O modo “The Journey” ainda não é tão legal quanto parece

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Novo modo do FIFA 17 traz a saga de Alex Hunter, um menino inglês que sonha em ser um astro do futebol. História conta com consultoria de Harry Kane e Dele Alli, mas fica devendo em alguns aspectos. Em geral, a novidade é boa, mas carece de melhoras nas próximas edições.

O mundo dos gamers de Youtube ganhou um novo elemento de discussão: o modo “The Journey”, carro-chefe do FIFA 17, mais conhecido como o melhor jogo da atualidade. Pois é, muito se falou antes do lançamento do game que a novidade colocaria o jogador na pele de Alex Hunter, um menino que tem tudo para ser um fenômeno do futebol inglês. Neto de um atleta que teve fama no passado, Jim Hunter, Alex começa a dar seus passos desde a juventude. Você inicia a interação na vida dele ao cobrar um pênalti em uma final de campeonato sub-11. Daí em diante, acontecem coisas incríveis que delineiam a saga.

Pois é. Se você ainda não viu nenhum vídeo ou notícia, o seu crescimento se dá apenas na Premier League. As especulações sobre criar o seu próprio jogador ou atuar em outras ligas caíram por terra. Por agora, é só isso mesmo. Dentro da PL, você pode escolher seu destino e cada opção depende muito do que cada equipe exige de seus jogadores, o que praticamente te desmotiva em optar por um dos grandes logo de cara.

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Sem dar spoilers, podemos dizer alguns elementos poderiam ser mais bem trabalhados. Sabemos que o projeto é ambicioso e que pode ser uma vertente curiosa para os jogadores do Fifa. Mas a primeira versão, embora traga um ar de novidade, ainda é um pouco crua. O modo é similar ao presente na franquia NBA 2K, chamado “Livin’ Da Dream”, dirigido por Spike Lee na edição 2016, que por sua vez tem vários erros bem básicos.

No NBA, Spike Lee cria uma trama envolvendo um atleta chamado Frequency Vibrations (??????), um jovem negro do subúrbio e que não sai de perto da irmã e de um melhor amigo tranqueira e interesseiro. O jogo te permite fazer um personagem fisicamente parecido com você, com outro nome ou qualquer outra ideia que você eventualmente tenha. Mas isso não fará com que te chamem pelo nome escolhido.

A ideia da EA de usar atores reais transformados em 3D para contar o enredo é interessante e pelo menos graficamente, a execução foi bem feita. É, assim como o Livin’ Da Dream, uma espécie de filme interativo. Já que estamos comparando, a versão do NBA é muito ampla no sentido de preparação até o profissionalismo. No Fifa, a transição dos juvenis para o profissional é muito rápida e surreal. Você passa por uma peneira e de repente está sendo disputado por clubes da primeira divisão.

E não, isso não quer dizer que você seja um fenômeno, porque Alex Hunter começa tão inábil que é difícil fazer algo em um nível como o World Class, por exemplo. Existem alguns treinos coletivos e outros mais específicos para desenvolver sua habilidade e o aspecto de gincana tirou toda a realidade do seu último passo antes de assinar por um clube. Aí, BOOM, de repente, Hunter pode chegar a um Manchester United da vida. Sem base, sem competições juvenis, nem desafios, nem categorias inferiores. O jogo pula essa parte, tão crucial para um jovem.

Você começa a reparar que tudo não passa de uma grande jogada de marketing para promover a Premier League, baseando-se no ideal de que qualquer moleque que jogue mais ou menos bem rompa barreiras até ser titular, com extrema rapidez. Casos como o de Marcus Rashford não são exemplos e nem deveriam ser, são pontos fora da curva.

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Mas tudo bem, é o mundo da fantasia. Você tem três escolhas para seguir em cada resposta, mas ao contrário do que se imagina, elas não causam impacto algum. Apenas te fazem ganhar moral com o treinador ou a torcida, longe de efetivamente mudar o seu destino. No fim das contas, a trajetória é a mesma, independente do que você responda. O que muda, naturalmente, é o que se faz em campo. Vale reiterar: Hunter começa muito ruim e demora um bom tempo até que ele tenha alguma capacidade.

Já que pulamos toda essa parte da categoria de base, por que não fazer com que Hunter começasse em alguma equipe de divisão inferior? Não precisaria ser uma da League Two, mas uma outra em que a diferença técnica não ficasse tão abissal. Em alguns momentos, o pouco tempo enquanto reserva nos jogos não basta para fazer nada realmente impressionante.

E mesmo quando se tem mais minutos, a sensação é de que você caiu de paraquedas na primeira divisão. Claro, podemos sempre jogar no fácil, mas para que o desafio seja realmente interessante, não mexemos nessa opção. Aviso: pode ser irritante e frustrante a ponto de abandonar o modo de jogo.

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Então tá. Aí você vai dando chance ao jogo e esperando o que pode acontecer. Tromba com o Reus, conversa com o Harry Kane, se mistura com os companheiros, dá entrevista coletiva e recebe tweets de fãs, ex-jogadores, comentaristas e empresários. Seu quarto é decorado de acordo com o seu time predileto escolhido no início, você pode fazer uso de drogas pesadas como camisas do Bournemouth ou pôsteres do Martial nas paredes, os pequenos detalhes são bem bacanas, como por exemplo a figurinha de seu avô em cima da cômoda. É tudo muito bonitinho e engraçadinho, como seria uma série de humor feita para a Nickelodeon.

Ainda assim seria mais divertido começar uma carreira como jogador e dar todos os passos que Hunter não deu por opção dos roteiristas. Aliás, devo dizer que fiz isso e comecei uma carreira no Nagoya Grampus como eu mesmo e está divertido, mas sem as ceninhas elaboradinhas, os diálogos, os tweets e tudo mais.

A “perfumaria” de “The Journey” foi boa para tentar convencer mais gente a comprar o FIFA 17, mas no fim das contas, o jogo ainda é o melhor do mercado, de longe, nem precisaria disso. É mesmo um imenso plano de marketing para enaltecer a Premier League com uma historinha rasa e óbvia. Como o FIFA nunca teve nada parecido, é óbvio que iria gerar boa recepção. Entretanto, de toda essa iniciativa, apenas a implantação do modo merece elogio. E que certamente precisa de melhoras nas próximas edições.

Levemos o modo como um piloto do que pode vir adiante, não como um negócio feito às pressas. Se derem atenção ao período em que o garoto se desenvolve como juvenil e vai melhorando até virar profissional, já é um bom passo.

1 pensamento em “O modo “The Journey” ainda não é tão legal quanto parece”

  1. As licenças são as partes principais de um jogo de futebol, por isso não dava pra liberar o Alex Hunter pra atuar em diversas ligas, se fosse, seriam apenas as 100% licenciadas, como a BBVA e a EPL.
    Não ponho tantas críticas ao modo e como a história flui por ser ainda a entrada da EA em algo do tipo, acredito que ano que vem devam melhorar muito, assim como o NBA2K vem melhorando a cada ano e adicionando cada vez mais elementos pré-profissionalização.
    Achei a duração muito boa também, 25-30 horas, se comparado ao NBA com o ‘Livin Da Dream’ que era umas 4-5 horas apenas.

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