A responsabilidade de Gascoigne na loucura de Gattuso

Gattuso Rangers

Gattuso jogou por um ano e meio no futebol escocês e conviveu por certo período com Gascoigne, já em fim de carreira. O italiano descobriu seu gosto pela violência e foi alvo de algumas maluquices com o lendário meia e fanfarrão inglês.

Hoje em dia, falar de Gennaro Gattuso é quase como fazer uma referência ao lado sujo do futebol, aquele cantinho do esporte que é completamente isolado dos valores morais, esportivos e sociais. Muito porque Gennaro, em seu auge, se mostrou um precursor famosíssimo do estilo brutamontes de ser. Lembrar dele é imaginar botinadas, bicudas, tapas, carrinhos e discussões ríspidas. Não há nada nele que remeta à paz.

Antes de ser forjado como um talento da pancadaria e das cenas lamentáveis, o italiano passou por um período de provação com outro jogador igualmente famoso pelas suas maluquices. Após dois anos como profissional e sem tantas chances no Perugia, Gattuso foi tentar a sorte no futebol escocês. E lá encontrou Paul Gascoigne.

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Gattuso Rangers 2

O que Gazza e Gattuso têm em comum? A loucura. Os fios desencapados na cabeça que em um momento inesperado se tocam e causam um curto circuito. Aí você se pergunta: como é que um louco poderia se dar bem com um cara totalmente pinel? Sendo mais louco que ele.

Logo em seu primeiro treino pelo Rangers, Gennaro mostrou vigor físico e garra. Talvez até mais do que os companheiros esperassem. Vale observar o seguinte: naquele ano, o clube contava com atletas de nível internacional como o dinamarquês Brian Laudrup, os atacantes escoceses Gordon Durie e Ally McCoist, o meia sueco Jonas Thern e o goleador italiano Marco Negri (artilheiro da equipe em 1997-98).

Gascoigne não durou muito tempo naquele elenco, já que foi vendido no início da temporada para o Middlesbrough. Antes de voltar à Inglaterra, o meia teve uma relação intensa com o italiano. Gattuso mal sabia falar duas palavras em inglês. Sua forma de se comunicar era por meio de pancadas e divididas duras, além dos gestos. Quando os companheiros viram que se tratava de um atleta diferenciado e que estava disposto a quebrar tudo pelo sucesso, ficaram assustados. Só Gazza que não se impressionou.

Ao invés de mostrar que estava intimidado com a violência do colega, Gazza pregou-lhe uma peça de vestiário. Sem que Gattuso visse, o veterano pegou uma cueca na mala dele e deixou um presentinho. Quando o italiano terminou de tomar banho e iria se trocar, notou um odor extremo saindo de suas roupas. A cueca em questão estava pesada e a descrição do momento não se faz necessária. O que se sabe, pelo próprio Gennaro, é que ele voltou irado para casa, obviamente sem a cueca suja. As pegadinhas eram algo frequente nos vestiários e todos sabiam que Gascoigne era capaz daquilo ou muito mais.

Acalmando a fera

Gattuso x Celtic

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Rino (apelido dado a Gattuso em uma alusão a rinocerontes) saiu do Rangers em 1999 para assinar com a Salernitana e depois disso seguiu para o Milan, onde passou a maior parte de sua carreira, vencendo vários títulos e causando milhares de hematomas, mundo afora.

O perfil incontrolável gerava problemas nos treinos. Os companheiros não sabiam o que fazer, já que o italiano não conseguia conter seus ataques de fúria. Pois neste pouco tempo de convivência com o colega, Gascoigne encontrava um jeito de sossegar o seu aprendiz: na base dos tapas na cara e socos. Só assim para conter o ímpeto de destruição do volante.

Em fases mais avançadas da carreira, Gattuso acumulou brigas e episódios curiosos entre colegas de time. Ninguém esquece da discussão acalorada com Joe Jordan em Milan x Tottenham de 2011, tampouco das represálias a Christian Poulsen em Milan x Schalke de 2005 (o volante dinamarquês havia caçado Kaká no jogo de ida). Mesmo quando já estava aposentado, Gattuso desferiu um tapa no rosto de seu assistente durante uma partida em que treinava o Pisa.

Gattuso é um bruto. É heavy metal puro, é porrada, é sangue e exaltação. Sem dúvida, um dos ícones eternos do futebol raçudo e destemido, um homem que não tinha medo de ninguém e passava como um trator por cima de quem fosse.

Pode até ser que alguém diga que ele não poderia ter sido diferente, mas é inegável o efeito que Gascoigne causou na carreira de Gennaro. Só mesmo Gazza saberia lidar de forma adequada com o inferno de conviver com o volante. Anos depois, De Rossi também descobriu que para ganhar o coração do rinoceronte, era preciso ser tão sem noção quanto ele.

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