Mance, o craque do Partizan que não teve direito de envelhecer

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Dragan Mance tinha tudo para ser um dos maiores craques revelados pelo Partizan, mas aos 22 anos teve sua trajetória interrompida por um acidente de carro, que lhe tirou a vida e gravou seu nome no coração dos torcedores alvinegros.

Os maiores clichês da humanidade dirão que os bons morrem jovens. É, provavelmente, o que grande parte da torcida do Partizan diria, afinal, eles tiveram um ídolo prematuro arrancado do mundo em seu auge, aos 22 anos. Dragan Mance, um atacante com um diferencial aos seus contemporâneos, não teve tempo para ganhar o planeta ou a Europa, mas tem seu lugar reservado na memória do clube sérvio.

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Goleador, efusivo e praticamente um dos Grobari (coveiros, em tradução livre) dentro de campo, Dragan estourou rápido como um atleta profissional. Natural de Belgrado, em 26 de setembro de 1962, Dragan muito cedo se tornou uma referência no elenco alvinegro, que dividia as glórias da Iugoslávia com o Estrela Vermelha e o Dinamo Zagreb na década de 1980.

Os rivais de Belgrado conquistaram sete vezes o campeonato iugoslavo naquele intervalo de dez anos, amplamente dominado pelo dérbi ferrenho da Sérvia. E nessa rivalidade, Mance brilhava como poucos. Sempre deixando sua marca diante do Estrela Vermelha, o atacante corria loucamente para perto de seus irmãos na arquibancada. O gesto virou característica de suas comemorações.

Ascensão rápida de um astro

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Criado nas categorias de base do Zemun, Dragan impressionava com a sua técnica e aos 17 anos era titular da equipe na segunda divisão iugoslava, no ano de 1980. Um semestre depois, já estava no Partizan e precisou de apenas dois anos para virar incontestável no clube.

Tinha excelente domínio, um ótimo controle de bola e um chute potente na perna direita. Em cinco anos alcançou a marca de 279 partidas e 174 gols, uma das cinco maiores da história do clube, com tão pouco tempo. Campeão da Iugoslávia apenas uma vez, levantou seu único título da carreira em 1983, quando também foi convocado para a seleção nacional como o vice-artilheiro da Liga. Por tudo que vinha fazendo no Partizan, era muito difícil não convoca-lo naquele momento.

A virada inesquecível

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A estrela de Mance brilhou ainda mais em 1984, na sua primeira e última participação em competições europeias. E diante do Queens Park Rangers, foi líder em uma virada incrível em Belgrado pela Copa Uefa. Os torcedores sérvios tiveram o gostinho de ver uma reviravolta no placar, com direito a uma obra de arte do seu maior jogador. Um 6-2 para o QPR  na Inglaterra teria enterrado as esperanças de qualquer time, não fosse o valente Partizan do outro lado.

Com 4-1 no placar no jogo de ida, os ingleses já se acomodavam em sua vantagem caseira, quando o goleiro Omerovic repôs a bola em jogo. Klincarski subiu de cabeça, Zivkovic inverteu e achou Mance. Em dois toques, o atacante conseguiu dominar com a esquerda e acertar o ângulo dos Hoops. Gol do Partizan, gol de Dragan Mance.

Em Belgrado, a coisa mudou de figura. Precisando reverter o agregado, os mandantes conseguiram golear por 4-0 e sobreviver no torneio. Aquele dia 7 de novembro de 1984 ficará para sempre na memória dos que presenciaram um dos últimos capítulos da vida do goleador. Dragan fez um gol e abriu o caminho para a virada: Kalicanin, Jesic e Zivkovic marcaram para os sérvios, que vibraram loucamente com a reação.

Nas oitavas de final, no entanto, o Partizan não esperava que o húngaro Videoton estivesse iluminado e fizesse impiedosos 5-0 em casa. O retorno no estádio Partizan em Belgrado não serviu para impedir o avanço dos oponentes, que ainda tiraram o Manchester United e o Zeljeznicar antes de perder a decisão do torneio para o Real Madrid de Emilio Butragueño.

Um último adeus encenado

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Meses após a épica goleada em cima do QPR, a torcida do Partizan levou um duro golpe na confiança. E de uma forma trágica. Em 3 de setembro de 1985, já com a temporada em andamento, Dragan sofreu um acidente de carro. Faltavam 23 dias para que ele completasse 23 anos de idade.

Ele estava dirigindo na estrada de Belgrado para Novi Sad quando uma mulher invadiu a pista na contramão e forçou Dragan a desviar bruscamente. O atacante ainda tentou corrigir o traçado, mas se chocou violentamente contra um poste perto do acostamento e morreu na hora.

Era o fim da linha para um dos mais talentosos jogadores que passaram pelo alvinegro de Belgrado, sem nem mesmo ter a chance de fechar seu quinto ano na equipe. Mance se foi jovem, com apenas 22 anos e uma longa história a ser contada. É um típico caso de brilho intenso apagado pelo acaso, um homem que foi impedido de envelhecer.

Dragan ainda hoje é lembrado como uma lenda pelos seus torcedores, sobretudo por ter sido uma extensão deles quando vestia a camisa alvinegra. Sua morte o colocou eternamente entre outros gigantes do Partizan. E sua despedida, apesar de repentina, foi com um gol diante do Budocnost, dois dias antes, pelo Campeonato Iugoslavo.

A vitória de 2 a 1 foi um dos passos para o título alvinegro, que chegou a ser contestada num escândalo de manipulação de resultados. Ao se recusar a jogar novamente os confrontos anulados pela Federação Iugoslava, o Partizan foi destronado como campeão nacional. Muita controvérsia se deu até que em 1987 a decisão foi revogada e tudo voltou ao normal. Só Mance que nunca mais voltou daquela estrada para Novi Sad.

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