte do descaramento: algum dirigente palmeirense apareceu para reconhecer que o clube foi ajudado pela arbitragem? Não. E nem esperamos que isso aconteça. Você viu quantos torcedores palmeirenses reconhecendo que a arbitragem foi lamentável e favoreceu o time deles?

Pior: o Palmeiras também foi notícia por proibir um atleta emprestado ao Figueirense de entrar em campo. A prática, proibida pela Fifa, pode gerar uma multa ao líder. Tudo porque o volante Renato, que pertence ao Verdão, foi pressionado pelo seu empregador a não atuar no duelo direto de domingo. Os catarinenses se revoltaram e com toda a razão. Mesquinha e ilegal a medida, impedindo um jogador de exercer a função pela qual é pago.

Daí temos o Flamengo. Que venceu o Fluminense no meio de semana e só se fala naquele gol corretamente anulado do Tricolor, mas que se deu por um meio não permitido pelas regras. Fazer o certo por linhas tortas pode parecer poético e até bíblico, mas dentro do futebol, ainda não é exatamente elogiável. Teve interferência da TV e isso é proibido por regra, foi um lance capital da partida e que alterou o resultado. Nada disso teria acontecido se o senhor Sandro Meira Ricci não tivesse se embananado ao VALIDAR o lance. Agora o Fluminense tem base para entrar na Justiça e melar um campeonato que estava emocionante e pode acabar sendo decidido da pior forma possível: fora dos campos.

O mesmo rubro-negro que venceu o Fluminense teve o seu presidente bradando contra Paulo Nobre e alegando que o palmeirense “não tinha nada a ver com a história do Fla-Flu”, no que estava correto também. Tudo isso para chegar no domingo e se meter da mesma forma que havia criticado na discussão de Palmeiras x Figueirense. Teria ele reclamado se o Flamengo tivesse ganho do Inter em Porto Alegre? Provavelmente. Mas o Fla tropeçou como há muito não se via e levou uma virada dos Colorados, que voaram para fora do Z4, deixando o Vitória em seu lugar.

Então, dois mais dois são quatro, podemos entender que na verdade, os cartolas brasileiros não falam a língua da transformação moral do futebol daqui. Eles só falam o dialeto do interesse próprio. Enquanto houver egoísmo na forma como eles se comportam com os outros integrantes da Liga, vamos continuar contando histórias lamentáveis de presidentes que só abrem a boca para reclamar quando são prejudicados, mas que fazem silêncio quando vestem os sapatos dos beneficiados.

O amigo ilustríssimo Rodrigo Salvador escreveu em novembro do ano passado o que é a grande pedra no calçado dos incoerentes que dominam o nosso futebol. Neste post, ele diz que nós reclamamos proporcionalmente muito mais do que reconhecemos quando somos ajudados. No que é um retrato claríssimo da situação por estas bandas. Afinal, em terra de “chora mais” e “roubado é mais gostoso”, temos também a falácia do “estão fazendo um complô para ferrar o meu time”. Que tal abolirmos essas frases do nosso cotidiano? Que tal dar a cara a tapa e admitir que em alguns dias, somos nós que saímos de campo envergonhados por uma vitória conquistada graças a um erro de quem apita?

E mais: que nossos cartolas sejam mais decentes e combatam de fato o que tanto criticam quando sentam à mesa com a CBF. Aceitar tudo e abraçar essa realidade é o que impede moralmente que eles se revoltem quando a água bater na bunda. Vai ser assim enquanto a vitória for mais importante que a moral, infelizmente.

Craque da rodada: Vitinho, que marcou o gol da vitória do Inter contra o Flamengo e deu um pouco de ar ao Colorado.

Buzina da rodada: Vitória, que estava perdendo para o Sport, desperdiçou dois pênaltis e foi parar no Z4.

Placares: Botafogo 3-2 Atlético Mineiro, Cruzeiro 0-0 Chapecoense, Internacional 2-1 Flamengo, Atlético Paranaense 2-0 Coritiba, Figueirense 1-2 Palmeiras, Corinthians 2-0 América Mineiro, Ponte Preta 3-0 Santa Cruz, Santos 1-1 Grêmio e Sport 1-0 Vitória. Fluminense e São Paulo jogam nesta segunda-feira, às 20h.

Série B, R31: De favorito a ameaçado de não subir

vasco-perde-para-o-crbQuem contava os jogos para subir e conquistar o título da Série B agora fica apreensivo com a chance de ficar até mesmo sem a vaga do retorno à Série A. Não está fácil ser o Vasco da Gama, que perdeu a liderança do campeonato e agora está ameaçado pelos outros integrantes do G4.

A vice-liderança já era realidade em São Januário, mas o drama foi ampliado após a derrota por 2-1 para o CRB, em casa, no sábado. O Atlético Goianiense abriu quatro pontos na dianteira com o triunfo contra o Paysandu, por 2-1, em Goiânia. Isso só foi possível porque o Vasco perdeu três de seus cinco últimos jogos, ficando em situação periclitante. Pois é, com 54 pontos, o Cruzmaltino vê Náutico e Avaí com 51, muito perto na tabela. Fora do G4, Bahia e Londrina somam 49, ou seja, não dá para vacilar.

O Náutico é a sensação do momento. Seis vitórias alavancaram o Timbu de Givanildo Oliveira para a zona de acesso. A sete rodadas do fim, fica difícil não listar os pernambucanos como candidatos sérios ao retorno para a Série A, após três anos jogando a Série B.

Bom também é o Avaí, que arrancou e subiu demais na tabela, sendo outro dos favoritos para terminar o campeonato entre os quatro primeiros. Os catarinenses estão agarrando a vaga com unhas e dentes. Será que o empenho vai ser suficiente?

Placares: Bragantino 2-0 Criciúma, Sampaio Correia 1-1 Oeste, Atlético Goianiense 2-1 Paysandu, Bahia 1-0 Brasil de Pelotas, Goiás 1-2 Vila Nova, Joinville 1-0 Paraná, Avaí 1-0 Tupi, Vasco 1-2 CRB, Náutico 1-0 Ceará e Londrina 1-1 Luverdense.

Série C, semifinais

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ABC 4-0 Guarani, ida. A volta é no dia 23, domingo, às 21h.

Juventude 1-2 Boa Esporte, ida. A volta é no dia 22, sábado, às 21h.

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